A transparência de todas as vontades inúteis e os lados invisíveis do querer sensato. O rumor de uma espécie abafada, latejando entre os restos do medo. Um muito estranho contorcer-se. Algumas horas, em todos os corpos, de uma forma miúda, faz-se imperativa uma direção cega. Os olhos passeiam assustados à procura. Olham o céu, os cantos do quarto, a vias comuns... Procuram, sem saber, a vaga idéia de uma saída. E no canto mais escuro dessa idéia, onde nada repousa e sim cresce e cresce e cresce, o olhar repousa. Até que uma monstruosa certeza o assalta e este olhar não vê mais que saídas. Vê no céu a saída do chão, nos cantos do quarto a saída do sono, nas vias comuns a saída da si mesmo... Como se só bastasse crer e tudo se tornasse saída. Algumas horas, em todos os corpos, de uma forma ínfima, faz-se uma imperativa certeza de outras vias. E esta certeza, desenhando outras linhas nos contornos distantes do horizonte, alarga-se corpo adentro. E talvez seja esse o caminho para o infinito do corpo: ir do canto mais escuro de toda vontade ao mais largo imaginável . Como se não andasse, nem se movesse, e simplesmente já estivesse chegado aos dois lados do caminho ao mesmo tempo. E tudo pairasse acima das vontades e dos quereres. Como se o corpo fosse o caminho dos opostos.
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