Catedral de aço em que tranquei meu peito
Não sobrevive a força dos ventos demônios
Que abrasam minha alma com sonhos desfeitos
Revelando células, feras, feromônios.
Catedral de agulhas desencadeadas felpas
De puro e ardente veneno crepúsculo
Que me consome em tochas sanguíneas crespas
Tornado-me menos que vulgar molusco
Catedral de areia desfeita ao sabor do medo
Que desmorona meu ser recluso e tenso
Tornando-me apenas centro de um enredo
De um sofrer vil, carrasco, imenso.
Catedral de barro frágil moldada a ferro
Envolta em chuva de ácidos escaldantes.
Me lança ao topo do vulcão desterro
Refugio de feras e zumbis errantes.
Catedral de vidro translúcido e frio
Reflete o nada no vazio fugaz
Do nada herdo apenas o calafrio
De buscar na luz, anseios de paz.
Catedral de águas revoltas, marés.
Transbordam meus anseios rumo aos infinitos.
Transformando a incerteza do febril revés
Em sussurros que são desalentados gritos.
Catedral do nada, vazia como eu vazio.
Despojado de sonhos, acéfalo, hermético.
Como espada, lâmina sem fio.
Escorrendo a vida, para o fim patético.
Catedral trancada sem portas, viseiras.
Sobre leitos de puro e macio veludo
Catedral ruínas de pasmaceiras.
Negro prenúncio para o fim de tudo.
Uma forma de externar sentimentos ambíguos de desconformidade...
Lauro,
magnifica construção
Quem nos dera ter a magnitude ou um pouquinho da solidez de uma catedral
bjs
CATEDRAIS
Bela Poesia com Catedrais pontilhando a existência da gente pela vida afora.
Uma marcante referência que nos leva às reflexões.
...Catedral de águas revoltas, marés.
Transbordam meus anseios rumo aos infinitos...
Parabéns pelo trabalho gracioso.
Abração Amigo para todos.
Texto
Lauro,
Catedrais imponentes, não diz o que reflete em cada uma delas,
vc conseguiu pasar isto prá gene.
parabens.
Gteixeia
Lauro,
Catedrais imponentes, não diz o que reflete em cada uma delas,
vc conseguiu pasar isto prá gene.
parabens.
Gteixeira
Grande Lauro,
Palavras sombrias de uma alma em tórrido congelamento! Há momentos em que nos sentimos assim mesmo: vazios e frios, como se nem o oceano, se fosse possível, nos preenchesse.
Votado!
Abraços,
R. Marcchi
a catedral que deveria conceder conforto, representa apenas incerteza
como muitas outras coisas nessa complicada vida
Voce escreve bem em qualquer forma e estudo, parabéns.
kfarias · Águas de Lindóia, SP 28/2/2010 16:42
gostei muito das suas catedrais, ainda que às vezes me apertem o coração.
abraços
Tchê! me congelastes... virei catedral de gelo; vou ter que esperar o aquecimento global... Poema forte, envolvente,
quase hipnótico... Amei!!!
Beijos
é isso.
e vamos vivendo presos em nossas catedrais diversas.
versos muito bem pensados e coerentes. parágrafos inteligentes.
bom post lauro!
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