Uma andorinha pousou
no meu poema na tarde
em declinio
onde os automóveis
( monstros de ferro)
carbonizam pulmões
com seus escapamentos
infames.
Há um sol de fôgo
crestando a tarde.
Nessa hora Mozart
não afinaria seu piano
e nem Picasso pintaria
miúras de três olhos.
Nas esquinas mendigos
assistem a vida
escorrer lânguida
enfadonha.
De pé á porta
do Café do Pina
assisto o suicidio
das horas
e o tempo
parece coagular
a cidade.
Entre as árvores,
o jardim
onde demônios
alados
(guardiães da tarde)
buscam alcançar
a rosa
para esmagá-la
a rosa
tão simples
tão meiga
tão dúctil.
Que espécie de tarde
é essa?
Que inventa demônios
para solapar a rosa?
Decisivo o sol
se põe sobre
a cúpula
do Teatro Amazonas
e eu plantado
nesta esquina
de tempo
tento em vão
evitar os estertores
da tarde
tecendo costuras
de sol.
Café do Pina era o local que nas décadas de 60 e 70 os intelectuais de Manaus se reuniam todas as tardes.Lá estavam os poetas Jorge Tufic, Elson Farias, Farias de Carvalho, Luiz Bacellar,Anibal Beça, este iniciando, os contistas Artur Engracio, Aluisio Sampaio e outros da geração Clube da Madrugada.
Oi Julio,
Por falta de companhia, nunca fui ao Café do Pina, e nem fre mas já encntrei
Julio,
Desculpe, que o texto voou incorreto
Belo poema
onde a poesia canta e encanta
sob o sol das esquinas e do Teatro Amazonas.
Por falta de companhia, não frequentei o Café do Pina e nem o Clube da madrugada. Existe ainda?
Mas conheço a metade das pessoas de quem vc fala acima. Ótimos poetas. Frequento as quartas culturais, promovida pelo Tenório Telles. Já foi?
bjssssss
Olá Julio,
eu suspeito que o Café pina, ainda deva ser bem frequentado pelos poeats contemporãneos. Uma andorinha pousou e me disse que te viu por lá, hehe.
beijos
Julio, que leitura agradável e bela!
Lembrou-me Álvaro de Campos e aquelas tardes de Lisboa, porém com mais alegria.
Gostei imensamente!
beijos
Julio
Teu poema descreve com tanto realismo e com tanta verdade esta tarde vermelha, que eu me vi aí, à porta do Café do Pina, agonizando, junto com o sol e a rosa...
Lindo.
Beijos
Obrigado a todos pelos comentarios. E a Doroni quero dizer que conheço o Tenório. Resido atualmente na cidade de Fortaleza-Ce, a loura desposada ao sol do poeta Paula Ney.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 8/9/2008 19:08
ei meu caro...belíssimo poema...
me parece lindo o entardecer em sua cidade...
um abraço.
publicando
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