Tudo começou com um empréstimo e um software livre. Aliás, tudo começou com uma idéia para um acorde; mas um acorde não dura mais que de repente, especialmente quando à guitarra falta um cubo. Não. Tudo começou quando eu fui demitido do Banco do Brasil e, com um cheque no bolso e uma espécie de teimosia na mão esquerda, me bandei para uma loja de instrumentos musicais e comprei um baixo que dava choque e uma pequena caixa que adorava interferências.
Sim, foi mais ou menos aà que as coisas começaram a andar. Aprender a pentatônica foi uma revolução sentimental. Era como se a partir daquele momento eu estivesse apto, realmente, a usufruir dos embrulhos e imbróglios de qualquer decepção amorosa, e a beber um desconforme em decorrência. De repente havia um sentido naquilo tudo. Acho que foi um tempo de boas idéias, apesar delas terem me escapado.
Bem, entrei numa banda de hardcore, a Underflow, de um amigo de escola e, nos palcos, fui ganhando aquela segurança necessária para errar sem ficar com vergonha. Enfim, a liberdade. Tudo o que um músico precisa para se assumir como músico é de uma pentatônica e de uma cara-de-pau.
Mais tarde, também entrei num projeto de música regional intitulado Os Tucumanus, sempre tocando contrabaixo, o que ampliou não o meu leque de notas, mas a capacidade de inserir meus poucos tons em ritmos mais diversos. Apesar de ter composto alguma coisa para ambos os grupos, a maioria das idéias que tinha não se encaixavam muito bem no estilo das bandas, o que somado à minha timidez fundamental em mostrar as músicas ainda cruas, me deixava um tanto frustrado e caminhando meio de lado.
Foi só então que me acometeu uma daquelas luzes de coisas óbvias. Tinha um computador, uma conexão de Internet e um simulador de amp. Dava para arranjar uma guitarra, pedir o teclado emprestado da namorada, e baixar um programa livre para gravação e edição de som.
Baixei o Audacity, comecei a quebrar a cabeça e a irritar a namorada com minha permanência no quartinho do computador.
Carroça
Manaus, maio de 2007
pra escutar uma música antes de baixar:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=67581
Ainda não tinha visto a capa do EP! muito louca! tenho q escutar os sons novos!
Pablo Bentes · Manaus, AM 10/7/2007 14:17
fala, moleque doido!
as outras estão aqui
Bendito seja o quartinho do computador, playground de quem necessita criar. Também passo minhas temporadas por lá (e viva a cara-de-pau).
As suas composições fogem do óbvio, o que, para mim, é importante.
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