CASCAS DE ËXTASE

DOU: Portraits by Oleg Duryagin
1
Benny Franklin · Belém, PA
17/3/2009 · 121 · 17
 

Amostra do texto

Para "Assis de Mello" - através dele homenageio todos os poetas e poetizas.

1.
O elmo da garagem aflige o chão
e a fome de após-esterco
— pugna por gritos em pugna tão atroz —
gira como o azedume dos frutos pêcos
que giram com o desgalhar dos cedros
conquanto já crescidos murcham
como as mangas grávidas
em quase-aborto
e se comparam aos poetas metafísicos
com as barbas a fazerem
e na aurora do meu olhar
surgem como cascas de êxtase,
fissuradas, desconjuradas.

(Oh, meu amor!
Algum sangue perambulando pelaí
há que hastear a carona
na mochila do futuro...)

2.
Ai...! Congemino
que a palavra day by day
não morra golfando o talho.
Sob o meu queixo
uma flâmula se cobre com vento
e arrasta consigo a poesia
para proteger-me da veste inconsútil.
Célere, à noite (mimada tarântula),
cubro-me com um adágio apaixonado
— interstícios do amor
e da morte exorcismados —
e me permito face to face vagabundear
pela coerção do poema
tal qual um deus bárbaro
violentando o corpo da manhã.

3.
Enquanto isso,
na inconsciência dos cruéis algozes,
em silêncio, o sol se brocha,
designa que eu me afaste da verve possuída.
Só. Douro a expiação, demito a inutilidade
e asfixio o negror dos esfomeados
com os meus estercos religiosos
onde nem o marasmo flumíneo da agonia
e nem os olhos ávidos da chuva
conseguem me desviar do ferrão.

4.
Cerceio a lógica
e me afasto da inalterabilidade
das coisas.
Calar-me seria ignorar-vos,
e a minha voz não é covarde.
Acovardar-me, seria ignorar
os distintos fulcros que avisto,
e eu não sou comparte com o cais de dores.
E, inda que não sirva dar-vos um sentido poético,
que não se assemelhe mais comigo
a minha própria fábula,
de modo que na borda do papel
tendes a não compreender-me,
eu me defino como uma fumaça-que-passa
— e detesto!

5.
Oh, silêncio! Oh, cravo!
— Escrevo o que galo.
Apraz-me o lume de poetar
dentro da grávida piração.
E, inda que condenado ao empirismo das tardes,
eu me afino pelo tom de alguma mão
que tateia outras mãos,
daí me permito tocar o soluço
que jaz nas gagantas,
daí me permito coexistir num mundo etéreo
que não me deixa amarelecer.

© Benny Franklin

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informações

Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesia Bennyana.

Fotografia de "Oleg Duryagin", meu novo amigo e astro russo da fotografia mundial que gentilmente autorizou-me a usar as suas instigantes fotografias nas postagens dos meus poemas.
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Doroni Hilgenberg
 

Beny,
Seu poema seco e cru, nos remete a superficialidade
das coisas enquanto o mundo esta perecendo.
Mas é através da palavra podemos gritar,
se rebelar e pedir socorro.
Oh, silêncio! Oh cravo!
Quando o silêncio machuca...

bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 15/3/2009 18:44
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Ailuj
 

Benny
Você é tão explêndido em seus versos que me sinto pequena pra comentar...Acho que tudo que eu disser será pouco,então leio e SILENCIO em reverência
Beijos

Ailuj · Niterói, RJ 15/3/2009 21:40
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Ailuj
 

voltando pro voto

Ailuj · Niterói, RJ 16/3/2009 16:26
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graça grauna
 

graça grauna · Recife, PE 16/3/2009 22:13
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danlima
 

benny, seu poema é obra de múltiplas leituras, de plúrimas visões, físicas e metafísicas, líricas e delíricas constataçaões no olho da noite e no centro dos furacões: é o poeta que grita, contra a inutilidadade das coisas, contra o esterco e o estertor de um mundo canabalizado.. contra o etéreo mal engendrado e contra uma mística mercantilista... seu grito de poeta rompe esta noite que é umaa "fumaça que passa" e se eleva além, buscando o sentido da vida neste grito rasgado de socorro.... parabéns, poeta grandioso!

danlima · Brasília, DF 16/3/2009 22:45
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Cláudia Campello
 

