Ando triste, meu amigo.
Há uma ausência morando em minha casa
que cobre de cinzas os espelhos,
amarga o sumo das frutas
e abala as flores em desfalecido langor de doente.
Sonhei muito e o cansaço também me abate
vivo longe, afasto-me de mim
incapaz de olhar o anel que se quebrou.
Ando pelas manhãs, em lágrimas
o sol queima meus olhos
e desfaz toda cor.
(Que cor terá a saudade?)
Voltei à eterna noite e às lembranças,
dardos inesperados a sangrar, a sangrar...
Desta tão grande noite,
fogem até as felicidades fáceis
e me abandonam as palavras, uma a uma,
seguindo o caminho de quem me deixou.
Estou aguardando o início da votação. A primeira estrofe tem versos muito preciosos. Obrigada.
Aglacy · Aracaju, SE 31/8/2008 19:09
Cara Saramar,
Novamente seus versos me comovem.
"Ando pelas manhãs, em lágrimas
o sol queima meus olhos
e desfaz toda cor.
(Que cor terá a saudade?)"
Parabéns!
Marcado para voto.
Grande abraço!
"Desta tão grande noite,
fogem até as felicidades fáceis"
Poeta de verso envolvente, de tudo que li com gosto, só não vi de fato, a fuga das palavras, senão de onde viria tão linda poesia???????
Abraços, Nina.
Carta de amor, Saramar. Carta de chega de saudade: vai, minha tristeza, e diz a ele numa prece que ele regresse;)
Veio Vinícius no avesso da sua poesia. Pq?!
Gostei muito
bjos
CD
Ai que dor Saramar,
cheguei a pensar que a carta-desabafo poderia trazer algo de alívio, mas o final, a imagem das letras indo embora junto com quem partiu, deu um nó no peito.
Mas, as palavras vao acha lo! Voce nao sabe o que elas farao com ele quando encontra lo... Poderao ate traze lo de volta!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 1/9/2008 14:24
dizer ?
...só sentir intensa e profundamente a missiva perene e estonteante...
a minha saudade é sépia...pelo meu óbvio...
mas...qual será a cor ?
guardarei nos meus arquivos e estamparei em minh'alma...
bj
Que tristeza tão grande é essa, que faz com que até as palavras fujam?
bjs
Para o poeta, é assim
A ausência é um ser tão presente
Que fica às vezes, tão presente
Que o presente vira ausência
Belo poema
Um abraço
Saramar · Goiânia (GO)
CARTA CHEIA DE DOR
Poesia que passa uma tristeza infinita causada pela perda de um grande Amor.
Muito bem feita de impressionar a gente.
...Ando triste, meu amigo.
Há uma ausência morando em minha casa
que cobre de cinzas os espelhos,
amarga o sumo das frutas
e abala as flores em desfalecido langor de doente.
Parabéns Poeta de grande paixáo.
Trabalho muito bem feito pela expressáo de dor sentida e demonstrada.
Abracáo Amigo.
É apaixonante seu palavrear. Enche os olhos, mas, não é de lágrimas...
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 2/9/2008 14:13
Cheguei a achar que falava comigo. Cheguei a querer oferecer colo. Lindo...
Paz e alegria menina.
Ah, querida Saramar! Essa dor, eu sei,
magoa e fere o mesmo ponto, feio,
dilacerado.
Mas, de uma coisa sei: a dor da saudade
tem todas as nuances das névoas acinzentadas.
Que o sol lhe cubra com o calor da esperança!
Beijos e votos.
Saramar querida
A dor da saudade é ruim demais,mas pior é o vazio de não existir nem saudades
Beijos mil
Querida SarAmar:
Lindo e triste lamento
Em carta de sofrimento
De uma ausência
que ficou presente.
Belíssimo!
Beijos_Meus*
*
Carta...de amor...
Saramar, vc foi e volta e vai longe!!!!
Parabens. bhj
As palavras não fogem, são usadas muito bem, pesando a emoção, quanto pode oferecer ao leitor, quanto pode guardar para si.
O poema é um objeto verbal composto com arte para emocionar o leitor. É o veículo da emoção, mas não é só emoção - antes é arte. Daí o perigo, a dificuldade: quanta emoção transmitir? Quanta recolher?
Fazer poesia é fazer uma escolha: quanto deixar fora, porque é só emoção, e quanto incluir, porque é arte - e a arte é filha da emoção, ou mãe.
Você caminha bem, Saramar, embora na corda-bamba: um pé na emoção, outro na arte. Parabéns.
bjs.
Olá Amiga Saramar:
As ausências são sempre tristes e doídas; quando temos a impressão de que as palavras fogem é o momento em que elas brotam mais teimosas, embora tristes e ecoando como um lamento que surge do fundo de nosso coração.
Parabéns pelo lindo poema!
Beijos
Quando as palavras nos deixam,
a alma que precisa expressar a dor,
o amor, as pequenas felicidades
fica prisioneira, não do escuro,
que ela brilha,
mas do silêncio...
um silêncio duro, bruto,
que aferrolha.
Saramar, repito o que algumas vezes disseste a mim: triste, muito triste.
E muito lindo!
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