Celenterados
A américa enferma apalpava os enfermeiros
Com o negrume dos olhos
Naqueles tempos um espelho ou uma lata valiam ouro
E prata
A latitude não mudou
Mudaram os doentes
Não a doença
Negocia-se com a discórdia
Embriaga-se com a miséria
Vai-se adiante:
Enterra-se sonhos e sinas
Vende-se matéria prima
Corrompe-se nossa artéria
Festeja-se com drogas
Mas não há aquela que cure o mal
Tudo é paliativo
A própria peste é sazonal
Já se tem a fórmula
Não interessa o antídoto
O que insiste em bater são estampidos no meu ouvido:
Essa história já conheço
Isso não é novidade
Já sei até como termina
Fulana é a assassina
Ela matou Odete Roitman.
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