Conjecturas

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Vanessa Anacleto · Rio de Janeiro, RJ
12/9/2008 · 108 · 12
 

Mais Viriato pensasse, menos entenderia. A cabeça já dolorida não parava de maquinar. Afinal de contas, por que motivo as pessoas insistem em olhar para os outros esperando atitudes preconcebidas? A resposta de que a psicologia explica isso como sendo normal, não serve. Dizer simplesmente que os seres humanos constróem padrões de comportamento estanques, vivem tentando encaixar aqueles com quem se relacionam nos tais padrões e , como as pessoas são sempre diferentes umas das outras, o caos está formado, não adianta.

Não adianta porque Viriato imaginou que Ana Lúcia já tivesse entendido o tipo de pessoa que ele é, com seus defeitos e qualidades como todos os outros mas, sem a deficiência tão temida da dissimulação, da manipulação e do caráter dúbio. Estava sempre sendo acusado desse tipo de coisa pelo simples motivo de que de fato existem pessoas assim no mundo e, uma vez sedimentada esta premissa , ele haveria de se encaixar no perfil.

Com base nisso bastava abrir a boca e contrariar sentimentos e opiniões para ser acusado dos crimes citados. Acusado , julgado, condenado. Tudo por hipótese. Só a pena era concreta: maus tratos verbais.

Por que as pessoas agem assim? Por que desconfiam tanto do que dá certo? Será culpa cristã? Será culpa ou medo de ser feliz? Ao diabo com os psicólogos. Ana Lucia não é neurótica ou , ainda que seja, não é a única neurótica no mundo de hoje.

Por que as pessoas agem assim e magoam uns aos outros depois de acordarem de mal com a vida Viriato não vai entender tão cedo. Resolve então tomar uma aspirina. Ajustar-se ao molde de gesso de Ana Lúcia é a tarefa a seguir. E sente que a escultura sairá capenga.

* Meras conjecturas baseadas em observações cotidianas.

Sobre a obra

Afinal de contas, por que motivo as pessoas insistem em olhar para os outros esperando atitudes preconcebidas?

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Publicado no blog Fio de Ariadne
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Meras conjecturas baseadas em observações cotidianas.
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Marcos Pontes
 

Seu escrito de maior teor psicológico que já li. Quem não questiona, segue a maré com suas dores, neuroses e incertezas. A pergunta traz respostas, mesmos as erradas, o que não deixa de ser um caminho a se seguir.
Muito bom, como de praxe.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 9/9/2008 19:58
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Marcos Pontes
 

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 11/9/2008 15:09
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azuirfilho
 

Vanessa Anacleto · Rio de Janeiro (RJ)
Conjecturas
Puxa vida um Trabalho muito bacana porque poucas vezes na vida a gente faz essas conjecturas baseadas em observações cotidianas sem se perceber a qualidade das atitudes.
Vocé deu uma grande dica .
parabéns.
Abração Fraterno

azuirfilho · Campinas, SP 11/9/2008 22:17
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Doroni Hilgenberg
 

Oi Vanessa,

Verdadeiro o seu texto,
as conjecturas destroem as bases
deixando-as capengas.
bjssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 11/9/2008 22:25
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Juscelino Mendes
 

Karl Popper chamaria tudo isso no mundo da ciência de "Conjecturas e Refutações", mas como está no mundo
dos sentires, fiquemos mesmo no terreno das hipóteses.
Maravilha de escrita.
Bj

Juscelino Mendes · Campinas, SP 11/9/2008 22:32
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delen
 

Belo texto refletindo , votando e gostando , parabéns . bjs...

delen · Cotia, SP 12/9/2008 02:39
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clara arruda
 

conjecturas à parte...Adorei seu texto.
deixo meu carinho.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 12/9/2008 07:54
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Cintia Thome
 

O tentar esperar receber já quase inexiste...
Ótimo texto.

Cintia Thome · São Paulo, SP 12/9/2008 10:00
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Vanessa Anacleto
 

Leitores como vcs enchem a escritora de felicidade. Muito obrigada pelos comentários.

abraço

Vanessa Anacleto · Rio de Janeiro, RJ 12/9/2008 13:24
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Circus do Suannes
 

Grande texto. Aliás, o relacionamento humano presta-se a tudo quanto é manifestação literária. Não nos esquecemos de que cada um de nós é, naq vcersdade, três: aquele que ele pensa que é, aquele q

Circus do Suannes · São Paulo, SP 13/9/2008 11:45
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Circus do Suannes
 

Grande texto. Aliás, o relacionamento humano presta-se a tudo quanto é manifestação literária. Não nos esqueçamos de que cada um de nós é, na verdade, três: aquele que ele pensa que é, aquele que o outro pensa que ele é e aquele que efetivamente ele é. Como um relacionamento pode dar certo? Milagre!

Circus do Suannes · São Paulo, SP 13/9/2008 11:49
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Vanessa Anacleto
 

Seguimos acreditando em Milagres, não é, Circus ? Abração e muito obrigada

Vanessa Anacleto · Rio de Janeiro, RJ 13/9/2008 17:52
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