CICONIA

1
Brida · Salvador, BA
12/7/2008 · 126 · 17
 

Não sei como desceu a noite em meu caminho
Sobrevoava, pleno dia, os arrozais serenos ondeando ao vento, absorto com o meu vôo, vendo a latitude de minhas asas dilatando-se ao vento leste, suportando minha envergadura de mais de dois metros – que me pesam quando ando pelas veredas que dão acesso aos arrozais. Sou como qualquer cegonha e não tenho a menor intenção de diferir da minha espécie. Minha morfologia externa apresenta os bicos e as patas de cor vermelha e compridos, cada qual a seu modo, o pescoço é longo e de cor branca como o restante da plumagem, com exceção das pontas das asas, que exibem plumagem negra. Minhas penas, na parte frontal do pescoço, apresentam-se já um pouco alongadas, pois sou um animal de idade avançada. Como estou me dirigindo a vós, humanos, posso dizer-vos que minha idade medeia os vossos sessenta anos.
Comi meus peixes ainda hoje, quando despontou o sol — carregado de vapores úmidos, catei alguns insetos. Divisei numa touceira de galhos ainda verdes, recém-cortados por mão humana, um pequeno fruto entre encarnado e róseo que eu nunca tinha visto antes nestas paragens onde a vida se repete igual e pacífica ano após ano. Sua carne tenra me despertou um sabor indescritível, síntese de oitenta e oito sabores — pelo que pude aperceber, pois tenho o hábito de deixar os alimentos repousados na parte central do meu aparelho gustativo por vários segundos, para memorizar cada informação separadamente. Isso é uma característica minha, particular, apesar de minha voracidade habitual. Desprezei qualquer outro alimento, embora ainda estivesse faminto (acordo com uma fome imensa), para não me esquecer daquele gosto. Assim, quando eu estivesse na solidão do vôo planado, poderia pensar no sabor do fruto tenro e suculento e ganhar forças para continuar a carregar esse corpo pesado que é o meu pelos espaços afora.
Foi por causa desse pitéu que hoje mais do que nunca estalei o bico, glotorei — assim é minha voz, às vezes, glotorada, produzida pela língua (para quem não sabe) — inclinando minha cabeça para trás até tocar as costas, ficando o bico quase paralelo com meu dorso — o que me encheu de deleite. De fato, essa é a melhor versão de minha alma andaluza, pois quando faço isto, o som é o de castanholas. Origino sons de intensidade e tons diferentes, consoante o ambiente, inclinando minha cabeça para trás. Quando jovem, só emitia um som rouco, lembrando a respiração dos asmáticos, apesar do tom mais grave. Nessa época, eu quase não descansava, permanecia em pé sobre uma pata, encolhia a cabeça e colocava o bico entre as penas do pescoço, repousando sobre os sacos de ar que me invadiam a pele, e ainda invadem, pois é da minha espécie essa virtude.
Agora vôo dificultoso, pesado, pois não comparecem ao meu redor nem à minha frente, nem mesmo às minhas costas, correntes de ar ascendentes. Quando as há, posso planar, e vós podereis me contemplar em vôo planado, aproveitando perfeitamente as correntes de ar, iludindo-me quanto à facilidade do meu vôo, e vos iludindo, principalmente — aos que dentre vós se detêm na minha elegância e facilidade de planar — o que muito me agrada.
Aliás, a imagem que transmito para o exterior, vós incluídos, é soberba. Sou imponente, audaz, atiçado, possuo um olhar que não é típico à minha espécie, dito de lince pela sua acuidade. Com esse olhar percorro o mundo e me aproprio dos recantos mais prazerosos dos arrozais onde me alojo há tantos anos, e ingresso na volúpia do que me é estranho, antevendo, nessa vertigem, o prazer das coisas que poderão revelar seu lado oculto — pela primeira vez — a mim. Essas conquistas me enchem de entusiasmo diante dos vôos por virem, mesmo se dificultosos e acidentados. Hoje ainda, antes de levantar vôo, executei movimentos enérgicos, levantei as asas contra o vento ao iniciar — pois estava em terreno plano. As planícies são aterradoras para mim, com seu estirão horizontal de todos os lados obsidiando minhas sensações de melancolia. Infelizmente, cada vez mais os planos altos são erodidos pelo tempo e o vento ou pela ação predadora das mãos de muitos dos vossos.