Ganhei a noite com CASCAS DE ËXTASE

valeuuuuuuuu !!!! Uau !

bjssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 17/3/2009 00:47
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clara arruda
 

O poder da palavra e a beleza da poesia, maravilhoso poder te ler meu poeta del mundo.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 17/3/2009 19:22
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alcanu
 

O efeito que sofremos ao ler tão visceral obra é daqueles mesmos que ocorrem nas paixões desenfreadas, daquelas que dizem pra você não se envolver, que você vai sofrer e outras coisas mais, não leiam as poesias desse homem, elas vão despertar dentro de você, forças que você nem mesmo desconfiaria que teria, que poderia recorrer delas ao seu bel prazer...
Ler Benny Franklin, não requer prática, nem tampouco traquejo, tudo que ele fala são citações trocadilhescas de duplos ou triplos sentidos de uma felicidade ímpar !
Não é um texto inseguro, daqueles que a gente às vezes costuma escrever e fica na dúvida se serão bem compreendidos, bem interpretados, nos dá a impressão de que Benny pensa assim:
porra , sei láo que vãO Pensar dos meus textos, eu só quero me exprimir, se vão me entender é outros quinhentos...
e o pior ( ou o melhor, né ? ) é que a gente o entende e concorda com ele em gênero , número e grAU e vende o peixe dele e elogia, sem qualquer tipo de falsidade, pois não cabe isso por aqui !
Benny Franklin é garantia de loucura pelos cinco ou dez minutos que a sua leitura exige, para a digestão pesada de suas palavras, para decantarmos o que ele diz e tirarmos nossas próprias conclusões !
benny, obrigado por nos deixar pensar com você e vermos como você nos 'induz' a essas coisas bonitas !
um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 17/3/2009 20:24
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alcanu
 

Ah, publicado !

alcanu · São Paulo, SP 17/3/2009 20:24
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Benny Franklin
 

Obrigado:

Doroni - suas como palavras vozes no meu coração ;
Ailuj - obrigado!;
Graça Grauna - sem palavras;
Danlima - palavras de um grande poeta;
Claudia - canto porque eu não posso escrever!;
e Alcanu - é uma honra ler o que você me escreveu.

Obrigado a todos!

Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 17/3/2009 21:41
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Benny Franklin
 

Onde você lê gasganta eu quis escrever: garganta!
Valeu!

Benny Franklin · Belém, PA 17/3/2009 21:46
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Cintia Thome
 

Calar-me seria ignorar-vos,
e a minha voz não é covarde.
Acovardar-me, seria ignorar
os distintos fulcros que avisto,
e eu não sou comparte com o cais de dores.
E, inda que não sirva dar-vos um sentido poético,
que não se assemelhe mais comigo
a minha própria fábula,
de modo que na borda do papel
tendes a não compreender-me,
eu me defino como uma fumaça-que-passa
— e detesto!


Não suportamos as arrogâncias!

Um Beijo

OS HF

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/3/2009 10:38
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Cintia Thome
 

Bela Imagem, de pé aplaudo a técnica
a arte e o leque que traduz
tantas súplicas...
ab bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/3/2009 10:40
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Pedro Monteiro
 

Amigo Benny.
O poeta tem o dom de transformar letras em imágem.
E você o faz com maestria.
Parabéns.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 21/3/2009 19:15
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Doroni Hilgenberg
 

voltando
desculpe a demora estava sem NET
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/3/2009 18:43
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Pepê Mattos
 

Das ramas da mais velha das arquimangueiras, eu desço, ò bardo guia meu nas noites insones, eu desço... Nenhum deus o é sem ser início, meio e fim... Fim último que pulsa over-abrindo os mundos metafísicos, quiméricos e os por inventarem... Não mais me delongando e não mais protelando o derradeiro agradecimento do discípulo ao mestre - inda que verves distintas lhes sirvam como norte - recolho-me ao meu lugar deixando um terno e sempiterno abraço...

Pepê Mattos · Macapá, AP 23/3/2009 22:08
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Ivan Cezar
 

Passando aqui só para ratificar o comentário que postei no BLOG
Cara voce está "mastigando" os versos - muito SHOW DE BOLA !!!
Votadíssimo

Ivan Cezar · São Sepé, RS 24/3/2009 18:58
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