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CENA VIII

1
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ
8/1/2009 · 204 · 14
 


(No bolso da camisa,Luiz encontra uma carta.Ao som do BOLERO DE RAVEL,começa a ler). É,a vida toma rumos que a gente não percebe,ou nunca imagina.Quem imaginaria que ontem,ou a alguns minutos atrás,eu comia a minha última refeição.A vida é assim! Num minuto,tudo cai,a vida vira,e a gente morre.Quem imaginaria que num teste para um trabalho efetivado fosse dar no que deu?Não sei se por mim,ou...os comprimidos começam a me deixar sem opção.A casa...a nossa casa,você vai gostar de lá.Que rua tranquila é aquela rua!A preciosidade do patrão criou asas...sumiu!!Não culpo eu, nem culpo o Luiz.Não me pergunte quem foi.A culpa é da nossa falta de tato,não admistramos bem a propriedade alheia.Fomos chamados para tomar conta dos bens...nem fomos contratados. É a fase das primeiras semanas da esperiência.Foram as nossas primeiras noites.Que noites!!Estou indo,comigo a culpa vai...O Luiz? O Luiz fica livre da pressão,e da incapacidade de servir. Diz que escrevi a verdade,o... ele não,nunca entenderá.Pra semente nascer,a semente tem que morrer.A gente nada leva daqui,mas fica...os zumbidos na cabeça...é estranho! O corpo pesa...começa um formigamento. Não queria ficar no esquecimento...ninguém espera a hora,e eu estou fazeno a minha! coação?...É,coação! Entende? Tem motivo? Motivos sempre tem,e um abismo leva a outro abismo...A mão não consegue segurar a caneta com firmeza...é a hora do descanso do guerreiro.( Luiz coloca as mãos no rosto) Me dei tão pouco...e...tanto sacríficio por tão pouca coisa.A gente é pó,volta ao pó...é a hora do descanso mesmo.Aproveite bem a sua nova casa.
LUIZ:-Desgraçado! (Remexe os bolsos) Nenhum comprimido.Egoísta! Quem vai acreditar numa coisa assim? Ninguém vai acreditar em mim..(Luiz sai da sala.Entra pela porta que está aberta.Volta com uma corda amarrada no pescoço.Nas mãos trás uma cadeira.Coloca a cadeira debaixo de uma viga de aço que se sustentava na parede perto de uma entrada bem pequena,por onde os raios do sol entrava.Sobe na cadeira.Joga a corda sobre a viga de aço.Fica nas pontas dos dedos.É um a dificuldade ardida,doida.Quando percebe que não suporta mais,se joga empurrando a cadeira para o lado.Fica ali dependurado o corpo a balançar. Ja é o outro dia.Ouvi-se assovios,ranger de portas.Chaves entrando em fechaduras.Um foco de luz ilumina um homem que entra com um molho de chaves nas mãos.Em baixo do braço,um pequeno baú.
SAMIR:- Que escuridão!( Ele ainda não vê os corpos) Que silêncio! Os dois dorme com certeza.Não tem barulho nenhum.Pra o Senhor ver Alá,nem bem passou pelo teste,já estão dormindo no serviço.Olhei no quarto do corredor,lá não tem ninguém.Aqui também,não vejo.Ah não ser...(Para pasmo quando se depara com o corpo esticado de Lúcio) é disso que estou falando,dorme igual a uma pedra.(Vai balançá-lo,quando vê o corpo de Luiz dependurado a balançar) E isso agora?(Olha um, olha o outro.Deixa de sacudir Lúcio.Aí vê a carta.Pega-a lê.) Viu o que fez você pra nós Alá? ah Alá! Pra que uma coisa desta?Com tanto aconteceimento Nós tinha esqucido os coitados aqui.Nós nunca ia imaginar uma coisa assim.O senhor sabe que antes de confirmar o empregado,nós põe a prova.Mostra todo o nosso patrimônio pro candidato.Fala pra ele que tem de olhar de vez em quando tudo que tem lá dentro.Aí nós vem pela entrada secreta.Pego o objeto que não pode ser roubado.Se no dia seguinte o candidato conta pra nós que sumiu alguma coisa.Está assustado.Este é um bom empregado.Se não conta,este nós não quer.É um mal empregado.Nós precisa de gente de confiança.Nós não podia imaginar que fosse ter esse fim.(Samir passa a mão na cabeça.Olha pra um e para o outro.Rasga a carta em pedacinhos,coloca na boca e mastiga.Depois cospe no chão).Agora nós tem de chamar as famílias.Eles toma as providências.. esses dois...o jeito é chamar a familia mesmo.O Senhor põe nós em cada enrascada! (O BOLERO DE RAVEL AUMENTA ATÉ O FIM)

FIM.