E o esforço de levantar vôo decuplica-se. Por isso, hoje ainda, bati as asas umas três ou quatro vezes, como é de praxe, e não pude alçar vôo. Tive de repetir várias vezes a mesma ação, o que me custou várias penas e alguns vasos partidos, que ainda sangram se agito as asas. Mas me postei sempre contra o vento e, com uma forte impulsão de patas, iniciei o longo vôo planado no qual ainda me encontro. É verdade que prefiro alçar vôo fora do ninho. Quando me atiro da altura do meu ninho, tenho que impulsionar as patas com força excessiva e fico meio nauseado com a altura imediata inserida no início do meu dia.
O fato é que, hoje, quando desci para repousar numa ponta escarpada de montanha, não tive tempo de circular a área de pouso — como costumo fazer — nem de situar-me contra o vento, e quando desci inclinei as patas ligeiramente para frente, e as asas para cima, de modo a atuarem como travões aerodinâmicos, mas pousei sem querer por algum tempo e tive de recomeçar tudo. Estou muito cansado. Fico, em momentos assim, desejando voltar a meu ninho, por cansativo que possa se mostrar tantas vezes. Sou, aliás, fiel ao meu ninho, que melhoro com novas camadas de ramos e de outros materiais.
Outro dia, consegui um par de calças femininas, macias, um saco de adubo, vazio, evidentemente, para forrar o ninho da melhor maneira possível. Meu ninho atual tem um metro e meio de altura e cerca de cinqüenta quilos de peso, e tenho de lavá-lo com freqüência, para que não caia, sobrecarregado de detritos.
Sou extremamente fiel à minha morada, como, aliás, todos os de minha espécie. Isso nos leva a disputas que chegam a atingir um grau de elevada violência, quanto mais com casal que pretenda nidificar no mesmo local. Já pude observar disputas dessas entre casais, e já presenciei a uma cena entre dois casais muito elucidativa do apego ao lar entre nós, cegonhas: os machos se envolveram, de tal maneira, que acabaram por cair no solo desde a altura onde se encontravam, felizmente sem conseqüências de maior, pois ambos levantaram vôo em seguida, enquanto as fêmeas continuavam a lutar no ninho, azafamadas e irritadas.
Essas disputas podem conduzir à morte! Talvez pelo alto valor que damos às uniões, por todo o empenho e zelo com que cercamos nossos ritos de acasalamento: há praxes introdutórias complexas, repetidas várias vezes, em que dois parceiros parecem cuidar um da penagem do outro, curvam o pescoço para trás até encostarem a cabeça no dorso, começam a glotorar, ao mesmo tempo em que avançam o pescoço, descrevendo um arco de círculo, até posicionarem o pescoço para frente e para baixo. Aí, enlevados, permanecem no móvel intercurso, várias vezes retomado: o macho se coloca sobre a fêmea, de asas abertas, após o que ambos planam em círculos sobre o ninho num vôo alto e lento.
Então se tem de aguardar o final de março a princípio de abril para a fêmea pôr dois ou três ovos. Macho e fêmea os incubam durante trinta e três ou trinta e quatro dias, após o quê nascem as crias, completamente brancas. Se vierem a ser, por determinações genéticas, pretas, o serão quando da muda das penas, o que ocorre no segundo mês de vida. Pois é assim mesmo, os dois genitores tratam das suas crias esmeradamente. Em anos particularmente desfavoráveis temos de atirar para fora do ninho uma ou duas crias mais frágeis, para garantir a sobrevivência duma delas, a mais nívea, a mais projetada para planar de modo perfeito e contra as probabilidades. O fato é que por alturas de São João elas já voam. Há, inclusive em Salteiros, Portugal, um ditado popular, "pelo São João, cegonhas no chão" — alusão feita às crias mais renitentes em se iniciarem na arte do vôo. É que as crias são empurradas pelos genitores para fora do aconchego da forragem, porquanto se encontram prontas para baterem as asas, se as exercitarem. Levantam vôo, ainda que forçadas, e o exercício finda numa aterragem forçada. Quando isto acontece, há que esperar alguns dias, deixando a ave jovem em paz, no chão, procurando apenas protegê-la de outros animais, como os cães, pois ela acabará por voar e regressar ao ninho.
