COMO SABER SE O AMOR CHEGOU

1
Ivette G.M. · Cotia, SP
23/5/2009 · 24 · 21
 

Era mais um fim de tarde modorrento, após um dia de verão dos mais quentes do ano.
Genalva, sentada no último banco do metrô, junto à janela, olhava para fora, para paisagem nenhuma. Só via túneis intermináveis o que fazia seus olhos se fecharem, numa sonolência preocupada em não perder a hora de descer na sua estação de destino.
Percebera, muito vagamente, que um homem se sentara ao seu lado.
Mesmo na sua sonolência, seus pensamentos não cessavam de insistir em mostrar-lhe o vazio de sua vida igual ao trajeto do metrô, sem paisagens, sem colorido. Tudo era cinzento.
Aos 23 anos não fizera outra coisa senão trabalhar para ajudar sua família suburbana e pobre. Tinha vários irmãos e irmãs, pai e mãe incansáveis na sua labuta diária.
Sua instrução era pouca. Conseguira chegar apenas ao final do Ensino Fundamental, o suficiente para que ela conseguisse um emprego como recepcionista em uma pequena empresa. Muitas vezes pensava em retornar à escola no período noturno, mas ao final do dia se encontrava tão exausta, tão sem motivação, que perdia a coragem. Por isso, tudo fazia para que seus irmãos e irmãs prosseguissem seus estudos.
E amor? Nunca tinha tido um. Muitos rapazes se aproximavam, diziam que ela era muito bonita, mas eles não a atraiam. Era uma vida seca, esta sua vida. Faltavam emoções. O ritmo de seu coração não se alterava, não mudava de compasso. Sua adrenalina era sempre estável e até os seus sonhos eram banais e sem graça.
Percebeu quando a pessoa a seu lado se preparou para descer e só então o olhou. Era um jovem com idade aproximada da sua, alto, mulato, trajando roupas simples como as dela. Saiu mais ou menos apressado e deixou cair de dentro de um caderno que segurava nas mãos, um pedaço de papel dobrado. Ela pegou o papel e tentou devolvê-lo, mas ele saltou rápido para a estação e o trem fechou as portas automáticas.
Ficou olhando para o pedaço de papel sem saber o que fazer. Resolveu verificar se havia algum endereço ou nome que desse uma pista para fazê-lo voltar ao seu dono. Desdobrou-o e encontrou uma poesia, chamada “Amor” e ao lado do título três letras, CDA. Começou a ler:
“Quando encontrares alguém
e esse alguém
fizer seu coração
parar de funcionar por
alguns segundos, preste atenção:
pode ser a pessoa
mais importante
da sua vida.

Se os olhares se
cruzarem e, neste momento, houver
o mesmo brilho
intenso entre eles,
fique alerta: pode
ser a pessoa que
você está esperando
desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos
lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante,
e os olhos
se encherem d’água
neste momento,
perceba: existe
algo entre
vocês.

Se o primeiro e o
ultimo pensamento
do seu dia for essa
pessoa, se a
vontade de ficar
juntos chegar a
apertar o coração,
agradeça: Deus te
mandou um
presente divino-
o amor.

Se um dia tiverem
que pedir perdão
um ao outro por
algum motivo e em
troca receber um
abraço, um sorriso
um afago nos
cabelos e os gestos
valerem mais que
mil palavras,
entregue-se: vocês
foram feitos um para o
outro.

Se por algum motivo
você estiver triste,
se a vida te deu uma
rasteira e a outra
pessoa sofrer o seu
sofrimento,chorar
as suas lágrimas e
enxugá-las com
ternura, que coisa
maravilhosa: você
poderá contar com
ela em qualquer momento
de sua vida.

Se você conseguir,
em pensamento,
sentir o cheiro da
pessoa como se ela
estivesse ali do seu
lado... Se você
achar a pessoa
maravilhosamente
linda, mesmo ela
estando de pijamas
velhos, chinelos de
dedo e cabelos
emaranhados...

Se você não
consegue trabalhar
direito o dia todo,
ansioso pelo
encontro que está
marcado para a
noite...Se você não
consegue imaginar,
de maneira nenhuma,
um futuro sem a pessoa
ao seu lado...

Se você tiver a
certeza que vai ver a
outra envelhecendo
e, mesmo assim.
tiver a convicção que
vai continuar, sendo
louco por ela...Se
você preferir morrer,
antes de ver a outra partindo: é o amor
que chegou na sua
vida. É uma dádiva.