Sobre a obra

Vamos tentar entender.
Samir que recebeu a incubencia de guardar o dinheiro da dona Aser.Teve lá seus momentos de solidão,tristeza,e não cedeu às adversidades.Guardou o dinheiro como se esse seu fosse.
Lúcio e Luiz,não tiveram a mesma sorte.Ao invéz de parar,pensar,procurar entender o que estava errado.Preferiram se degradear.Se tivesse pensado,talvez conseguisse ter um fim melhor.
Samir,por ser fiel bom colaborador--Apezar do mau humor--permaneceu irredutivo.Foi recompensado.
Lúcio e luiz que fizeram tudo com relaxamento e indisciplina.Foram punidos--O sálario do pecado é a morte-- Aqui,a morte representa perda de um novo emprego.Degredo e repovação no quisito atenção e cuidados.Não tomaram conta do que lhes f
PECADO: Relaxamento,indisciplina,desobediência,falta de solidariedade,e disperção.Não é bom cuidar das nossas obrigações com desleixo e relaxamento.A responsabilidade deve ser encarada com seriedade e dedicação.

SOLDO E SOMBRAS
CENAS II III IV V VI V

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Autoria
Camuccelli

O autor é membro da (SBAT) SOCIEDADE BRASILEIRA DE AUTORES TEATRAIS.
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graça grauna
 

Votos e bjos de luz

graça grauna · Recife, PE 8/1/2009 10:46
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

uma continuação magnífica, gosto muito como coloca as falas e a sua maneira de expressar , um grande abraço.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 8/1/2009 14:40
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alcanu
 

Cheio de simbolismo e o requinte de nos apresentar uma linguagem do jeito que Samir e os demais devem mesmo falar...
Sensacional !
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 8/1/2009 14:59
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raphaelreys
 

Bem recheada de simbolismos e psiquismos próprios da sua narrativa. Beleza meu caro, logo, logo teremos um romance! Votos e abraços!

raphaelreys · Montes Claros, MG 8/1/2009 15:44
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joe_brazuca
 

Com o Bolero, publicado !
Muito Bom !abs

joe_brazuca · São Paulo, SP 8/1/2009 16:02
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Marcos Pontes
 

Valeu a pena acompanhar o desenrolar da história. Desenvolveu bem, fechou bem. Se você se der ao trabalho de burilar, enxertar sub-histórias, enriquecer o conteúdo, dará um belo livro.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 8/1/2009 16:30
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nina araújo
 

Muito bom!! Parabéns!!
Saudações poéticas amigo talentoso!

nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 8/1/2009 21:39
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Falcão S.R
 

Camuccelli,

Obrigado por ter nos proporcionado esses momentos mágicos de pura emoção.

Sucesso sempre!

Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2009 05:05
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Vinícius Motta
 

Grande final para um grande trabalho.
Pena a gente ter que se despedir desses personagens tão ricos, tão cheios de vida e encanto.

Parabéns.

Votado

Vinícius Motta · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2009 17:36
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clara arruda
 

achei maravilhoso o desfecho.Um grande beijo meu querido amigo.Logo irei montar todos os meus capitulos.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2009 20:03
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Raiblue
 

Foi o capítulo que mais gostei de ler!
Em certo smomentos muito poético!!!!

Concordo com o Marcos, poderia dar um belo çivro!Pense nisso,querido, Camuccelli!!!

Parabéns!!!
beijos azuis
Blue

Raiblue · Salvador, BA 10/1/2009 12:44
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Raiblue
 

Foi o capítulo que mais gostei de ler!
Em certo smomentos muito poético!!!!

Concordo com o Marcos, poderia dar um belo livro!
Pense nisso,querido, Camuccelli!!!

Parabéns!!!
beijos azuis
Blue

Raiblue · Salvador, BA 10/1/2009 12:45
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azuirfilho
 

camuccelli · Rio de Janeiro (RJ)
CENA VIII

...O sálario do pecado é a morte...

...PECADO: Relaxamento,indisciplina,desobediência,falta de solidariedade,e disperção.Não é bom cuidar das nossas obrigações com desleixo e relaxamento.A responsabilidade deve ser encarada com seriedade e dedicação...

Amigo Poeta Um belo texto, cheio de ensinamentos.
Teatro realmente é um poderoso instrumento Educador.
Todos lugares tem de haver grupos organizados e fazerem trabalhos comunitários com teatro para elevar e evoluir sempre.
Parabéns.
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 12/1/2009 17:18
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Doroni Hilgenberg
 

belo desenrolar da história.
todo o pecado pesa na consciencia.
belo exemplo!
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 16/1/2009 18:51
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