Necessitamos de prados úmidos, ricos em água, com grupos de árvores. Evitamos o caniçal e as zonas florestais, que nos impedem a visão. Distribuímo-nos pela Europa, exceção da Inglaterra, Irlanda e Escandinávia, chegando a atingir a Ãsia Ocidental, mas recentemente tudo está mudando. Por exemplo, no início dessa narrativa eu estava chegando à cidade da Bahia, na América do Sul, Brasil, onde resido desde 1983, quando os ventos me empurraram Nordeste acima.
Em julho ou agosto voam nossas crias. Nos últimos anos tem ocorrido uma permanência maior das aves em seus ninhos de nidificação, e então saímos em dezembro e nos recolhemos em setembro do ano seguinte. Nessa época, alimentamos a imaginação das crianças com a lenda da cegonha, inventada por um dos nossos, e não por um dos vossos, como se pensa geralmente.
Por que essa lenda? Porque somos aves que precisam ter seu ego fortalecido com freqüência, pois sofremos de um certo complexo de inferioridade em relação às águias, que voam bem mais alto. Então, estreitamos nossos laços convosco, sugerindo que de entre nós surgem vossas crias, como se nossas fossem, mas por portarem outras características, as vossas, as reenviamos à sua origem por meio de um vôo em que demonstramos a força e a perícia do nosso bico, carregando os bebês recém-nascidos dentro de uma cestinha tecida por nós mesmos, segura e macia.
Mas não se pense que somos essencialmente gregários: surgimos isolados após permanecermos no ninho dois dias ou três para descansar e iniciar de novo a viagem para o Norte. A maioria de nós, quando jovens, preferimos passar o verão no Sul. Ultimamente, por altura do Natal, não abandonamos mais o ninho.
Os ares estão por demais populosos de vossas máquinas. Tem havido acidentes fatais, que pensais vos serem danosos — e muitas vezes isso pode ocorrer, claro — mas, para nós, são fatais. Não nos acostumamos com essa degradação, pois há muito tempo recebemos o título de “Rainhas dos Arrozaisâ€.
Eu, que vos falo, sou um macho prestigiado em minha espécie, pois difiro de meus compatrícios. Aprendi a me comunicar convosco bem cedo, ao meu primeiro ano de vida, quando levei um bebê ao lar de um casal de artistas: ele, músico; ela, cenógrafa. Quando pousei e entrei na casa pela chaminé que mantinham limpíssima (nem uma só das minhas penas reteve qualquer fuligem), cheguei a um aposento verdadeiramente encantador.
Havia uma entrada para uma sala que era vestíbulo da mesma sala, mas em plano superior. Já desde a entrada me encantou a decoração do pequeno vestíbulo de acesso: franjas finíssimas de seda pendiam em profusão do teto em forma de sobrecéu barroco, com brilho de opalina e cetim em luz diáfana e azul. Quando ali se ingressava, logo se ouviam acordes do Cravo Bem Temperado, de Bach.
Passando-se à sala seguinte após subir três degraus alcatifados em damasco italiano, cuja contextura era de tal modo alcochoada que não era possível pisar sem abismar-se com a maciez — que eu classificaria de “transcendenteâ€â€” na medida em que a sensação ultrapassava o plano do físico e conduzia a um patamar propriamente metafísico.
Comecei a pensar em como seria aprazível pousar ali após muitas horas de vôo, carregando corpo tão pesado. Então chegava a sala principal: uma pesada cortina barroca guarnecia a portada de acesso, com borlas de um trossard metálico, em ouro, que faiscava. O living era, na verdade, um teatro barroco em miniatura.
