Como se constrói um sonho, senão deitado na noite, olho aceso nas estrelas, vendo aquele alumiar todo, lá longe, aquele ajuntamento de estrelinhas, pequenas de dar dó, sozinhas lá fora do mundo?
Não tem outro jeito, é sonhar um sonhar sem fim, que desconhece que o dia já cresceu e pesa no chão do meio dia, com aquele solzão todo arrancando as águas da gente, feito falta de amor.
Sonho assim, por maior a certeza da luta que o espera, nunca esmorece. Ele vai indo de dentro da gente, vai indo, vai indo, sem marcar rumo e quando a gente dá conta, já cruzou com outro de sua iguala (*). Então, não tem mais jeito, é largar o tonto na estrada reunido com quem lhe queira.
Quando se vê, já está o doido, que nem é mais um. Já é um tanto de sonho, tudo misturado, nem se sabe onde o primeiro começa e este outro aqui novinho com aquele se mistura, igualzinho as estrelas do céu, juntinhas, em tratativas de luzeiro humilde.
E quando olha de novo, é um céu inteiro de meu Deus -que deve estar contente com estes pequeninos inventando coisas de contar histórias do mundo. Tanto está contente, que anda num riso e noutro, pondo idéias na cabeça desses meninos que imitam estrelas. Ô meninos danados!
É assim de imitar estrelas naquele ajuntamento alumiado tão grande, que os pequeninos danados sonhando, rememoraram seus dias na escola (dias idos, há tempo demais e, nem por isso, esquecidos) e inventaram outra moda.
Num é que, igual estrela desenhada em caderno de criança, eles cismaram de mostrar essas letras todas, essas fotografias de meninos e seus calções curtos e as menininhas e suas saias lá pra baixo do joelho, eles todos com cara de anjo que não engana nem mãe amorosa, escondendo traquinagem que até Deus duvida (menino, você sabe, num é gente).
Pois, então...
Danaram-se, agora, depois de gastar muito amor, por isso, redobrado, que amor, quanto mais usa, mais aumenta, ai que perco o rumo da história. Como eu ia dizendo, danaram-se a querer publicar livro pra mostrar aos de hoje como era o estudo, os mestres, os professores e esses meninos na escola, de ontem, tudo de ontem ou tresontonte, como diz minha avó.
O diacho é que livro é coisa difícil, ainda mais para esses pequeninos que não são, mas imitam estrelas, com um brilho danado. E, do jeitinho das estrelas, acendem um olho aqui, outro ali, umas lágrimas (menino é bicho danado demais pra fazer a gente se emocionar) e precisam de muitos olhos, muitos.
Então, amigo, por favor, vai olhar os meninos e suas reminiscências.
Vai lá com sua estrela iluminar o trieiro deles. Com sua voz de lumieiro, acende uma luz para os meninos, mostre um rumo, diz que eles são luz também. Espalhe essa luz.
(*) iguala é uma palavra que significa "que lhe seja igual", muito usada aqui na minha terra, no tempo antigo, pelas pessoas "sem estudo".
Um exemplo, é o ditado que minha avó, vinda lá de onde hoje é o Tocantins (e era Goiás) ensinou: "cada qual com sua iguala".
No Dicionário Aurélio, o termo aparece em português de Portugal, "igualha".
Beleza Sarmar! Sua alma vagou por oráculos enquanto dormias, Belas divagações, alma sensível, uma busca de sí mesmo!
raphaelreys · Montes Claros, MG 28/2/2008 08:53
Juro que li agora sem respirar de achar que tava vendo um mar sarado estrelado de mais maior de grande e era tu a inspirar neu e eu nim tu e vai que não ficasse assim tão bom de primeira que a senhora ia ver que eu ia dizer que não ficou mas ficou e eu fiquei muito apreciada de apreciar teu precioso postado qué uma boa idéia pra força dar pro livros dos guris (E DAS GURIAS!) também Saramar.
Eu vou dizer aquilo, tá?
Voltarei para votar!
Beijin de amor da sararazinha pra Saramarzinha
Sonho que se sonha so, e so um sonho...Mas quando se sonha junto e realidade!!!!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 28/2/2008 18:51Ah Professora, vou ver lá na pagina principal. Hoje tá muito lento aqui. to indo, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 28/2/2008 20:25
Querrida Saramar:
Desculpe a demora em chegar aqui, mas dois apagões mantiveram a net quase o dia todo fora do ar aqui em Oeiras. Quero dizer, no entanto que nem a Cepisa (Centrais Elétricas do Piauí S/A) execrada pelos piauienses consegue apagar o nosso sonho um minuto sequer. Mesmo eu estando ausente você soube manter acesa a chama do nosso amoravel projeto.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Querida Saramar:
Vi lá no Aurelio Igualha (segundo ele, por analogia a gentalha). Fiquei curioso: em goiano (ou brasileiro arcaico) se dizia "gentala"?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca, meu Anjo, confesso que nunca ouvi ou li a palavra "gentala". Talvez em outras regiões do país possa aparecer, nesta simbiose irresistível da fala local e popular com a erudita.
