O Sururu (ou Mytella charruana) é um molusco muito comum em quase toda a costa brasileira. Por aqui, muita gente vive da cata do sururu. Em Vitória é bastante comum encontrar pessoas que tiram seu sustento da cata do molusco, principalmente nas ilhas do Frade e do Boi, locais onde as pedras litorâneas parecem fornecer o ambiente ideal para a sua fixação e reprodução. Além de ser base para a receita da tradicional torta capixaba, o sururu é bastante consumido em moquecas.
Essa família de catadores eu encontrei em Anchieta, litoral sul do estado. Os quatro adultos e as duas crianças vivem basicamente da cata. O sururu é arrancado das pedras, cozido ali mesmo na praia e ensacado para a venda. Todo o processo é bastante primitivo e deixa a praia cheia dos restos das conchas do sururu.
Ilha,
Belas fotografias. O sururu como alguns outros animais, dão sustento ao povo que vive no litoral, na região ribeirinha ou nos mangues. No meu estado de origem, o Ceará, estas fotos são parecidas com as dos catadores de caranguejos.
Bela arte e informação. O que pode nos fazer refletir sobre o extrativismo local em relação à industrialização da pesca e etc....
beijo
Cris, esse tipo de"cata" manual, artesanal, não prejudica a reprodução do sururu por dois motivos básicos: é artesanal, mesmo, e só os sururus adultos (grandes e com mais carne) são retirados; as conchas que sobram do processo sã0o geralmente reaproveitadas no artesanato de conchas, tradicional da região.
O que, infelizmente, está acabando com o sururu e a pesca no nosso litoral é a industrialização desenfreada - somente em Anchieta serão 5 grandes siderúrgicas até 2010! Sem falar do Porto de Ubú, que é responsável pelo escoamento do minério da Samarco. A região está sofrendo um abalo social, econômico e cultural muito forte. Não sei se a população local, que sempre viveu de pesca artesanal, artesanato de conchas etc, poderá passar por tudo isso sem sofrimento.
abraços
Sim Ilha, foi isso a que me referi, em todos os estados onde a comunidade local vive do extrativismo vegetal, animal ou mineral, a produção/vivência e etc. é ameaçada/amealhada pelo comércio predatório em escala industrial sem estudo de impacto ambiental sério. Todos sofrem com isto!
Por isto a relevância das suas fotografias, sem falar na beleza das imagens.
Novamente meus parabéns
abraços
Infelizmente, estas práticas artesanais que mantêm o complexo sistema ecológico são desprezadas pelas indústrias, consideras retrógradas.
As indústrias não vêem (ou fingem não ver) que sua própria prática é responsável pelo fim dos ecossistemas. Elas sim, ~reverteram o mundo ao passado e, mais grave, sem ter o que caçar para comer.
Belas fotos!
beijos
É isso, Saramar. Mas eu acho que a gente está num limite (ou, ao menos, a terra está). A hora é de repensar esses conceitos e dar uma meia volta na direção da produção artesanal, da agricultura familiar, enfim...
beijos
Como disse o Cris,ja vi tambem catadores de carangueijo em Mangue Seco,mais ou menos assim,eles levam latas,folhas de bananeiras,catam os carangueijos,cozinham ali mesmo desfiam e pôem na folha de bananeira depois vendem na praia como ''catado de carangueijo''aos banhistas
magnífico trabalho, lindas imagens.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 5/11/2008 09:44
É, Cláudia, pena que resta pouco tempo para essas imagens em Anchieta. E pior, são poucos os que falam sobre o que essas empresas vão representar para o litoral sul do ES.
Beijo.
Não sei se a realidade dos catadores de "marisco" como são conhecidos aqui na Bahia é a mesma de outras regiões, as famílias catam e vendem o sururu, o carangueijo, o siri e outros "mariscos" a preços baixissímos e os turistas pagam pequenas furtunas para degustar desses mariscos nos restaurantes. As cascas que sobram é utilizada por muitos marisqueiros como material alternativo na construção de moradias, substituindo a brita na formação do concreto. Concordo com vc, ou se valoriza essas práticas ou estamos perdidos!
As fotos são lindas!
Bethânia, é realmente preocupante essa questão da industrialização rápida do estado. Em Anchieta isso está apontando para graves problemas sociais e ambientais. E, como vc disse, ninguém está falando sobre isso. A mídia tem vendido a idéia de "Um Novo Espírito Santo", mas nem toca nas questões fundamentais tais como o meio ambiente e a sobrevivência dos moradores locais.
Claudia, por aqui é possível a compra desses produtos diretamente com os catadores. Mas o que ocorre é que às vezes, para eles, é muito mais seguro vender para restaurantes e bares, clientes certos. E ai ocorre isso de eles venderem por um preço baixíssimo o que consumimos nos bares pelo triplo do preço (ou, dependendo do produto, bem mais).
beijos
Belas imagens. E só uma coisa: Este troço é bom mesmo? Sempre tive medo de comer.
Abs
Cara, nunca comeu sururu??? Vc tá precisando fazer um estágio por aqui... É uma delícia! Mas, seu medo é justificado: ostras, sururus e outros moluscos marinhos podem ser perigosos, dependendo da procedência deles. É bom saber de onde vieram e se são fresquinhos.
Ilhandarilha · Vitória, ES 6/11/2008 10:27Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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