Parece uma poesia, pensou ela. Acho que ele a escreveu e as três letras ao lado do título devem ser do seu nome. Como será o seu nome? Cláudio? Cleber? Clayton? Quem saberá...
Ela guardou o pedaço de papel e à noite, em sua cama, fez a sua leitura novamente. Ficou olhando para aquela escrita estranha e imaginando que o “C”, assim como ela, também não tinha muitos estudos. Ele escrevia a lápis, sem preencher a linha toda, o que era um desperdício de papel e às vezes ficava difícil de ler. Parecia que ficava um pouco truncado, que uma linha não havia sido terminada e ele já mudara para outra. Colocou o pedaço de papel em baixo do travesseiro e dormiu.
Na manhã seguinte, com ele na bolsa, foi para o trabalho. Quem sabe encontraria “C”, para devolver a poesia. Será que ele já a havia terminado?
Encontrou um lugar e sentou-se. Tirou o papel da bolsa e leu-o ainda uma vez. Agora já conseguia entender melhor o texto. Começou a achar aquela escrita bonita e a entender o que ela dizia. ”Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção, pode ser a pessoa mais importante da sua vida.” Releu, voltou a ler e aquelas palavras não saíram mais de sua mente. Será que um dia ela sentiria isso que “C” escrevera?
As suas viagens no metrô passaram a ser diferentes. Agora, quer na ida quanto na volta do trabalho ela relia com sofreguidão aquela poesia. Suas viagens não mais se resumiam aos túneis cinzentos. Tinham cor, ela agora possuía um arco íris. A cada dia que passava as estrofes iam fazendo mais sentido para ela. Ela as compreendia e se emocionava com elas. Começou a planejar um grande amor. Amar passou a ser uma necessidade cada vez mais aguda, premente, mesmo. Amar talvez fosse uma coisa muito linda, muito boa.
Resolveu olhar para os rapazes usuários diários do metrô, dos mesmos horários que os seus. Lembrou-se da segunda estrofe da poesia de “C”: “Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu”. Era isso. Trocando olhares com os rapazes, acabaria descobrindo alguém que fizesse seu coração disparar.
Mas os dias passavam e nada acontecia. Aquele seu primeiro entusiasmo começou a arrefecer. Chegou à conclusão que não nascera para amar. Sua vida seria, até o fim de seus dias, uma mesmice em cinza. Voltou a olhar pela janela, os túneis cinza que corriam ao longo dos trilhos do metrô. Percebeu que agora sentia falta do colorido que aquela poesia pusera em sua vida e então tirava o papel da bolsa e o lia. Conseguia com isso acalmar seu coração vazio e ansioso.
Certo dia, quando olhava através da janela, alguém pediu licença e sentou-se ao seu lado. Por educação ela virou-se para responder e “seu coração parou de funcionar por alguns segundos”. Era “C” que ali estava! Ela não podia acreditar no que via!
Gaguejou para responder, mas sua voz não saia. “C”, por sua vez, também a olhava surpreso. “Seus olhares se cruzaram e neste momento houve um mesmo brilho intenso entre eles”. Ela pensou: será que ele é a pessoa que estou esperando?
Automaticamente abriu a bolsa, retirou dela o pedaço de papel e sem dizer nada o entregou a “C”. Ele o pegou, abriu, olhou novamente para ela sorriu e disse: eu estava copiando um poema de Carlos Drummond de Andrade. Não é bonito? Eu tinha sentido muito perdê-lo porque descobri que ele não está completo. Faltam duas partes que não sei onde encontrar.
Naquela noite Genalda perdeu o sono. Só pensava naquele encontro. Ambos haviam perdido a hora de descer nas suas respectivas estações. Antes de dormir ela declamou: “ Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino -o amor.”
Na manhã seguinte levantou mais cedo, caprichou no banho, na roupa e na maquiagem. Sua mãe observou que o seu semblante, sempre nublado, estava radiante e pensou: o amor chegou.
Encontraram-se dentro do vagão do trem e ambos sorriam felizes. Abominavam a idéia
de precisarem se separar para ir ao trabalho. Combinaram de se encontrar na volta.
O dia custava a passar e Genalda, mais uma vez, lembrou-se do que lera; “Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...”.
O fim da semana chegou e os dois não se separavam mais. Agora ela sabia que o nome dele era Erivando. Aprendera que as letras que ela pensara serem o nome do amado eram, na verdade, de um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade. Ninguém precisara ensiná-la a ler poesia. Drummond chegara até ela de forma avassaladora. Tomara-a por inteiro. Tomara posse de seus pensamentos, de suas ações e do seu coração. Mas, sobretudo, abrira seus olhos para o amor.
Ela já tinha ouvido histórias sobre os romances que começaram ou estavam marcados por uma música. No seu caso, seu romance ficaria marcado com o poema de Carlos Drummond de Andrade. Esta era a mais bela marca de sua humilde vida.
Ela e Erivando haviam combinado de procurar saber como terminava aquela poesia. Cada um deles faria buscas até encontrar as duas partes que faltavam e agora sabiam que se chamavam estrofes.
Certo dia uma colega de trabalho lhe disse que encontrara mais um pedaço da poesia em uma agenda antiga: “ Muitas pessoas
apaixonam-se
muitas vezes na
vida, mas poucas
amam ou
encontram um amor
verdadeiro. Ou às
vezes encontram e,
por não prestarem
atenção nesses
sinais, deixam o
amor passar, sem
deixa-lo acontecer
verdadeiramente.”
Ela não via a hora de se encontrar com Erivando para mostrar-lhe o que havia encontrado. Não sabia se era uma continuação ou o final do poema. No fim do dia ela correu ansiosa ao seu encontro e de longe acenava com o pedaço de papel onde havia mais uma estrofe da poesia. Ele, por sua vez, acenava com um livro. Correram ao encontro um do outro, abraçaram-se e beijaram-se com ternura. Ela então lhe mostrou, vitoriosa, o que conseguira e ele lhe mostrou um livro de poesias escritas por Carlos Drummond de Andrade, que comprara em um sebo, onde estava escrita a poesia completa, que terminava assim:
“É o livre-arbítrio.
Por isso, preste
atenção nos sinais
não deixe que as
loucuras do dia-a-dia
o deixem cego
para a melhor
coisa da vida:
o amor.