Saramar · Goiânia, GO 1/3/2008 01:27
Querida Saramar:
Seja como for,legal demais. E fui o primeiro a votar!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Ola Saramar, aqui confirmando meu votinho! Sucessso amiga
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 1/3/2008 04:35
Oi Saramar.
Vou me inteirar do projeto. Depois falo direito com voce.
Estou saindo de férias, mas antes de viajar retorno.
Belo projeto.
um abraço
EG
Muito legal Saramar!!!
Vou divulgar o projeto de vocês tb!!
já votei!
beijinhos
Um preito de paixão, Saramar.
Pelo que me tocou, na parte e no todo, aplaudo.
Sempre meiga, amiga.
Louvores.
Pelo meu cronômetro, fechei a votação, com a alegria de contemplar a bela redação de Saramar.
...ops, que pretensão a minha. Gentalo que sou (elevei apenas de 54 para 61). Desculpe, Saramar. Outros virão, outros e outros.
abrs
E é preciso dizer, deixar dito, que possívelmente seja o primeiro livro " de escola feito a muita lembranças" onde os autores são os atores (ou foram). não se podendo falar em diário, mas que configura um apnhado do "diário" de cada um.
Deveriamos marcar um ato ecumênico religioso-profano no lançamento do livro em cada cidade onde pussemos reunir um dado numero, rogando a DEUS PARA QUE SEJAM EXTINTA NO INFELIZ CODIGO DE MENORES A FIGURA DO "INTERNO. CRIANÇAS PRESAS.
Os relatos daqueles que viveram aqueles tormentos.... Eles (aquelas crianças, agora estes senhores) só não sucumbiram porque como penso "Crianças são iguais".
Louvável, feliz iniciativa, andre.
Saramar, que encanto. Fez brotar nos olhos, sorriso nos cantos...
bjo.
Querida Saramar:
..."querendo voar em livro de tocar e cheirar e ler, querendo a ajuda essencial, amorosa, cuidadosa de todos os overmanos..."
Mas que coisa mais_mais_mais... Concretizar o virtual... Esse é um dos caminhos.
Beijos_Meus*
*
Sonhar um sonhar sem fim...
Coisa mais bonita, Saramar!
Precisamos espalhar a luz...
beijo.
Oi, Saramar
Singelas palavras, para tocar o coração de todos. Todos por um. Um só objetivo. Sentados, agora, na mesma sala de aula, cada um na sua carteira, esperando a professora chegar!
Salve, querida
Saramar,
Belas palavras - e grande impulso a este projeto.
No que esperar de mim, sabe que pode contar.
Abçs.
Benny Franklin
Saramar, também estou a disposição no que precisar!
Paulo Esdras · Brumado, BA 3/3/2008 10:21
"Sonho assim, POR MAIOR A CERTEZA DA LUTA QUE O ESPERA, nunca esmorece"!
Menina, isso é profético e eu, que já sonho meu próprio livro de contos (sem também esmorecer) desde fins do ano 2000 sei bem a luta ingente que nos espera. Mas, dizia o poeta, LUTAR É VIVER !
E, sem querer afrontar meu assoberbado de trabalhos e cansaços JOCA OEIRAS, proponho sem brincadeiras esse belo momento de inspiração poética como A APRESENTAÇÃO oficial do futuro livro, se ou quando êle vier acontecer. Aliás, devemos fazer cópias dele e enviá-las a qualquer empresário, não vejo argumento melhor para convencer alguém. As estrelas iluminaram SARAMAR e o que é bom merece ser divulgado sem receios. (PS: votei domingo à noite!) Beijos, querida!
Saramar, minha poeta querida,
não fosse o fato dos nossos sonhos merecerem a dor e a alegria dos que compartilham as delícias deste maravilhoso parto coletivo, suas palavras e sua generosidade, per se, já justificariam a labuta (e a luta) pela concretização do projeto.
Beijos
Parabens Saramar pelo empenho pela qualidade do seu trabalho e é lógico pelo sucesso que ele fará.
Bjs
oi Saramar, muito belo ,como se constroi um sonho, são de todos este sonho.
Alcantas Teixeira · Minaçu, GO 4/3/2008 09:50bonito demais o seu sonho e torço, honestamente, para você publica-lo. Ah, minha nega, publicar nesse país é uma grande aventura? um grande sofrimento? É sonho e pode ser realidade. Estou torcendo por você. Peço também sua leitura para um sonho que é ver publicado o livro do poetamigo Chico Canindé. Em votação: "De cuias e cocares". Abraços, Graça Graúna
graça grauna · Recife, PE 3/5/2008 09:06
Um alívio, ler o seu belo texto. A simplicidade de expressão é uma grande conquista. Torna-se o mais sofisticado dos instrumentos. La crême de la crême. Meus sinceros parabéns.
Apesar de ser um texto peso pesado (teoria da história/da literatura), gostaria imensamente que você lesse meu texto em fila de edição: Bahia / Não-ficção / Literatura e História.
Um batidão, como diz meu neto.
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