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Como uma dízima periódica de emes (MMM...). Enfim, parábolas infinitas

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Renato Amado · Rio de Janeiro, RJ
5/5/2009 · 15 · 4
 

Minha respiração está ok? Sinto-me mal. Acho que vou desmaiar. Minha respiração está ok? Não me parece, nem minha pressão, ou será que está tudo bem? Vou sair daqui, beber uma água, sentar, descansar. Essa mesa. Essa mesa está vazia. Vou sentar-me sozinho. Sozinho. Sozinho. Ninguém para me socorrer. E se eu passar mal? E se eu desmaiar? Sozinho. Pessoas em volta. Próximas. Distantes. Sozinho. Todos já foram. Estou só. Restaram os distantes próximo. Os próximos estão distante. O que está havendo? Estou sem perfeito controle de mim. E estes pensamentos, para onde vão me levar? Eles cavam e cavam e cavam cada vez mais o buraco. Quero me livrar deles. Esvaziar, acalmar a mente. Vou fazer isso agora. Em nada pensar. Respirar e acalmar-me. Respirar em acalmar-me. Em nada penso. Nada passa pela minha cabeça. Basta acalmar. Calmo. Nada pensar. Em nada penso. Sai o ego. Silêncio da mente. Respirar. Respirar. Minha respiração está ok? E a pressão? Ninguém para me ajudar. Preciso de companhia. Ei, menina, quer dançar comigo? Depende. De que será que depende? Dependerá de quê? Depende de que dançar com alguém? Dançar com alguém não depende de nada, por que depende ela dançar comigo? Só se ela me achar interessante? Será isso? Vou perguntá-la. Já foi embora. Uma água talvez me faça melhor. Água, água, por favor. Ei, uma água! Água! ÁGUA!!! Ah, não é aqui o bar? Desculpe. Vou até o bar. Uma água. Água. Preciso de uma água. Minha garganta está seca. Nossa, como minha garganta está seca! Está sequíssima! Sinto suas paredes a implorar por algum líquido. Vai rachar! Minha garganta vai rachar! Me dá essa água logo se não minha garganta vai ficar que nem solo do sertão. Anda, rápido! Obrigado. Vou virar essa garrafinha inteira de uma vez. Nossa, mas é água demais. Meu estômago está pesado. Está cheio. Ai, bebi água em demasia. Difícil caminhar. Vou embora. Estou bem para ir embora? Não conheço o taxista que me levará. Como saberei o que ele vai fazer comigo? Ônibus. Vou pegar um ônibus. Não passa nunca. O destino não chega nunca. Três intermináveis quilômetros. Chegou. Está lindo o nascer do sol na Praia de Copacabana. Vou vê-lo. Mas essa cidade é violenta. É perigoso. E se alguém me assaltar ou até me matar. Lá vem um carro de polícia. Policial é tudo bandido. Será que vai fazer alguma coisa comigo, achar que tenho flagrante? Não tenho, mas e se ele resolver dar uma esculachada. Estou muito nervoso. Ai, meu coração. Vai explodir! Kill Bill. O carro da polícia está se aproximando de mim. Não consigo esconder minha jugular saltitante, meu nervosismo que faz tremer cada nervo. Estão vindo atrás de mim, vão parar ao meu lado, vão me dar uma dura. Agora é relaxar e esperar, trata-se de uma questão de segundos. Passaram. Vou para a praia. Consigo ver alguma coisa daqui. O sol refletindo no mar está um holofote divino. Essa luz me atrai. Preciso ir até ela. Sou uma mosca. Mas é tão perigoso. Essa cidade é muito violenta. Eu deveria ir para casa. Minha casa é o local mais seguro onde posso estar. Ou seria a casa de minha mãe? Não, não creio. Minha casa me parece mais segura. E mais próxima. Deveria ir para casa, esta cidade é muito perigosa. Mas preciso ir para a praia. Onde estou com a cabeça? Já estou na praia. Uma água-de-coco, por favor. Vou parar perto desse barraqueiro. Ele me parece de confiança. Mais seguro. Há dois anos um moleque matou um português com uma peixeira cravada no peito à toa na Praia de Copacabana. Quem me garante que não pode ocorrer o mesmo comigo? Esse sol refletindo no mar está lindo. Não há qualquer policial por perto. Quem é aquele homem? O que ele faz com aquele negócio na mão? Ele vem vindo. Esse visual é maravilhoso. Por que ele parou perto de mim? A espuma branca repercutindo o sol, meu Deus, é mágico. O que ele tem na mão? Muito estranho. Preciso observá-lo. Fique tranqüilo, sou só um garimpeiro. A curva de Copacabana é uma representação do sorriso que a beleza desta praia coloca nos nossos rostos. Garimpeiro de quê? O que ele quis dizer com isso? Está em busca de lixo? Azul celeste. Me falaram que eu preciso desta cor para equilibrar meus chakras. Está cheio de um azul virtuoso no céu, mas será o celeste? Acho que não. O celeste é mais próximo da noite, mais escuro. Primoroso. Meu azul predileto. Mas está tudo magnífico. Meu Deus, todas as pessoas do mundo deveriam estar aqui vendo esse emocionante espetáculo. Nunca houve tão belo nascer do sol na história deste planeta. Cadê o barraqueiro? Sumiu. Onde ele se meteu? Será que o seqüestraram? Será que ele prestava atenção no garimpeiro e sorrateiramente alguém o atacou por trás? Talvez eu seja a próxima vítima. Melhor ir embora. Minha casa é o lugar mais seguro. Contudo, vou comprar um sonho de doce de leite na padaria no caminho. Minha respiração está ok?

Sobre a obra

Texto sobre paranóia. Premiado no Clube da Leitura.

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Yuri Lumer
 

Renato Ghandi parabéns!

Yuri Lumer · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2009 12:08
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André Calazans
 

Doideira e nóia totais, muuuito bom !!!

André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2009 18:35
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Lisa
 

Gostei,paranóia e sensibilidade.
Bjs

Lisa · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2009 23:39
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Cláudia Campello
 

Q paranoia!!! rsrs
viu ?! beber a vida rapido demais da nisso ! falta de arrrrrr.....rs

mto louco a construçao desse texto.
gostei.

bjssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 11/5/2009 05:18
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