CHALEIRA DE FERRO
Domingo de maio perambulando pela feira livre olhava as pessoas quando me deparei com ela, aliás, parece que fui atraída, foi como se me esperasse ali naquele momento: uma velha chaleira de ferro, preta e grossa de carvão. Depois de especular um pouco, por um preço razoável ela se tornou minha.
Já em casa, coloquei-a em cima da mesa e fiquei admirando suas formas; imponente com seu bico altivo parecia querer dizer algo...
Fui entrando na vida da chaleira ou pelo menos tentando... Onde ela viveu? Quantas pessoas beberam água fervida nela?
O ferro de sua estrutura guarda segredos de pé-de-fogão e por sua aparência creio que há muitas décadas...
Como se voltasse no tempo me vem a lembrança de infância, imagens congeladas de muitas manhãs: o fogo aceso trepidando e a chaleira de ferro com água borbulhando...
Sentada no rabo do fogão com queixo nos joelhos atenta esperava o café que minha fazia conversando comigo. Um cheiro gostoso exalava no ar quando a chaleira entornava no bule, e o café estava pronto para alegria da meninada.
A chaleira continuava sempre cheia de água fervendo para o almoço, para o lanche e para o jantar. O fogo em brasas conservava a água quente pela noite a fora... Parece que a vida era eterna e tudo era mágico, tinha um toque de fantasia e a vida era feita de pequenas coisas tão grandes, só agora sei.
Diante da imagem da chaleira continuo sentindo o calor daqueles dias, sua imagem de ferro guarda muitas histórias e sentimentos que fluem trazendo doces saudades...
A vida da chaleira é cheia de histórias... A chaleira da minha mãe, essa que está à minha frente e de tantas outras chaleiras pelo mundo a fora. É como se um objeto pudesse guardar misteriosamente dentro de si memórias que vêm à tona tão claramente diante de uma simples observação.
Essa chaleira agora faz parte do escritório junto de meus velhos livros. Passo o dia perto dela e sei que está guardando outras histórias, armazenando tudo para daqui a muitos anos, talvez séculos, mesmo que já desgastada, quando alguém a observar de perto, ela contará a esse alguém histórias como me contou e que trarão de volta um tempo humano e eterno.
Quando criança minha mãe usava a chaleira de ferro e hoje tenho essa que comprei na feira livre e me encanto sempre com ela.
Uma graça, Sinvaline. Tantos objetos guardam verdadeiras auras, não é mesmo. Não é à toa que você coloca a chaleira ao lado dos velhos livros. Abs
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/8/2008 15:16
Sinvaline
Lembrei de minha avó que tinha algumas dessas, como também o ferro de passar e o lustrador de asoalho...Penso também nestas coisas, no tempo que se conversava na cozinha, no fogão a lenha conversando com a família, vizinhos...Hoje nem por telefone conversamos, nos tornando tão individualistas sem o calor sequer de uma chaleira, a frente de um computador...hoje nada é de pureza ,mágico...
bela lembrança...não há quem não se emocione...ab
Sinvaline, neste pouco tempo de convivencia tenho me sentido um felizardo por ter sua amizade e poder ouvir historias e causos que vc me conta, tenho certeza que essa chaleira terá muitas histórias, ricas e belas como as que você me conta.
Bjos, do "veio"
Sinvaline,
Ah, que saudades, fogão a lenha, chaleira, ferro, inverno, pinhão na chapa, histórias... Que vida!!!
Bjssss
Lindas as suas lembranças!
Essa ambientação é um pouco minha, da minha mãe, avó.
O mesmo bem-querer tenho com os bules esmaltados.
Sucesso e paz. Votando.
Walnizia
Helena que graça é o seu comentário, obrigada. Cintia como mudam os hábitos, a gente se torna refém do desenvolvimento e ficam só as boa lembranças, beijos
obrigada a vcs
Vinicius seu comentário me incentiva a escrever mais "causos", obrigada por te-lo como companheiro de trabalho e amigo, você é um menino grande!
bjs
Sinvaline
Doroni sou doida pra conhecer Manaus, logo irei aí. Viu sobre o curandeiro dai? www.overmundo.com.br/overblog/paje-curandeiro-kisibi-kumu.
Saudades do fogão, do cheiro da terra, de tudo... muita saudade temos.. então vamos registrar essas emoçoes, que tal?
bjs e obrigada
sinvaline
Walnizia obrigada, os bules , as bacias, os cestos e tudo o mais voce pode ver aqui em Uruaçu que é tão perto de Brasilia, no Memorial Serra da Mesa, veja www.overmundo.com.br/overblog/memorial-serra-da-mesa
Grande beijo
Sinvaline
Sinva, deu uma saudade do fogão de lenha, do caldeirão cozinhando feijão...a chaleira. ai, quanta lembrança desfilou em minha memória. Muita sensibilidade sua, extrair recordações de chaleira. Lindo!. Votado.
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 16/8/2008 15:43
Sinvaline · Uruaçu (GO)
CHALEIRA DE FERRO
Um Texto lindo.
verdadeira Poesia que nos faz mais ainda admirar e amar cada chaleira da nossa vida.
Um Trabalho desse nos lembra de tantas coisas que fazem a vida valer a pena sempre.\
Parabéns
Abração Amigo
Parece que a vida era eterna e tudo era mágico, tinha um toque de fantasia e a vida era feita de pequenas coisas tão grandes,
"A vida toda eu vou falar uai uai, a vida toda eu vou falar ocê, assim falava meu avô meu pai, sou caipira logo já se vê..."
Essa chaleira também é boa de causo né! Deve ser por isso que, vc a quiz; é pra ter com quer conversar. Prá ter com quem recordar as noites no rabo do fogão, ouvindo as histórias de assombração, sentindo o "cheirin" gostoso do café.
Esses dias ganhei da minha tia a chaleira que era de minha avó. Todas elas são assim "conversadeiras", a minha tb não pára de me trazer lembranças perdidas, e essas lembranças têm me feito muito bem. Aplaca um pouco a saudade dos velhos tempos.
Um forte abraço minha amiga e mais uma vez parabéns pelo texto.
Amei este conto.Enquanto o lia minha imaginação fluia com as suas palavras. Parabéns!!!
Neiry Celestino · Goiânia, GO 23/8/2008 18:56
Um texto e tanto.
Atiçou a memória de muita gente e saudades também.
Abraços,
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