Foto: Flickr/Creative Commons
À boca da noite o candeeiro contorce
A gravidez do granito!
E uma brisa álgida esvoaça meus cabelos de vento;
Faz-me vomitar o veneno das bruxas do amanhã,
Dispostas nos muitos casebres esquizofrênicos.
De um chão de nervos acidentados,
O soldado ferido recolhe uma folha de gente amarga
E oferta à abelha contundida
Como sendo o lagrimar de sua última derrota.
Ah! Como a abelha e o soldado jazam-se infelizes!
Ambos anseiam alimentar-se de vida: Vida sim!
(Apesar de revividas)
Feitas de pequenas e dóceis cancelas de tempo,
Onde o viver (um dia, somente...)
Já não suporta o vício
De outros tantos amanhãs anêmicos.
....................
Sob testuda claridade,
Porque livres das dores e dos mistérios inumanos,
Abelha e soldado correm soltos e anestesiados,
Regozijam-se na hora dos corpos revirarem-se!
Seguem nus e desprovidos de lembranças,
Deslizam na imperfeição humana
Com este sol do parapeito nos tapumes
E esta friagem de supinos estoques de inverno...
Com os gelos dos prados
Alimentam suas vidas nos caminhos imaturos.
Abelha morre? Não morre!
Soldado morre? Não morre!
E a cada paragem se recusam cair; morrer.
É a hora da travessia!
....................
O bote do meu lago lhes conduzem,
Ao outro lado.
Oh! Sereia de olhos eletrificados!
Enquanto abelha e soldado abraçados, frientos,
Procuram o caminho dos teus seios lactados.
Arquitetas assim o ancoradouro primaveril
- O suprimido pouso dos eleitos:
Dá-lhes duas orquídeas selvagens para as porem
Nas suas lapelas de carne.
Vêm à tona e vê a afetuosa confraria:
Os nossos heróis salvos e recomeçados!
Ah! Esta passagem de vitoriosos agora é-nos
Esplêndido arquétipo da nossa
Própria coexistência!
Benny Franklin
Benny, não tenho repertório pra falar dos teus poemas. São verdadeiras pancadas, cheias de imagens improváveis... casamentos de palavras aparentemente (antinômicas)... tu és um possibilista!
Um abraço.
"Somente quando ajudarmos a criar vida e provarmos do seu mel,
iremos entender da mágica criação..."
Agradecido.
Abraços
Nosso Deus! Voce conhece alguém que possa fazer um filme meio surrealista ( Lembra de The Wall do Pink Floyd), criar uma música e alguém recitar (pode ser voce mesmo, fica mais profundo) esse seu poema. Maravilhoso! Um abração.
anamineira · Alvinópolis, MG 6/9/2007 12:04Concordo com a Ana, Benny. Profundo de tão Floyd; foda!
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 6/9/2007 14:37
Benny, o Fillipe achou um título para vc "Possibilista" e eu concordo pois vc junta as impossibilidades e elas acabam acontecendo. Como pode?
Bjs possíveis.
Grande poema amigo poeta Benny. Teus versos sempre me agradam muitíssimo. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Que bom Benny, que o tempo na fila de edição é real, ao contrario da fila de votação. Assim mais pessoas poderão ler este texto.
Mas Benny, ando - não sei por que - fazendo uma ligação entre as imagens, postadas com o texto - e a feitura. Há como que uma dependência, entre um e outro, muito forte.
um abraço, andre
A ternura em atrito com luta.
Higor Assis · São Paulo, SP 7/9/2007 00:27
amanhãs anêmicos...concordo acima com os amigos...possibilita as coisas...
Bravo benny Franklin...
Poeta das Entranhas...Bravo!
bj
Sensacional. Adorei o poema e destaco o lirismo desses versos:
'Dá-lhes duas orquídeas selvagens para as porem
Nas suas lapelas de carne.'
Genial. Grande abraço, Poeta!
Beeny, amigo.
Uma coisa é certa nesse poema: relutar sempre para não partir, para não iniciar a viagem final, mesmo que de dores, de dias rápidos, seja feito nosso caminhar terreno. De almas atadas é sempre mais fácil resistir.
Abraços
Noélio
"É a hora da travessia!
O bote do meu lago lhes conduzem,
Ao outro lado."
... "Benny, que imagens fortes e doces ao mesmo tempo... Belo!
Abçs.
Voltei para votar...Não poderia deixar texto tão maestral de fora!! Parabéns
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 8/9/2007 12:44
Perdi-me benny...
Pardon please...
Minha filha está com uma amiga com problemas...
Beijos...
Olhe meu Orkut.
bj
muito bom, Benny.( a estrofe final está perfeita!! )
grande abraço,
Abram alas aos vitoriosos!
Belas imagens, Benny!
Abçs.
Essas imagens que você põe sob nossos olhos pasmos são pungentes.
Eu os senti, ambos, abelha e soldado tão patéticamente indefesos neste frio abraço, no apego à vida que se esvai...
Maravilhoso!
beijos
O bote do seu lago OS CONDUZ... meu caro Beneey, só hoje pude ler o poema. Comento depois!
"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 10/9/2007 15:34
HUMM... a abelha e o soldado JAZAM-SE infelizes?! Bem, prefiro JAZEM e o SE aí é perfeitamente dispensável.
Há uma tênue linha que separa a genialidade da "barbaridade" pedante, do "besteirol" puro e simples. Você tem conseguido/vem conseguindo se manter na corda bamba por longo tempo... até quando?! Se este teu momento poético é/fôr estilo, podes crer que é um espanto, criatividade ímpar, um desafio para o Escritor e também para quem o lê. Mas, não exagere, meu caro... daqui a pouco te internam num manicômio qualquer. Deste fã "arredio"...
Olá, amigo! Já estou de volta ao Ceará... e vejo que continuas arrasando por aqui. Flores e bjim @>--
Adriana Costa · Brasília, DF 11/9/2007 00:56Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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