Coisinhas simples II

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Regina - poesia em volta · Volta Redonda, RJ
18/10/2008 · 120 · 5
 

Ela sempre gostou de meninos. Meninos que podem ficar sujos e a mãe achar normal, meninos que ficam sentados à frente da TV e ninguém pede pra estender a roupa, apagar o feijão, "atende a campainha!". Ela queria ser menino assim. Ela só queria entender porque ela e não ele. Lucas nem sabia o preço do nescau, porque era ela quem comprava quando acabava. Bendito apartamento no terceiro andar, fresquinho, mas sem elevador.

Manú:
- Só isso, mãe?
- Se eu me lembrar, te ligo no celular.

Na calçada, era a hora de se entregar às idéias mais loucas. Ia direto na padaria, pra sentir mais rápido o cheiro de pão doce com côco. As bandejas de pães estão tão à vontade que parece que tudo é de graça. Ah, nada como roubar um sonhozinho. Só de vez em quando. A última vez que fez isso, sorriu sorrateiramente para seu irmão, que resolvera ir junto por causa de uma revista de surf pra comprar no Léo. Ele dava de ombros. Quando chegava na banca, deixava-o à solta com as revistas e ficava vendo a rua com suas gentes esquisitas. Os carros, os loucos que dirigem carros.

A sua Kombi estava bem diante de seus olhos, como ontem. Só não entendia aquele cara com o jornal na cara, parado na porta do outro prédio. Será que a Kombi é dele? Vai vender? Era exatamente o que ela e as amigas estavam querendo, vermelha e branca, 74, com aquele farolzão.

Pensou em perguntar ao Léo de quem era, mas o Lucas, mais uma vez puxando o boné (ela adorava se esconder nele), e querendo que ela entendesse que o skate é sua alternativa para o surf.

- Ainda vamos ter uma casa na praia e, até lá, eu saberei tudo sobre ondas. Já imaginou, Manú? Seu brother na prancha e você pegando geral na areia?
- Qual seu “brema”? Que areia, que onda? Vai pra casa, leva seu nescau. A mãe tem que ir pro trabalho e já tô voltando.
- Ih, pirou... você ficou colada nessa Kombi, hein? Fui!

Ele via a cena, saia de seu posto de todos os dias e entrava na sapataria pra disfarçar. Ela chegava perto da Kombi, olhava pelo vidro do motorista, na janela de trás, voltava, se abaixava... Pegava o celular, fotografava. Ele queria saber o que ela queria com um carro velho daqueles. Deve ser do jornaleiro e ela fica falando com ele sobre isso.

Lá vai Manú, entrando de volta no prédio, com o fone no ouvido. Ele volta para a calçada. Léo vê tudo.

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informações

Autoria
Regina Vilarinhos
Ficha técnica
segunda parte de nosso conto
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clara arruda
 

Deixando meu carinho.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2008 12:04
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um bom texto.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 18/10/2008 11:17
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victorvapf
 

Beleza!

victorvapf · Belo Horizonte, MG 18/10/2008 16:39
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Cintia Thome
 

Belo texto Rê, bem atual, prendeu-me até o final, bom final...ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 19/10/2008 17:08
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Gabriele
 

beijos!

Gabriele · Rio de Janeiro, RJ 25/10/2008 23:25
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