Antes tudo era Branco. A ausência de cores que tornara pura esta paz delirante. O Vazio. O Silêncio. Olhos cerrados que nada sentem, faltava algo... Desta Brancura deveria nascer algo maior. Desta brandura há de surgir alguma coisa, mesmo que leve, breve, ou quem sabe audaz e nervosa. Assim, do Vazio, pouco depois não tardou a raiar o Negro. Preenchendo sutilmente o essencial - a nós a imensa necessidade de nos completarmos, mais e mais, mesmo que nos estouremos pelas paredes outrora também brancas - o Negro é o caminho. O Negro, em sua maestria, denota tudo. E de sua manifestação, assume formas, desenhos simples sobre algo legível aos olhos humanos. Sua manifestação é a dança. E ela vai lenta e hesitante. Mas, afinal, o que se desenha em Negro nestes passos cheios de ritmo? Vê-se, enfim, o Poético. Arrastando a ponta da caneta de tinta preta observamos o belo ato da concepção das Palavras antes enclausuradas na caixa craniana. Agora percorrem os olhos, as mãos, e escorrem de forma completamente libertadora! Pela brancura do papel do autor. E tais Palavras vão assim preenchendo levemente em um sussurro de idéias. Queremos manifestação do pensamento. Ouçam! ... Nada? Quem sabe um dia. Quem sabe um dia nestes papéis enfeitados com tinta preta ainda nasça algo mais. De repente o suspiro do que fora escrito outrora possa um dia ser ouvido. Acreditado. Quem sabe um dia tais Palavras possam saltar de onde estão (ou mesmo possam gritar!) e ir furiosamente de encontro àqueles os quais são destinados! Que nada seja em vão! Ah, suspiros..!
Luciana,
Belíssimo!
Marluce
De novo, hoje, pensando em Drummond. Lembrei-me de um poema que ele fez para Cândido Portinari (A mão), onde define de forma magistral o que é o ato da criação: transformar dor em flor, conhecimento plástico do mundo... E o próprio Drummond também percorreu as impurezas do branco...
Beijo grande.
obrigada Marluce e Cida!
Cida, fiquei curiosa em relação ao poema de Drummond mas não encontrei na internet! gostaria muito de ler.
opa parece-me uma alusão ao processo de escrever e sobre a poesia e suas atribuições
eric renan ramalho · Belo Horizonte, MG 28/4/2007 12:41
Muito bem, que beleza de texto, Luciana! Foi uma bela disertação sobre a palavra que sem dúvida é uma das ferramentas mais importante do poeta. Parabéns.
Carlos Magno.
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