Cinderela de Nélson Rodrigues - Parte 2

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André Soares · Joinville, SC
21/6/2014 · 0 · 0
 

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Claudete desligou sua radiola, arrumou seu coque e ia se preparando para sair, quando ouviu um ranger de porta que a intrigou.
- Quem será? - pensou. - A única visita que elas têm é o carteiro, e ele já veio de manhã.
Curiosa, Claudete se lançou para a sala de visitas, para ver quem estaria visitando suas patroas. Ao chegar, ouviu o familiar cacarejar das dentaduras soltas de Nair, a mais velha, que teimavam em dançar em sua boca quando ela tentava falar muito depressa.
- Ademar !! Meu querido sobrinho!! Que rapagão que você está!
- Nem me fale! - concordou Dagmar. - Veja como está lindo esse meu sobrinho. Puxou ao pai, logo se vê. O Peçanha sempre foi o meu irmão mais bonito.
- Tu deves ser o maior sucesso do Posto Cinco, não é, meu filho? - observou Cleide sem tirar os olhos do xale que estava tricotando.
Claudete esticou os olhos pra ver se o Ademar que chegou era o mesmo magrela que ela conheceu alguns anos atrás, quando começou a trabalhar ali. Mas, ao tentar olhar mais de perto, acabou empurrando a porta da sala com mais força do que desejava e um estrondo lançou a ela e a porta sala adentro.
Três rostos furiosos e um curioso olharam para ela ao mesmo tempo. Parecia que o tempo havia congelado. Claudete queria sumir dali. Sentiu sua face corar. Depois de alguns segundos de constrangimento, Ademar, o rapagão, quebrou o silêncio:
- Ora quem eu vejo! Claudete! Que pequena formosa que você se tornou. Como está a vida? Ainda colecionas fotonovelas?
Sem saber o que falar ou mesmo fazer, Claudete voltou correndo para a porta que lhe desmascarou. Pegou sua bolsa, conferiu o bilhete do ônibus e correu em direção ao ponto. Nunca tinha passado tanta vergonha na vida.
- O que deu nela? - perguntou Ademar, ainda desnorteado pela inesperada surpresa. Nunca achou que a burocrática visita às suas tias ia ser tão agradável.
- Não liga para ela, não. - disse Dagmar. - Não me admira se não conheça talheres, ainda mais ter modos.
- É um caso perdido. - concordou de forma lacônica Cleide, a gorda.
- Fique conosco! - pediu Nair. - Hoje eu fiz um bolo de carne que está supimpa!
Ademar observou que tia Cleide salivava, só de pensar no bolo de carne, mas o seu pensamento ainda estava em Claudete. Como pode alguém mudar tanto em tão pouco tempo? Está certo que ele não a via faziam 6 ou 7 anos, mas ela encorpou de um jeito que suas ancas ficaram proeminentes e seu busto, por debaixo do vestidinho estampado, teimavam em querer sair.
- Estou besta! - pensou.

Sobre a obra

Como seria se Nelson Rodrigues escrevesse esse clássico da literatura mundial. Uma homenagem ao grande dramaturgo brasileiro, porém sem a pretensão de conseguir ao menos ter o direito de passar suas ceroulas.

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André Soares
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