Algo aconteceu...
Mas ninguém percebeu
Ninguém viu
Que não era apenas algo.
Um menino (Francisco?) que só tem a dor,
Única coisa que lhe serviu
Para o bem e para o mal,
Não gritou:
Grunhiu.
Ninguém observou
Ou todo mundo se omitiu.
Há na ambiência sangue
E não é pouco... há muito sangue
Na lágrima e no riso.
Ferve em vermelho
A alma e o rio...
Aqui até o silêncio fala...
E o que se ouviu
É que o Brasil
Não tem jeito.
Mas o que se sentiu
É que tem jeitinho
Para deixar José pobre
E Armando mais rico.
Algo aconteceu
E ainda acontece:
João nasceu
Cresceu e sonhou
E mais que sonha com uma terra adorada
Cheia de gente amada...
Mas isso não importa
Porque aqui o sonho sempre esmorece
E tudo se esquece
Para continuar girando a roda
Da perfeita imperfeição tupiniquim
Que é boa de se olhar
Sem enxergar...
Para não admitir
Que, bem mal começou,
Já se avista na engrenagem o nosso fim...
Vinícius Motta da Costa
Resolvi mostrar desta vez aqui no Overmundo um lado mais crítico dos meus versos. Alguma coisa da crueza do cotidiano, do absurdo em que às vezes se deita o Brasil.
Para mim poesia também é isso: colocar um olhar mais duro sobre a realidade.
Nossa melhor arma é a palavra.
Por que não usá-la para mostrar o que sentimos e pensamos, não é mesmo?
Você mostra uma realidade adoçicada pela
ternura que a poesia guarda nas palavras
Meus parabens pelo texto, bj
Iniciando sua votação
Ysabella,
A votação ainda não começou não... Espero sua visita no ´sabado, quando acaba a edição ok?
Bom, você disse que a realidade acabou adocicada pela poesia. Pode até ter acontecido isso (por questões de ritmo), mas o grande lance é mostrar um ponto de vista. E a partir daí o leitor pode chegar a sua própria conclusão.
Por enquanto é isso.
Beijo.
bacana o ritmo e o tema abordado.
belo poema!
abços,
Vinícius,
Belos versos de denúncia ! Nesta nossa infinita ciranda, as coisas acontecem, mas logo as esquecem, o olhar passa rente e indiferente aos absurdos cotidianos, o grito cala, transforma-se em grunhido sem sentido, o sangue escorre e mancha os dias, o jeitinho se torna a cada dia mais banal, o imenso abismo social aumenta a cada minuto de tamanho, duplicando, triplicando a miséria, os sonhos são abortados pela terrível engrenagem, que nos tritura as esperanças...
Parabéns ! Vo(l)tarei.
Abraços poéticos
Se a poesia revela a condição humana nada mais justo do que empregar a palavra poética para alertar para as injustiças. O Velho Chico é meu amigo de infância;) vi cidades lindinhas serem inundadas pela barragem do salto do Sobradinho. estes versos merecem a lembrança destes muitos mais antigos, talvez nem tão bons quanto os seus, mas também foram versos de alerta.
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai se embora com medo de se afogar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar, também, vire sertão
Vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar, também, vire sertão
É amigo, se olha mas não se enxerga...a realidade é dura...enquanto isso esperemos o amanhã.
Aplausos.
beijo
CD,
Que isso, seus versos são muito bons. Ainda mais vindo do coração, do sentimento apertado por causa da agonia do Sâo Francisco. Este que nas suas águas carrega tanto da história do nosso Brasil... Infelizmente poucos entendem isso. Acham que podem fazer qualquer coisa com esse maravilhoso rio. Represam, desviam, reinventam o curso... Triste deamis ver isso.
Agradeço pela visita e palavras.
Gustavo e Zilka, valeu demais pelas visitas e comentários de voceês também.
Pois é Vincicius
Para uns o Brasil
pode ser sonho
Para outros não passa
de um pesadelo
Para uns poucos tudo se resolve
com um cochilo passageiro
Belo poema social o seu.
Valeu.
um abraço
As grandes reformas, começam sempre pelo intelectual, a arte é a mais poderosa e indestrutível de todas as armas.
Abraços
Enquanto nós continuarmos com a ridícula idéia de que pra tudo há um jeitinho, os Armandos vão continuar cada vez mais ricos e os Josés, pobres, sem poder dar seu jeitinho, continuarão pobres. Quem sabe um dia a Educação, transforme esse país. Gostei do seu protesto é essa a realidade!!
Abração Dete
muito bem elaborado, muito bom.depois eu volto.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 12/9/2008 16:28
Espero o não-fim,
nem de Francisco, nem de ti
nem de mim.
Abraços.
Bom, a primeira coisa que, penso, devemos perceber é como algo é dito, ou seja, em poesia não importa tanto o que se fala, mas como se fala.
Há um certo pessimismo na mensagem. O fato é que o sentido crítico do poeta vai por aí para fazer a sua crítica social, ou melhor, pelos desmandos dos governantes, apesar desta terra maravilhosa.
Sou um otimista. Acredito no ser humano, na beleza e coisa e tal.
Contudo, isto não é revelante (não tanto). O que importa aqui é a sua capacidade de construir o poema e você é muito bom nisto.
Enfim, parabéns mesmo!
ninguém viu..
o silêncio cala
o povo se omite e
a roda, roda sempre pro msm lado...
proteste Vi, proteste na forma em que suas voz é mais forte!
Fico com o Juscelino Mendes, à espera alerta do não-fim e com a atitude desacomodada do poeta desta hora.
Aglacy · Aracaju, SE 12/9/2008 19:05
Poesia é muito isso, Vinícius. O poeta, como qualquer artista, tem que se inconformar, tem que bater no que incomoda, tem que chamar a atenção para o que é injusto, tem que meter o dedo na ferida e cavucar com força até sangrar.
Poemas socias são muito bons e difíceis. Se mal feitos, tornam-se velhos, como tornaram-se os de J. G. de Araújo Jorge; mas quando bem feitos, tornam-se obras primas, como o Poema Sujo, de Ferreira Gullar.
Vinicius,
Legal esse poema critico.
Nós como poetas, temos o dom da palavra e não devemos nos omitir.
Cada verso ou texto que expõe as mazelas do nosso Brasil, já é um passo para a conscientização de muitos, e para uma possivel ajuda humanitária. Assim espero, porque sou otimista.
bjsss
Sim Vinícius,vc tem razão,a poesia tambem pode servir de alerta
Beijos
Vinicius, talvez seja esta a verdadeira função do poeta: delatar injustiças, ser a voz daqueles que não têm voz, cantar a canção dos aflitos, que não sabem cantar...
beijo
Sempre me entristeço quando a realidade invade a poesia.
Porém, os poetas são de carne e ossos e sangue e precisam traduzir sua insatisfação com o cotidiano.
Gostei muito da linguagem do poema, do ritmo e, principalmente do tema.
beijos
Vinícius, os versos são de Sá e Guarabira ;)) não são meus!
Compulsão Diária · São Paulo, SP 13/9/2008 13:27
Meus parabéns Vinícius, super profundo. Gostei muito. Tem o meu voto!
Laiana Vieira. · Santo Antônio de Jesus, BA 13/9/2008 15:47
Vinícius Motta · Rio de Janeiro (RJ)
Ciranda Tupiniquim
Ficou muito marcante e bonito.
É isso mesmo a Poesia abrange e tem todo compromisso com o que é humano, principalmente referente a Justica, Direito e o Amor.
Vocé esta corretíssimo e ganhou todo merecimento.
náo temos nunca de nos conformar de...
.... jeitinho
Para deixar José pobre
E Armando mais rico....
Parabéns.
Abracáo Amigo
Grande protesto em tons poéticos,Vi!!!
É a ciranda da omissão e a bola passando de mão em mão dos poderosos... girando sempre do mesmo lado....
Quiçá o poema mude o ritmo... inverta o giro?....
Protestar é sempre preciso!
Muito bom seu poema!!
Parabéns!
um beijinho azulzen...
Blue
O Brasil do "jeitinho". Realmente enquanto lutamos para obter as coisas, uma minoria consegue sem nenhum esforço.
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 13/9/2008 20:32
Muito bom ter a presença de todos voc~es por aqui, prestigiando esses meus versos que buscam lançar algum olhar mais reto sobre a nossa crua realidade.
Gostei demais do que disseram. Deveria na verdade responder individualmente, mas não conto com tempo para isso.
Quero dizer que esses versos não querem dizer que não sou otimista, que não me incomodo ao ter que fazer versos tão duros. Só acho que são coisas que devem ser ditas, como um poema que o Edimo postou há pouco tempo.
Devemos acreditar que o amanhã será melhor, que podemos fazer coisas para que nossa realidade evolua. Apenas não devemos esquecer que sem entender a gravidade do hoje (na verdade, uma longa reprise do passado) não iremos realmente para frente.
Bom, é isso.
Abraços e beijos.
Vinícius
Concordo com nosso querido Marcos Pontes, também é dever do poeta fazer florescer a consciência social e política, inda que seja germinada nas sementes da poesia.
Voto e beijos!
Toda a estória se quer fingir verdade. Mas a palavra é um fumo leve demais para se prender na vigente realidade. Toda a verdade aspira ser estória. Os fatos sonham ser palavra, perfumes fugindo do mundo. (Mia Couto). Isso é um motivo forte na sua termática. E é TÃO importante! Voltarei p/ votar. Beijo.
Brida · Salvador, BA 14/9/2008 11:59
Lido e votado, amigo Vinicius.
Abraços.
Carlos Magno
Problemas no pc,mas compareço com atraso.
Um beijo em seu coração.
Vinícius:
a poesia carece desse FAZER, que ao meu ver não é denuncia, mais sim um chamado de atenção. Esses dois versos "Não gritou: Grunhiu" nos remete a qualidade de ser humano que decresce em decorrência a classe (se é que posso dizer, decresce). E o que dizer desse jeito-jeitinho?...
Muito valida essa verdade-poética. Gostei por demais.
Abração
Chegando meio tarde, mas apreciando muitíssimo
o seu poema, Vinícius!
Votando e deixando um grande abraço pra você.
Oh menino, tu sabes o qto sou sincero e o quanto gosto e amo teus escritos, mas desta vez achei simplório, não simples, mas simplório... preferia tuas palavras poéticas de outrora. fico ainda com teus poemas antigos. Me perdoe!
Nic NIlson · Campinas, SP 15/9/2008 18:10
Coloque aeh o "Misterios do tempo" que é uma obra maiuscula e vai ver que estes versinhos se parecem com quem ainda esta engatinahando... Mas mesm o assim, valeu.
Nic NIlson · Campinas, SP 15/9/2008 18:14
Prontinho, meu amigo poeta!
Publicado...
Baci
Agradeço a visita e comentários de vocês.
Positivos ou negativos, todas as opiniões serão guardadas na minha cabeça visando produções futuras.
Valeu mesmo.
Olá Vinicius,
Lido, apreciado e votado.
Gostei muito do seu poema crítico.
Concordo com você quando diz que a palavra é uma de nossas armas. E que arma poderosa!
Vamos usá-la sempre.
Abraços.
Votado!
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 16/9/2008 20:11
Em revista o seu bonito texto c/
um abraço, Vonicius.
ei vinícius...muito bom o poema protesto...
abraços
Infelizmente para uma minoria privilegiada, o Brasil é a terra que jorra "Leite e Mel". Mas só para os Algozes.
Saúde e Paz. jbconrado
Lindo poema! O Brasil precisa muito que mudar. bjs
Sandrah Sagrado · São Paulo, SP 22/9/2008 18:13Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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