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Casou-se cedo demais. Não teve tempo de espalhar mais filhos pelo mundo. Ficou nos oito. Mais os três legítimos da oficial. Não ganhava bem. Aposentado. E ainda tinha que dividir o mísero salário com a turma toda. Os piores eram os mais novos com suas exigências chorosas e inquietantes. Bem antes do fim do mês já estava duro. Um dia caiu nas mãos do agiota e nunca mais saiu de lá. Já era íntimo. Frequentava tanto sua casa, que pegou o hábito de levar biscoitos nos finais das tardes. O agiota preparava um café forte e eles conversavam sem parar. No final, saía com o seu cheque emprestado. E assim viveu. Não acreditava nessa história de loteria. Quando muito, já havia arriscado a sorte no jogo do bicho. A idade pesou. A preocupação com seus herdeiros miseráveis o fez cair na lábia de um vendedor de seguros. Uma apólice altíssima. Somou tudo que ganhou em toda a sua vida, e não chegou nem perto. Foi em frente. A manteve escondida. Segredo de estado descoberto por sua mulher. O casamento já não ía nada bem. Sexo nem pensar. Sua mulher já trazia no corpo as marcas de uma vida exausta e ridícula. Começou a ter sonhos de riqueza. Ela não tirou mais o valor da apólice de sua cabeça. Via seu marido apenas como um prazo para a sua virada total. Ele estranhou a mudança de comportamento. Estava mais amável. Ela acreditava que com um vida tranquila e com menos remédios, ele iria cantar pra subir muito mais rápido. Mas não foi o que aconteceu. O aposentado ficou esperto. Aderiu às balinhas azuis e não dava mais sossego para sua mulher. Ela não tinha mais tempo nem para sonhar. Sentiu o risco que corria. Talvez empacotasse primeiro que ele se continuasse naquele ritmo. Levantou uma manhã determinada a por fim naquela história. Fez o café gostoso do marido. Torradas com menteiga do jeito que ele adorava. Frutas. E bolo, não podia faltar um bolinho para alegrar seu bilhete premiado. Sentou-se à mesa com sua mulher e detonou o presente. Levantou-se para buscar mais leite na geladeira. Abriu a porta. Deixou a garrafa do leite despencar. Estrebuchou com as mãos na barriga e caiu. A mais nova ricaça do pedaço comprou uma rede de Postos de Gasolina, internou os menores em um colégio na Europa e passou a viver em uma praia do Caribe.
tags: Boa Vista RR textos-ficcao roraima boa-vista contos ficcao historias literatura
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Marcelo que conto....hahahaha
Ficou muito bom, muito bem escrito num ritmo agradável sem muito rodeio, direto ao ponto!
Muito legal mesmo, parabéns!!!!!!
abraços (ainda às gargalhadas)
Cristiano Melo · Brasília (DF) · 15/7/2008 13:59
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votos e abraços
Cristiano Melo · Brasília (DF) · 17/7/2008 11:20
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Ôpa, Cristiano!
Muito obrigado pela leitura e pelo voto. Fiquei muito feliz com suas risadas.
Abração
Marcelo Perez · Boa Vista (RR) · 17/7/2008 13:48
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meus votos!
beijo no coração!
celina vasques · Manaus (AM) · 17/7/2008 17:53
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belo texto,poeta.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 17/7/2008 22:22
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Marcelo, legal, gostei.
Só acho que a causa mortis foi a fuga da rotina.
Beijo.
Sônia Brandão · Bauru (SP) · 18/7/2008 00:10
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Meio dramático e fatal mas bem elaborado e porque não, real?
Um grande abraço amigo. jbconrado
ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 18/7/2008 19:21
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Obrigado, pessoal, pela leitura e votos. Vou pasar lá sim, Wellington.
Abração
Marcelo Perez · Boa Vista (RR) · 21/7/2008 11:17
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