Perambulam por ai,
Confusos cidadãos,
Preocupados, ocupados em pensamentos,
Que os despoja do corpo, da rua, da multidão...
Corpo que prossegue autômato, solitário...
Vasculham-se lixeiras,
A cata da sobra das sobras.
Um foi assaltado e estuprado.
Onde está o assaltante?
Onde está o estuprador?
Sumiram na multidão,
Na multidão não existe ninguém.
É a cidade grande com suas regras
Que não atrasam,
Dilemas sem solução,
Sombras de outras sombras,
Acomoda em seu ventre flácido, sem atrativos,
Aqueles que lhe creditam santidade obscena,
Aqueles que não têm porque reclamar.
É você cidade suicida,
Quem me tira o sono
No pranto triste
Do menino que chora sem corpo,
Sem rosto, sem lágrimas;
Que me deixa triste, sem tristeza, por dentro...
Como chora esse menino de ninguém!
Cidade caos,
Cidade modernidade,
Cidade fatalidade,
Cidade eternidade,
Vai aos tropeços,
Aos saltos,
Acovarda-se na tempestade noturna,
Amanhece alegre sem passado,
Como a serpente que engole um bezerro,
Não explode por quê?
Suporta até a si mesma
Narcisa cretina!
Nutre-se do caos
Que te exorciza o lamento.
Segue resistindo,
Incomodando, corrompendo, matando,
Florescendo, concebendo,
Amanhece cada dia mais eterna.
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