COMENTÁRIO FILOSÓFICO - Nietzsche
O lirismo poético de Augusto dos Anjos reduz o conhecimento que, muitas vezes comprometido com a práxis humana, enfim, cai por terra com o trecho do “Monólogo de uma Sombra”, que segue abaixo:
(...) Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,
Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!
Provo desta maneira ao mundo odiento
Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.(...)
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DOS ANJOS, Augusto. Eu e Outras Poesias. Coleção A Obra-Prima de Cada Autor. Ed. Martin Claret. Monólogo de uma sombra, p.36.São Paulo, 2003.
O pensamento de Nietzsche aproxima-se deste lirismo, pois sua crítica sobre a verdade é superada pela transvaloração ou a superação da própria moral através da busca do além-do-homem.
A moral nos coloca como subservientes a um poder misterioso e ininteligível que tudo coordena, no qual se aloja toda a verdade. Estabelece a dialética do confronto entre o bem e o mal.
Ora, nada disso existe realmente. O que há, na verdade, é uma prisão intelectual onde a fuga é sancionada pelo valor estabelecido. Esse valor expresso e enraizado na memória surge em um cenário de dominação e crueldade. Aquilo que é dito como sagrado, na verdade, descansa sobre as dores da humanidade.
Os valores morais instituídos e finalísticos foram criados pela humanidade e para si mesma. Na verdade, pode-se perceber o caráter pré - concebido da moral, baseado no dualismo transcendente que, afinal de contas, possui finalidades últimas.
O modo moral de se pensar não passa de um engodo que se baseia na metafísica, fazendo-se existir. Pois, afinal, não existe nada de transcendental quando se dita alguma coisa, como última morada do pensamento humano, como verdade real determinada.
Cria-se, na verdade, algo que funciona nesta vida mesmo, as verdades morais ilusórias e sem justificativas que escravizam a humanidade. Os valores instituídos que negam a própria dimensão em que foram criados. A humanidade flutua em sua própria irrealidade pré-concebida do conhecimento e da razão.
Nietzsche, na verdade, nunca quisera colocar-se na posição de profeta ou algo parecido, mas, sim, poder experimentar e refletir sobre sua vida. É a vontade de poder viver livre do enclausuramento proporcionado pela vontade de se ter um sentido metafísico para a vida. Pois, esta última dita um valor que atua fora de nós mesmos, enquanto que a outra, decompõe-se em um leque de perspectivas para que esta vontade de poder manifeste-se em infinitas formas de vontade de vida.
Enfim, existe o instinto particular em cada um de nós e que, afirmado como vontade de vida, será livre de comprometimentos com fins determinados pela humanidade.
Sim, a luta interior de se ter a liberdade sem regras...Bom texto, esclarecedor, inteligente.
Tem meu voto e olha, vou até imprimir para reler pois este texto leva a aflorar um boa reflexão....
Vladimir,
estou arquivando teus escritos, para ler com mais tempo,
estou precisando de retomar alguma coisa, os teus resumos
certamente serão mais fáceis no entendimento, um abraço, andre
Obrigado a vocês, Cintia e A. Pessego, pela colaboração!
Atenciosamente,
Vladimir.
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