CARTA A UM JOVEM ESCRITOR(MINHA RESPOSTA)

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CCF · Praia Grande, SP
18/11/2010 · 3 · 0
 

Prezadissíma critica literária Leyla Perrone-Moisés
Caderno: Ilustrisima
Folha de São Paulo
Domingo - 07 de Novembro de 2010

Sendo o que eu sou, busco sim! Ser o que não sou.
A leitura do seu ensaio foi um momento de encontro com uma realidade na vida de quem busca ser um escritor e por conseqüência aquilo que se denomina “fama”, mas que na verdade configura-se por “reconhecimento”. Foi também um momento de boas risadas.
Aliás, permita-me enaltecer a ilustração de Elisa Von Randow. Senti como estivesse vendo os desenhos da minha querida neta, também Elisa, que nos seus nove anos, pontilha meus cadernos com seus traços infanto reflexivos.
Mas vamos voltar a “Carta a um jovem Escritor”.
Na verdade, o jovem escritor (a), pode surgir aos 20, 30, 40 ANOS e por ai a fora. Não existe idade para se começar a escrever. Mas qualquer um que comece, vai comer o papel que o diabo escreveu.
Lembro do meu primeiro texto para um jornal (1970) e o meu primeiro poema publicado num livro (1990). Senti o mesmo orgasmo quanto o sentido no meu ultimo trabalho publicado num livro lançado recentemente no curso do XVIII Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves.
Este sentimento bate com aquilo que nas entrelinhas A SUA CARTA diz: É preciso ter vontade de ser o que se quer ser.
Mas neste caminho, qualquer um que se aventure, vão encontrar diversas armadilhas, algumas fatais.
Nesta etapa, os que ganham dinheiro com edição de livro, estão muito pouco preocupados com o conteúdo do seu texto. Eles olham apenas para o seu bolso.
E nem isso às vezes garante a sua entrada na literatura através de um livro, pois a picaretagem literária abunda.
Concordo com você, conhecer e conviver com outros escritores, aliás, já discorri sobre o fato junto aos meus pares no site www.casadopoetapg.com.br, é de fato um bom caminho.
Ser amigo de Victor Hugo na França do século XIX significava ter a porta de entrada no cenário literário francês, aberta de forma definitiva.
Mais será que os nossos escritores famosos estão dispostos a descerem dos seus pedestais para estenderem a mão a um novato, que tem a ousadia de querer ser um escritor?
Eu até tenho tido sorte neste aspecto, pois tenho conhecido muita gente boa que tem sido referenciais que agregam um valor enorme a minha pretensão.
Sua carta precisa chegar mais longe do que a próxima banca de jornal. Prometo que vou carregá-la sempre comigo e divulgá-la junto aos meus amigos. Alguns já com nome na praça, outros ainda ilustres desconhecidos e outros navegando com seus sonhos guardados em plásticos presos a pastas que viajam de um lado para o outro, integradas anatômicamente a suas axilas.
Lembra que falei no inicio que ri em certos momentos? Você aconselha ao pretenso escritor, que no caso de um fracasso, assuma-se como maldito e que mude sua postura adotando um visual mais escuro e descabelado.
Lembrei-me de um comentário feito por um leitor a respeito de um texto meu. Ele disse-me assim:
“Celso, achei você meio descabelado, mas gosto muito do que você escreve”.
Para mim, ser maldito ou Benedito é uma questão de foco, não meu, mas sim do leitor.
Ele que me aceite do jeito que bem o entender.
Eu particularmente amo e odeio o que escrevo na mesma proporção.
Amo quando termino um Poema, uma Crônica... E odeio quando o que escrevo deixa de ser meu e torna-se de outros ou para outros.
Mas é nesta hora que eu me entrego de paixão infinita pelo meu leitor, que tem o poder de inflar o meu ego ou corrigir o meu rumo.
Penso que: Não vai ser um concurso que não entrei um prêmio que não ganhei ou uma feira da qual não participei que vai dizer que eu não sou escritor.
Parecido comigo, tem muitos na estrada da literatura. Mas se você olhar no contexto geográfico e social do Brasil, na verdade somos poucos.
E é triste ver que muitos morrem prematuramente no vergonhoso IDH nosso de cada dia.

Sobre a obra

Parecido comigo, tem muitos na estrada da literatura. Mas se você olhar no contexto geográfico e social do Brasil, na verdade somos poucos.
E é triste ver que muitos morrem prematuramente no vergonhoso IDH nosso de cada dia.

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informações

Autoria
Celso Corrêa de Freitas
Ficha técnica
CARTA RESPOSTA
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