I

Sobre a obra

Era uma vidinha medíocre e rotineira. Uma POESIA a transformou completamente.

compartilhe



informações

Autoria
Ivette G M
Ficha técnica
Conto escrito em maio de 2009, usando uma poesia de Carlos Cdrummond de Andrade.
O amigo Azuir Filho acaba de homenagear, com mais um de seus textos de louvação ou exaltação, o grande poeta Carlos Drummond de Andrade. Com este conto quero homenagear nosso Overmano Azui, sempre tão carinhoso com t
Downloads
688 downloads

comentários feed

+ comentar
azuirfilho
 

Ivette G.M. · Cotia (SP)
COMO SABER SE O AMOR CHEGOU
Lindíssimo e emocionante.
Temos de ter Orgulho de nossa gente pelo tanto que ela é capaz de amar por tudo e as vezes constrói a felicidade.
Muito lindo Carlos Drummond de Andrade, muito lindo o encontro do casal e a sua escrita descrevendo tudo dando emoção pra comover a gente.
Muito belo o final.
Valeu a pena.
O Amor sempre vale a pena.
parabéns.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 22/5/2009 18:46
sua opinião: subir
Ivan Cezar
 

Um primor de texto
Que aborda muitos valores
E a semiótica
A linguagem dos sinais
Perfeito !

Ivan Cezar · São Sepé, RS 23/5/2009 00:09
sua opinião: subir
menina_flor
 

Querida amiga Ivette: que lindo o seu conto. Que gostoso de ler. Faz a gente acreditar mesmo no inesperado. Acreditar nos sonhos. Basta que estejamos atentos. E esse amor quando aparece pode ser da maneira mais imprevista ou impossível. Seja um esbarrão, uma troca de olhares , um encontro inesperado.
Adoro esse poema de Drummond. Ele nos alerta para esse amor que pode estar tão perto...
Esse verso diz tudo:

'“É o livre-arbítrio.
Por isso, preste
atenção nos sinais
não deixe que as
loucuras do dia-a-dia
o deixem cego
para a melhor
coisa da vida:
o amor. '


Então eu digo: estou amando..

Parabéns!
Daqui a pouco eu volto...
Bjos
Patty


menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2009 12:57
sua opinião: subir
Doroni Hilgenberg
 

Ivete,
as vezes basta tão poco para iluminar a vida de uma pessoa,
e quando esse pouco permite que a mesma pessoa encotre
o amor, parece então, que o destino estendeu a mão.
Maravilhoso desfecho, texto e poema
se completam harmoniosamente
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/5/2009 14:14
sua opinião: subir
raphaelreys
 

E viva Azuir com LETRAS MAIÚSCULAS!

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/5/2009 15:14
sua opinião: subir
menina_flor
 

Olá Ivete,
Olha eu aqui de novo...agora deixo meu voto!
Bjos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2009 16:14
sua opinião: subir
W@nder
 

Que lindo, Ivete.
Olha o que faz a poesia e o amor...
Beleza!
Bjs.