No palco estava disposto o cenário de uma sala, com móveis do barroco espanhol, e algumas reproduções de qualidade ímpar de algumas telas renascentistas ornavam as paredes, entre elas o Adão, de Albrecht Dürer, a Virgem da Romã e a Natividade, de Botticelli e O Último Julgamento, de Rogier van der Weyden.
Detenho-me sempre mais no pensamento da romã, no quadro da Virgem de Botticelli. Que extraordinária, a composição e seleção de cores daquele pequeno fruto, pintado há tantos séculos, e ali surgindo em matizes do rosa ao encarnado, o branco de tal modo incorporado à busca do tom preciso, que seria impossível, mesmo com poderosa lupa, divisá-lo na fusão de todas as cores, tons e subtons ali presentes, fresco, apetitoso, com o fulgor da vida ali incorporado; o talo, num verde roubado à natureza, verga-se levemente, flexível ao peso mínimo do fruto, e ali se vê a seiva percorrendo, ainda, aquela mínima parcela de vida, uma vida que pode deixar de o ser a qualquer segundo, e, no entanto, está ali inteira, e, no quadro, eternizada. É algo de poderoso demais para minha experiência de ave, ciconídea, de patas ineptas para aquele gesto.
Aprendi a amar todos esses quadros em cada detalhe, e, desde então, nos meus vôos, penso neles, um em cada dia da semana (dois no domingo, o primeiro e o último citados, e o pensamento permanente da romã entremeando todos os outros pensamentos). Desde então, parece-me, levo comigo uma parte significativa da humanidade enquanto vôo. Penso, pelo que conheço, que se a história tivesse sido suspensa ali, não se teria perdido muito em termos de percepção do mundo e da natureza humana.
Nesses meus já pesados sessenta anos venho presenciando a calamidades humanas inomináveis provocadas pelas tecnologias.
Não que eu não admire Bill Gates, por exemplo: admiro-o e muito. Ele já foi ave, em um momento de sua vida e nos encontramos, ele e eu, na solidão dos espaços infinitos, ambos assustados, como o sentiu Pascal, ambos a seu modo enfrentando o desafio da galáxia. Pois assim me sinto, responsável pela galáxia a que pertenço, profundamente responsável.
Hoje, no entanto, quando me sentia até meio eufórico ao perceber-me planando com mestria e zelo — ou serão indistinguíveis? — uma nuvem pesada surgiu à minha frente e foi-se adensando em toda a estratosfera. Fiquei atônito, pensando em que poderia eu ter feito para provocar esse cataclismo iminente.
Foi quando me vieram à ponta do bico os sabores do início do dia, os oitenta e oito sabores distintos promanados da degustação do fruto.
Revi meu momento de tentação e lembrei-me em como peguei o fruto encarnado pelas costas e hesitei um pouco em como proceder diante desse acontecimento desconhecido, mas que me fascinou de imediato: de pronto abri o bico com voracidade extrema, esmaguei-o e degluti-o, tocando, a seguir, minhas castanholas. Estava ainda degustando o fruto, quando comecei a cair vertiginosamente: caía em parafuso até que tombei sobre o solo árido do Nordeste Brasileiro.
Nada mais sentia no meu aparelho gustativo do sabor extremado e róseo do pequeno ser que comi com tanta volúpia. Só desejava pegar, matar e comer. Eu não mais possuía asas e meu bico desaparecera por completo. Meu corpo se avolumara nas extremidades e encurtara até, no máximo, 0,95m e o restante, em forma de triângulo invertido, em mais 0,80m.
Não havia mais penas em meu corpo. Era pele e pele humana.
Sou um homem só, enfrentando a longa noite de um tempo desconhecido e célere como o vento que zune em meus ouvidos desalentados. Sem asas, arrasto esse corpo desprotegido que é o meu, pelo estirão das léguas de um chão áspero e gretado.
Paro, agora, e choro.
Ao longe, uma voz jovem, de mulher, canta uma canção:

