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Concreto é amar um horizonte aberto

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Juliaura · Porto Alegre, RS
18/10/2008 · 90 · 8
 

Verde que te quero verde
Azul que te quero azul
Lua que te quero aluando
Sol que te quero ver da orla
Morro que não me mate agora
Sorvo amargo contraste da hora
Viceja a cupidez no cimento
Concretam um horizonte de raros
Empilham-se torreões mais caros
Tostões no bolso de uns poucos
faltam peixes sobram tubarões

Sobre a obra

Um pôr do sol
um horizonte limpo
um lago sem mais tanto
esgoto cloacal direto
uma orla de todos
Pouco para uns poucos
demasiado para milhões

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Juliaura Bauer
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Compulsão Diária
 

Poeta é saber fazer do sofrimento pessoal e coletivo um poema gracioso e ao mesmo tempo de denúncia. Gostei, Bonita!

Compulsão Diária · São Paulo, SP 16/10/2008 08:03
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Benny Franklin
 

Pelo ótimo poema, receba um abraço amazônico.
vede-me Verde que te quero bem.
Boa, JU.

Benny Franklin · Belém, PA 16/10/2008 08:29
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Juliaura
 

Grata, Benny.
Agradecida, Compulsão.

Juliaura · Porto Alegre, RS 16/10/2008 14:05
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Saramar
 

É a regra, é a ríspida forma de viver que os sapiens construíram.
Ainda bem que existem os poetas para chorar sobre as calçadas de cimento, túmulos da humanidade, antes um sentimento e hoje, um coletivo homicida.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 16/10/2008 23:07
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Compulsão Diária
 

Compulsão Diária · São Paulo, SP 18/10/2008 08:12
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

muito bom.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 18/10/2008 11:48
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EdimoGinot
 

De fato. Os tubarões estão por aí.
Alguns em forma humana, sorrateiros....
Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 18/10/2008 12:17
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Juliaura
 

Deu no Correio do Povo de Porto Alegre

VENDA DE DOAÇÕES

O grande pensador Jean-Jacques Rousseau era bom de frases. Um dia, saiu-se com esta: 'A gente sempre sabe o que se ganha com o progresso. O problema é saber o que se perde'. Tradução: cuidado com a sacanagem! A modernidade é uma serpente especialista em autopromoção. Essa imagem é de péssimo gosto. Assim como certas manobras para iludir a plebe. É costumeiro que, em nome do desenvolvimento e da criação de preciosos empregos, o Estado doe um terreno para que uma empresa privada se instale. Passam-se os anos e a dita empresa entrega os pontos. Aí surge um novo e sensacional projeto para a mesma área e, embora contrariando interesses coletivos, defende-se o livre uso do espaço em questão por ser uma propriedade privada. O ciclo é claro e recorrente: o público vira privado pelo bem comum. Depois, o bem comum deixa de ser atendido por ser considerado anacrônico colocar o interesse público acima do bem privado.
Recebi um número tão grande de e-mails sobre a questão do Pontal do Estaleiro que não pude sequer responder a cada remetente. A leitora Néia Uzon, porém, enviou-me uma informação que precisa ser compartilhada, ainda mais que ela fala 'na condição de quem já coordenou a área de patrimônio do município de Porto Alegre'. Os seus dados provam o funcionamento desse ciclo da serpente que privatiza pelo bem público: 'Toda a área da orla (da Ponta da Cadeia à Ponta do Melo e desta à Ponta do Dionísio) foi doada pelo Estado do RS ao município de Porto Alegre. Na época, corriam tratativas para a doação desta área à empresa Estaleiro Só S/A por parte do Estado, e a orla veio ao domínio do município com a condição de essa doação ter continuidade. A Procuradoria do município elaborou a minuta do projeto de lei autorizativa, bem como da escritura de doação ao Estaleiro Só S/A, com cláusula de reversão ao patrimônio público em caso de desvirtuamento das finalidades, doação ou falência da empresa. Sabe o que aconteceu?'.
Isto: 'Veio uma carta do então governador do Estado ao prefeito ordenando que a doação fosse feita sem qualquer cláusula de reversão (o que é de praxe, por motivos óbvios, em doações de áreas públicas) por 'MOTIVOS DE SEGURANÇA NACIONAL'. Eram os anos de chumbo, prefeito nomeado, mandava quem podia e obedecia quem precisava... E agora? Qual é a desculpa do prefeito para não ter invocado vício de iniciativa? Se a moda pega, lá se vão os (poucos) limites que ainda mantêm um mínimo de moralidade na condução da questão urbana. Assim sendo, o município ou o Estado deveriam ter recomprado algo que era do povo desta cidade e que foi doado para 'preservar a segurança nacional', coisa que até hoje não consegui entender nem engolir. Em que a privatização de parte da orla ao Estaleiro afetava positivamente a segurança do país? A administração pública é um troço kafkiano. Agora só nos resta espernear. E vamos continuar esperneando até o fim porque até paciência de contribuinte (que parece não ter fim) tem limite! Obrigada pelos teus artigos!'.
A proverbial falta de memória dos brasileiros quase sempre ajuda a enterrar detalhes que atrapalham a 'marcha inexorável do progresso'. Há sempre alguém, no entanto, para lembrar o que deveria ser esquecido pelo bem dos que adoram os bens públicos com tanto apego que os pegam para eles. Será que recordações desse gênero incômodo não influenciam os votos dos vereadores de Porto Alegre?

juremir@correiodopovo.com.br

Juliaura · Porto Alegre, RS 14/11/2008 10:59
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