TEREZA:-Tá mais mansa é? Tem uma semana que tento entrar aqui, ocê num deixa.O jeito, foi mandar a comida e esperar.
Quanta coisa suja.Tem uma pia ali no banheiro.
Podia pelo menos lavar os copos.
ELVIRA:-Desculpe-me! Tenho tido muito pouco tempo.A leitura me arrodia o tempo todo.
TEREZA:-Pelo menos isto clarea as idéias.Imagina na sua casa como é.A cozinha deve ser um lixão só.Baratas também descem aqui.Sem contar os ratos do tamanho de um tanque de guerra.
ELVIRA:- Tem aqui(Abri a bíblia e lê),Daniel na cova dos leões.O rei ficou muito preocupado com a prisão de Daniel na cova dos leões.Até,até hein! Rezou à Deus para livra-lo das garras dos leões.
TEREZA:-(Arranca a bíblia das mãos dela) Em que canto tá isto aqui?Mentirosa! Pra nós é orar,não rezar.Vai aprendendo.
(Vai folheando a bíblia)
ELVIRA:-Aprendeu a ler é?Dizem que depois de velha, arara não aprende língua.
TEREZA:-Sei ler sim.Sei muito bem ajuntar as letras.
ELVIRA:-De cabeça pra baixo?
TEREZA:-(Ela vira a bíblia)Está cega é? Aonde tá de cabeça pra baixo aqui?Tem catarata nos olhos,só pode.
ELVIRA:-Joãozinho me contou o que fazia antes de virar evangélica.
Já foi até na cidade.Lá aonde eu moro! Um dia passou por aqui um jovem numa moto.Você empirucou na garupa dele e foi lá pra cidade. Sem contar que era conhecida como a afilhada do coronel.Sabe muito bem o que significa afilhada do coronel.A
pretendida,a escolhida do coronel.E na igreja,ninguém conhece melhor o funcionamento dela do que a Tereza.Era beata sim! aqui minha irmã,quase todos os homens passou por debaixo da sua saia.Agora é o que é.
TEREZA:-(Senta na cama) Deixa eu catar piolho na sua cabeça.Credo,que cabelo crespo.Tem de ser penteado todo dia,descuidada! Vou lhe contar um segredo.Mas,que fique só entre nós duas.Nem a mãe,nem o pai pode saber tá! Ontem,me vesti...aquela saia que a mãe não gosta que visto.Pus a calcinha vermelha,fui à missa.Sentei bem no banco da frente.Na hora que o padre subiu a hóstia abri as pernas mostrando a calcinha.Quase que o padre dexou,o cálice cair.No fim da missa,me disse:-Quero ver a senhorita na sácristia.Fui,ele estava só de batina.Pegou a minha mão,enfiou-a em baixo da sua batina.Estava sem nada por baixo.A minha mão tocou naquilo...naquilo,cê sabe! Sabe como é o padre Eusebio.Aqui todo mundo sabe tudo,mas ninguém diz nada.Naquela hora, uma beata entrou pra pegar umas coisas.Não viu nada.Também nada perguntou,ou fingiu não ver.O resto,cê pode imaginar.Segredo só nosso.(Ela se levanta) Não conta nada pra ninguém. Neste quarto,a gente pode esconder as coisas.
Nem da rua,nem de lugar nenhum,podem ver aqui.Embaixo desta janela.É só o rio que passa.Me espere aí,vou lavar o rosto.
Não sai,a mãe fez a comida que ocê gosta.
(Entra no banheiro,com isto Elvira aproveita e sai de fininho.Descalço só de camisola)
Estamos chegando!
Camucellli
Qualquer hora preciso ler isto tudo na sequência.
Como são diálogos a gente fica meio perdido.
Um abraço
E vamos chegando?
Eu já estou aqui para a próxima cena.
beijos meu querido.
CENA III
camuccelli · Rio de Janeiro (RJ) ·
Parabéns Amigo.
Transcrevendo com fidelidade o cotidiano do nosso povo em suas lutas para melhorar a vida.
Muita realidade e magia no expressar.
Parabéns.
Abracáo Amigo
Camucelli,
Parabéns pelo seu inquestionável talento.
Abraços
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