Sobre todos os cimos
há paz,
em todas as copas
quase não sentes
um sopro de vento;
os passarinhos silenciam na floresta,
— espera só um pouco — logo
tu também descansarás.


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celina vasques
 

Iniciando sua votação!!!

Belo trabalho! Parabéns!

beijo no coração

celina vasques · Manaus, AM 10/7/2008 09:16
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Nic NIlson
 

Logo tambem descansarei junto aos álamos... na floresta azul da meia noite! Adorei!

Nic NIlson · Campinas, SP 10/7/2008 14:57
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Sheila Fonseca
 

Votei!
Parabéns pelo trabalho e Boa sorte!
Eu estou com uma Mostra de Cinema na agenta Cultural, http://www.overmundo.com.br/agenda/mostra-curta-todo-brasil-traz-cinema-independente-a-camara , depois se der passa lá e vota! Beijos

Sheila Fonseca · Rio de Janeiro, RJ 10/7/2008 15:42
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Brida
 

Brida · Salvador, BA 10/7/2008 19:22
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Hideraldo Montenegro
 

Uma grande poeta, certamente conhecida sua, Maria da Conceição Paranhos, que tenho a maior admiração e carinho, me indicou esta leitura. Como esta poeta é de uma grandeza e talento excepcionais, com certeza havia algo aqui na mesma altura. Não foi surpresa ficar encantado com o que li. De uma qualidade e de uma poeticidade magnífica. Literatura como esta realmente é inspiradora. Uma obra de referência (que precisamos ler constantemente).
Fica aqui a minha admiração e o prazer (graças a Conceição que me deu este presente) de conhecer a sua obra.
Parabéns.

Hideraldo Montenegro · Recife, PE 10/7/2008 21:32
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Brida
 

Agradeço a vocês todos os comentários. Vocês são muito generosos.
Celina, já fui te visitar. Falaremos sobre sua poesia, ok?
Nic Nilson, como você é bonito!"Logo tambem descansarei junto aos álamos... na floresta azul da meia noite!", bonitíssimo.
Sheila, vou visitar sua mostra ainda hoje.
Hideraldo... Estarei lhe respondendo abaixo, profundamente agradecida por suas palavras, justo você, que faz poesia de tão alta qualidade.
Me deixaria muito feliz saber o porquê de terem gostado. Para um escritor, ouvir críticas a seu trabalho é inesgotável fonte de riquezas. Acima de tudo, em benefício do que escreve, uma via de aperfeiçoamento. Porque esta é nossa meta - aperfeiçoamento. Dos temas? Claro que não? Como se aperfeiçoam temas? Eles existem no mundo da experiência vivencial de cada cultura. Não dependem diretamente de nós. Dependem, sim, do que FAZEMOS com eles, temas. Somo fabbros, fazedores. Trabalhadores. Vamos ver o que temos para poder trabalhar e contribuir, ao fazê-lo, para com a comunidade em que nascemos, e, sucessivamente - sempre a depender do que FAZEMOS - para com o mundo, a Humanidade. Este é o nó duro do escrever. Será melhor não fazer nada, se não trabalharmos em nosso material, a ganga bruta, as palavras. Se o fizermos levianamente, serão desvios do PROJETO que é o de chegar à perfeição, que é o Ser Superior da escolha de cada um. Para mim é Deus, um deus triádico, com 3 pessoas. Outra conversa, esta, entretanto.
LÃNGUA E LINGUAGEM - nosso material bruto. Como a pedra para o escultor; as tintas para o pintor; os sons para o músico; os movimentos para o dançarino e asssim por diante. Mas nenhum de nossos companheiros de jornada possui o malfadado material que é a língua, e é a linguagem. Material impuro, onerado pelo tempo e pela história de cada palavra. Vamos pensar, por exemplo, numa palavra como "holocausto"; outra como "torres" - esta, unida a "gêmeas" - "torres gêmeas"; em "bomba", conjugada a "homem" (ex.: "homem-bomba"); em "transposição" e em "Rio São Francisco" - "transposição do Rio São Francisco", p. ex.; "povo" unida a "brasileiro" - "povo brasileiro", p. ex; "amor" - unida a "perdição" + cópula com a prep. "de" - "amor de perdição" (título, aliás, de livro de um autor portuiguês). E então? O que fazer com tais palavras?
P.S. Por intermédio de Hideraldo Montenegro passei a conhecer a escritora Maria da Conceição Paranhos, que me indicou. Fico imensamente grata a Hideraldo. Eu não a conhecia a não ser de nome, mas agora entramos em contato. Obrigada, mais uma vez, poeta pernambucano.
Beijo para cada um de vocês.
Laus Deo.

