Canto Falado
falo dos meus amigos
e do sangue nos entre lanhos
da minha carne poeta
falo do que não digo
e do desenho em chaga
dessa ferida aberta
falo da tua miséria –
a minha própria matéria
que nesse canto se projeta
falo da falácia espúria
em palácios de injúria
que esta poesia objeta
falo e falho ao fazê-lo
pondo em pêlo à palavra
sua carnadura sonora
fê-la um esboço mímico
o meu rigor mecânico
que um silêncio qualquer devora
filha florada na sílaba
cio de lábia ventríloqua
falo da palavra afora.
Perfeito!
Que maravilha de construção.
Li em voz alta, como geralmente faço e me preceu música, dura, seca, porém com a ternura do poeta saltando em cada verso.
Asorei.
beijo
olá saramar,
que bom que gostou. essa coisa da musicalidade, ainda que seja latente na poesia em si (especialmente no uso da rima como recurso sonoro), no que escrevo acaba ganhando bastante força, por conta de que também sou músico. convido-te a ler outros textos já postados aqui no overmundo.
beijo,
r
Renato,
teu poema é um falo
deflorando a poesia comedida ...
Abraço,
Pedro
fábio...
sim! e como...! pra escrever estas coisas, eu tenho que estar fudido... rsrsrs. agora, se a sinonímia que buscaste foi pra dizer do quanto é bom o texto, eu replico: fudido és tu! ;)
abraços, mano velho!
r
pedro,
a tua argúcia é mordaz, e desvenda!... repetir a palavra falo acabou por se tornar, no texto, quase que uma impertinácia viril, que quer, como bem dizes, arrancar o cabaço dessa poesia que se quer livresca e muda, em torpor de dicionário.
tuas visitas, falo, tesam... (rs)
abraços!
r
Belo Poema, Renato. Eu gostei muito. Meus sinceros aplausos.
Carlos Magno.
olá carlos,
fico feliz que tenha gostado, e vindo visitar meu canto falado. visite também, se possível, outros poemas meus publicados aqui no overmundo.
abraços,
r
bom, se já o acompanhava na página em branco, que dirá agora nesse novo (over)mundo...
Parabéns poeta!
Carpe Diem!
olá harley,
que bacana saber que já lias meus escritos na página branca... obrigado mesmo! espero que aprecies tudo o que venho publicando aqui no overmundo.
abraços conterrâneos!
r
isso sim......é maravilhoso !
bjsssssss
oi cláudia,
...agora fiquei sem saber se gostaste ou não d'o ciúme', ou se gostaste mais deste aqui... mas não importa. fico feliz mesmo que tenhas buscado me ler um tanto mais. queira sempre!
beijo,
r
Muito bom...
Certa vez escrevi:
Flora, Florinda.
Um sonho sonhado.
Desmatado.
Danado, matado,
Floresta sem flor.
Florinda, morreu.
Pois, é, ja disse-lhe uma vez que não sou letrado, mas gosto muito das suas poesias, recheadas de recados, vejo-as, circular, sair do papel ou de outro espaço rigído ou maleavel. Acho que sentimento é assim, extrapola o possível.
Abração.
Antonio João Merireu
merireu,
letrados não são os que, ostentando um título qualquer dado pelos doutos, acham-se mais dignos da linguagem do que outros. as letras são dádivas acumuladas ao longo do tempo pela humanidade, e pertencem a todos, inclusive aos que, por ventura, ainda não as conhecem. afinal, todos somos nomeados - recebemos o batismo da palavra que nos significa. isso já acho suficiente para afirmar, sem licença poética, que letrados somos todos.
abraços,
r
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