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Primeiro fomos à papelaria comprar estrelinhas pequenas, purpurinas de todas as cores, cartolina rosa, claro. Pincel, cola branca, tesoura rosa, claro, e um pacote de massinha e um estojo de pilot fininho e colorido. Ela falou: o meu é o rosa. E adesivos de Cinderela, Branca de Neve, Yasmin e outras nobrezas. Ela segurou o pacote com responsabilidade. Fomos à padaria. Compramos brioche e polenguinho e um suquinho de morango. “A gente pode comprar uma coisa doce?”. Pode, claro.
Em casa, tirei da mesa da cozinha o liquidificador, o porta-talheres, o jogo americano, o espremedor de frutas, a garrafa de vinho, a lata de espaguete e armei o set up de brincar, com tudo o que tínhamos comprado. Desenhamos um rei e sua rainha grávida, e um bercinho com um bebê, enquanto inventávamos a história da vida deles. Escolhemos um nome comprido para a princesinha deitada no berço: Julia Letícia Giovana Marina Andréa Angèle Fátima Bruna e o dela, Thereza.
Cortei uma estrela grande na cartolina rosa, colei num palito de churrasco, grudei aquela purpurina rosa e a furta cor. Colei estrelinhas coloridas e deixamos secar, enquanto comíamos pãozinho com polenguinho e mel e chá de morango. Esquecemos de comer o doce. A varinha de condão estava pronta, a cola seca, as estrelas e a purpurina coladinhas. Depois recortamos bonequinhos de mãos dadas e colocamos purpurina neles. A purpurina era pulverizada pelo chão, as estrelinhas eram derrubadas do potinho, o tempo todo. O chão da cozinha brilhava colorido e mágico. Pisávamos nos astros, distraídas e felizes.
Misturamos massinha com estrelas e purpurina e fizemos pedrinhas preciosas de todas as cores. Colamos as princesas, os príncipes e a roca de fiar pela casa. Ouvimos música de criança e de adulto. Ela gostou de todas. Regeu nossa pequena orquestra, dirigiu nosso teatrinho, comeu sardinha em lata com a mão, e adorou, limpou a mão de sardinha no braço do sofá branco, ficou de castigo, chorou. Passou rápido. Sentou no chão pra brincar, serviu leite, café, biscoitos imaginários e mamadeiras em vidros de xampu. Disse que não ia embora pra casa nunca mais. Chorou de sono, resmungou e pediu colo. Foi.
Quando ela saiu, peguei a vassoura e varri estrelas.
sobre a obra
cronica sobre uma tarde encantadora com uma criança de quatro anos
tags: Rio de Janeiro RJ textos-nao-ficcao
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bonito o texto.vote.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 25/7/2008 16:15
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As crianças com o seu mundo mágico brinca com as estrelas. A alma está pura pela origem e vaga na imensidãso da fantasia e dos sonhos, daí o dito de Calçderon de La Barca:a vida, sonhos são?. Beleza de tarde minha cara Andrfea! Parabéns pela sensibilidade!
raphaelreys · Montes Claros (MG) · 26/7/2008 07:41
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"Quando ela saiu, peguei a vassoura e varri estrelas. "
Eu creio que vc tinha muitas pra juntar Andrea,algumas delas nos tocaram!!!Parabéns pelo texto lindo.Abraçose votos.Nina.
nina araújo · Rio de Janeiro (RJ) · 26/7/2008 14:59
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Andrea,
belo texto
Hoje, com esta vida atribulada, são poucas as mães que tem tempo disponivel para seus filhos. e nessa idade, as crianças são encantamento, magia e estrelas.
bjsssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 26/7/2008 17:14
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coisas cotidianas, que bancana, adorei, mais um voto pra ti. equivalente a 3 overs.
andré luiz rocha · Chapadão do Sul (MS) · 31/7/2008 12:01
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Que encanto seu texto! Me deu uma sensação de domingo. Sabe aqueles fins de semana que aparece alguém que você a muito não compartilha felicidades reais e ai você tenta viver tudo naqueles poucos dias que sempre acabam rápido e geralmente em domingos a tarde, depois do almoço? Ai você leva embora ao aeroporto, rodoviária, onde for... então chora de alegria e tristeza enquanto varre os vestígios que aquela presença deixou na expectativa de uma próxima vez que pode demorar muito. Saudade é isso, é seu texto, e seu texto é lindo! Ele também lembra as histórias de Monteiro. Beijos, voltarei sempre!
Fabrício Costa · Vitória (ES) · 11/8/2008 13:46
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