Brida · Salvador, BA 11/7/2008 02:43
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

belo trabalho excelente texto. (votei).

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 11/7/2008 10:22
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Homenino Poeta
 

Muito bom,votado,me visite,estou em edição

Homenino Poeta · Porto Alegre, RS 12/7/2008 00:54
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Doroni Hilgenberg
 

Brida. Belo conto

Não sabia da lenda e foi com satisfação que li até o final.
Bjsss e Parabéns

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 12/7/2008 00:54
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Ailuj
 

muito bom o conto,adoro lendas
publicado!

Ailuj · Niterói, RJ 12/7/2008 00:57
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Brida
 

Muito, muito grata a todos. Visitarei cada um e irei respondendo à proporção que meu tempo o permitir.
Queridas Doroni e Ailuj, não se trata de uma lenda. Tudo é ficção.
Foi lendo a vida das cegonhas, num site de Zoologia, que tudo começou. Quer dizer, em forma escrita.
Beijo para vocês.

Brida · Salvador, BA 12/7/2008 01:59
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Sérgio Franck
 

Tremendo!

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 13/7/2008 12:36
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Brida
 

Sérgio? Você entendeu Ciconia. Li alguma coisa do que você escreve. Visitei seu blog. Solitude. É isso mesmo. A danada da cegonha sabe disso tanto quanto você.
Pertencemos a uma mesma família de escritores. Você sabe disso.
Tremendo, o que você escreve.
Um beijo, bonito.

Brida · Salvador, BA 13/7/2008 15:19
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silviaraujomotta
 

Brida, Vc escreve muito bem!
Seu conto tem valor literário.Pareabéns!
Um bj
Sílvia.BHG.MG.Brasil.VOTO CERTO.

silviaraujomotta · Belo Horizonte, MG 13/7/2008 20:09
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Brida
 

Muito obrigada, Silvia. Percebe-se em você a marca inconfundível de quem encetou a missão de ensinar. Também eu sou professora. E, para mim, é isso mesmo: MISSÃO. Seja na sala de aula, seja mundo afora. Nos cabeças-duras, a gente sempre dá um jeito. Ficam zangados, não é? Mas depois entendem, crescem principalmente no espírito), e nos presenteiam com um carinho sem fim. Beijo carinhoso.

Brida · Salvador, BA 14/7/2008 13:06
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Wellington Coelho
 

Brida,
"Assim, quando eu estivesse na solidão do vôo planado, poderia pensar no sabor do fruto tenro e suculento e ganhar forças para continuar a carregar esse corpo pesado que é o meu pelos espaços afora. "Intenso. Votado.
Abração no coração

Wellington Coelho · Belo Horizonte, MG 26/7/2008 14:35
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Fausto Oliveira
 

Com indesculpável tardia, li sua Ciconia.
Perguntei-me: como já ela sabia
ser matéria outra voando o dia,
ser cegonha e mulher que cria?

Fausto Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2008 11:52
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