A catarse da nossa agonia
Na noite anterior
Impediu que meus olhos se fechassem
Por qualquer pouco segundo.
Confesso que apenas quando lembrava de você
E pensava no que poderíamos fazer
Raptava-me algumas piscadelas
Seguidas de leves mordidas
No meu lábio inferior.
Caro,
O amanhecer fez com que eu quisesse retomar
As cartas que havíamos trocado
Durante aquela epifania e lucidez
Que só se materializou em mais de cinco anos.
Quero o toque, conversas adultas, olhos nos olhos, paz.
O que nunca dissemos, quero,
Agora poder dizer.
O malvado, o suspiro, o arrepio, o frio...
Que acabe, permaneça, perdure e me aqueça
Tal que eu saia de mim e encontre o além
Faça do teu corpo o meu lençol
Quando descubro que quero mais que um mol
Tua dominação por osmose.
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