W@nder · Rio de Janeiro, RJ 23/5/2009 19:36
sua opinião: subir
graça grauna
 

...uma prosa poética de alimentar os sonhos. Parabens. Bjos

graça grauna · Recife, PE 23/5/2009 19:46
sua opinião: subir
Onivaldo Paiva
 

Que linda história de amor, Ivette! Li-a como quem bebe leite e mel. Com que maestria [e aparente facilidade] você nos faz conhecer e gostar de seus personagens. A Genalda e o mulato: foi como se eu estivesse ali, perto deles, reparando... E com o amor e cuidados de uma criadora você foi tecendo as linhas do destino, tirando aquela boa moça de seu cinzento roteiro.
O que não faz um Drummond de Andrade! O que não faz uma Ivette!

Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 23/5/2009 20:13
sua opinião: subir
Marcelo ShytaraLira
 

Ivete GM... Poeta drumonddiana...
que maravilha... li e fiquei com fome de amor...
bjs

Marcelo ShytaraLira · São Paulo, SP 23/5/2009 20:54
sua opinião: subir
Greta Marcon
 

Maktub! E Carlos Drummond de Andrade foi o anjo escolhido por
Deus, para aproximar os dois e também o "padrinho". Que bela
estória de amor... Conto bem narrado; parece até que eu estava lá, naquele metrô, assistindo tudo... Parabéns e beijossss
Votado

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 24/5/2009 01:24
sua opinião: subir
Marcos Paulo Carlito
 

Lindo o conto. Melhor seria se fosse verdade, porque traria realmente uma certeza.

Abraços.

Marcos Paulo Carlito · , MS 24/5/2009 02:58
sua opinião: subir
clara arruda
 

muito lindo seu conto minha querida e Azuir merece sua homenagem,gente como ele que está sempre nos trazebdo a memoria valores que nem todos tiveram o privilegio de conhecer.
Um grande abraço dessa amiga.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2009 13:08
sua opinião: subir
Daniele Boechat
 

Ivette, lindo seu conto. Adoro a forma que faz sua narrativa, sempre cuidadosa nos detalhes. Parabéns! Bjs.

Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 24/5/2009 13:13
sua opinião: subir
Raiblue
 

Ivette minha,linda,que história incrivelmente linda!!!!

Ahhh...minha linda,não podemos mesmo deixar o amor passar assim...e ele vem como nasce um poema...num flash de luz...um transe que hipnotiza...temos que prestar atenção aos sinais que sempre estão a girar nos entornos...e não perder a hora da viagem...

Tinha que ser Drummond...perfeita combinação poética!!!!
Aplausos pra ti,minha linda!

mil beijokas azuis
Blue

Raiblue · Salvador, BA 24/5/2009 16:03
sua opinião: subir
ayruman
 

Saúde e Paz ,Tenha uma boa semana. jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 24/5/2009 21:18
sua opinião: subir
azuirfilho
 

Ivette G.M. · Cotia (SP)
COMO SABER SE O AMOR CHEGOU
O Amor está vivo em todo mundo e derepente floresce em felicidade
Com Carinho Voltando pra elogiar e indicar aos amigos.
Um Trabalho admirável.
Parabéns. Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 24/5/2009 22:39
sua opinião: subir
Patricia Rocha
 

Uma delícia de historia de amor... É pra gente não esquecer que o amor sempre surpreende... E pode estar em qualquer lugar....
Gostei demais!!
beijo
Pat

Patricia Rocha · Rio de Janeiro, RJ 25/5/2009 13:27
sua opinião: subir
victorvapf
 

Engraçado, o amor...

Voce somente sabe que ele chegou, depois que ele vai embora!

victorvapf · Belo Horizonte, MG 25/5/2009 20:03
sua opinião: subir
kfarias
 

Ivete, eu vou só votar.
È por demais lindo todo o texto a poesia e o enredo, amor, amor....
Parabéns!

kfarias · Águas de Lindóia, SP 28/5/2009 22:15
sua opinião: subir
GORETTI GUERREIRA
 

Ivete maravilhoso poema!
Se o primeiro e o último pensamento do dia ...
Isso é o encintro de um grande amor. Sintomas bem narrados, assim é quando estamos plenos no amor. Lindo!. Votado. Beijos da Guerreira.

GORETTI GUERREIRA · Franca, SP 9/6/2009 11:36
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

baixar
pdf, 11 Kb

veja também

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados