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Círculo Vicioso

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Bárbara "Akyra" Rocha · Belo Horizonte, MG
19/3/2009 · 51 · 7
 

As palavras são símbolos de algo que foi perdido. As palavras lembram do que não se tem mais. Mas as palavras são tudo o que se tem, tudo o que se pode exprimir, extrojetar. Então, tudo o que se tem são ruínas, restos do que foi perdido. Essa angústia perdurará para o resto da vida. E ninguém nunca está preparado.

Aquela ferida nunca vai cicatrizar totalmente. Sempre tem um momento onde alguma coisa vai rasgar tudo de novo, sangrar tudo de novo. E não tem sentido nenhum. Simplesmente acontece. Tudo intrincado entre si. Tudo sangrando.

O ideal é o equilíbrio. Nem prazer nem dor em excesso. Qualquer pequena agitação estraga toda a harmonia, toda a homogeneidade forçada. Um retorno ao zero, à menor quantidade possível.

Busca-se a vida por instinto. Mas vida é sinônimo de dinamismo. E o dinamismo é indesejável. Então busca-se a morte, que é o vazio perfeito. Não há dor para os mortos. Não há nada para os mortos. A morte é o verdadeiro nirvana. A morte é a perfeição.

A merda acontece porque não se sabe de onde ela veio e para que ela serve. As coisas melhoram quando tudo se revela. Mas não se quer saber. Aquilo tudo já foi doloroso demais, e não estava pronto para lidar. É preferível deixar todas aquelas lembranças terríveis enterradas no fundo da mente que (quase) não vem à tona.

A saída é não querer nada. Não buscar nada e, assim, não sofrer com os abalos que o dinamismo causa. Não lembrar, não procurar, não realizar.

A angústia perdura porque existe um conflito. A busca, concomitante, da vida e da morte. "Onde eu estou a morte não está; onde a morte está eu não estou." Não é possível conciliar. Isso é eterno.

As palavras são lembranças do que foi perdido. Mas as palavras são o instrumento de que se dispõe para elaborar a angústia, o luto. Assim, tudo permanece.

Sem fim, sem começo.

Sobre a obra

Sobre a pulsão de morte conforme formulada por Sigmund Freud.

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Nat. O.
 

bárbaro, bárbara! a morte é a perfeição... o vazio, a inação e o conforto de que todos parecem precisar. o maior desejo é morrer, embora continuemos lutando pela vida.

Nat. O. · São Paulo, SP 18/3/2009 11:30
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Mandrake
 

Bárbara, gostei do seu texto mas tenho alguns pontos a comentar.

Não acredito que "as palavras são tudo o que se tem, tudo o que se pode exprimir, extrojetar", acredito também na expressão artística e musical.

Você pode se comunicar através de uma música (apenas instrumental), através de uma figura ou símbolos ou até mesmo através de de gestos.

"Uma imagem vale mais que mil palavras."

Também não concordo quando escreve "tudo o que se tem são ruínas, restos do que foi perdido" porque vejo toda forma de expressão uma forma de criação, uma forma de "parir" idéias e pensamentos. Por isso não concordo com o termo ruínas mas vejo mais como "matéria prima".

A morte, nada mais é, que um processo natural. Como todas as coisas o ser humano também desaparecerá, assim como a Terra, o Sol e todos os outros corpos celestes. Não é algo para ser temido ou desejado.

Mas a morte não é a melhor solução para os altos e baixos da vida. É apenas uma fuga estéril da realidade. Acredito veementemente na mudança, "não há bem que sempre dure, nem mal que sempre ature". É natural da vida ter seus altos e baixos, crescemos e aprendemos com eles.

Não se sabe o que é amar até que se tenha perdi um amor de verdade.

Mandrake · Belo Horizonte, MG 18/3/2009 11:31
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Bárbara
 

Só lembrando que essas ideias não são exatamente minhas. São a minha interpretação da segunda teoria do aparelho psíquico formulada pro Freud (psicanálise B). É como eu entendo o dilema inconsciente do indivíduo, dividido entre duas pulsões, uma que o dirige à vida, à permanência, e a outra que o leva à extinção, ao vazio.

Obrigada por terem lido e pelos comentários!

Bárbara "Akyra" Rocha · Belo Horizonte, MG 18/3/2009 23:24
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Bárbara
 

Ah, só mais um comentário, Mandrake.
As palavras são tudo com o que se pode trabalhar na análise, por isso se diz que elas são tudo o que se tem para elaborar o luto e a angústia. Claro que na vida real nós temos outros tipos de linguagem não-verbal, mas na análise trabalha-se principalmente com palavras. E elas são, sim, símbolos de coisas que não se tem realmente na concretude. Por esse motivo podem ser chamadas de ruínas e símbolos do que foi perdido.

Fui clara?

Bárbara "Akyra" Rocha · Belo Horizonte, MG 18/3/2009 23:27
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Cláudia Campello
 

Não entrarei no merito da discussão.......rs
mas só deixando umas palavrinhas minhas aqui:

Vc escreve mtooooooo bem e é coerente.

gostei do texto.

bjssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 20/3/2009 05:28
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Jurandir Barbosa
 

eta... seria isso um motim para o suicídio coletivo?
Particularmente acredito mais no poder do olhar que no falso poder do fala. Apesar da dor opto pela busca do prazer pois minha alma pecadora se completa nesso dom divino que se chama pecar e não me refiro apenas ao físico/toque.
Alcool nunca nesse meu corpo divinalmente santo e esculpido mas se por acaso bater a vontade da morte prefiro sentar num boteco copo sujo e pedir uma cachaça e 1 pedaço de torresmo.
Não acredito que o Equilíbrio seja ideal, o equilíbrio me arremete ao que é frio e sonso assim como a harmonia pode cheirar a hipocrisia.
Mas como não entendi nada mesmo devido a minha carência de massa cinzenta pensante...
...votei!

Jurandir Barbosa · Montes Claros, MG 20/3/2009 11:26
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delen
 

Perfeito poetisa ,

As palavras são tudo , quem seriamos se não fosse elas né ? Beijosss

delen · Cotia, SP 21/3/2009 12:26
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