Conto da Mão Suja

g1.globo.com
1
Pedro Monteiro · São Paulo, SP
3/11/2007 · 156 · 36
 


Era uma vez um homem muito sabido, mas infeliz nos negócios. Já estava ficando velho e continuava pobre como ele só. Pensou muito em melhorar sua vida e resolveu sair dizendo-se adivinhão. Dito e feito. Arranjou ama trouxa com seus pertences e largou-se mundo afora. Depois de muito andar chegou ao palácio de um generoso rei e pediu licença para dormir. Quando estava ceando o rei lhe disse que o palácio estava cheio de ladrões astuciosos. Vai o homem e se oferece para descobrir tudo, ficando um mês naquela beleza de palácio. O rei aceitou. No outro dia o homem passou do bom e do melhor e não descobriu coisa nenhuma. Na hora de cear, quando o criado trazia o café, o adivinho exclamou, referindo-se ao dia que passara:

- Um está visto!

O criado ficou trêmulo de tanto medo, porque era justamente ele um dos larápios. No dia seguinte veio outro criado ao anoitecer e o adivinhão repetiu:

- Dois está visto!

O criado, também gatuno, empalideceu e atirou-se de joelhos, confessando e dando os nomes dos seus cúmplices. Foram todos presos e o rei ficou muito satisfeito com as habilidades do adivinho.
Dias depois roubaram a coroa do rei e este prometeu uma grande riqueza a quem adivinhasse o ladrão. O adivinho reuniu todos os criados numa sala, onde também estava um galo dentro de um cesto coberto por uma toalha. Depois explicou que todos deviam passar a mão nas costas do galo. O ladrão havia de ser denunciado pelo canto do galo. Todos os criados dispostos em fila passaram a mão. O adivinho cada vez que alguém ia por o braço dentro do cesto, fazia umas piruetas e dizia em voz alta:

- Adivinha! Adivinhão, a mão do ladrão!

Todos acabaram de fazer o serviço e o adivinho mandou que lhes mostrassem a palma da mão. Dois homens estavam com as mãos limpas e os demais, sujas de fuligem.
- prendam estes dois!
Os larápios foram presos e a coroa foi recuperada. O adivinho explicou a manobra. O galo estava coberto de tisna de panela, emporcalhando a mão de quem lhe tocasse nas costas. Os dois ladrões não quiseram arriscar a sorte e por isso fingiram apenas que o faziam, ficando com as mãos limpas.
O rei deu muito dinheiro ao adivinhão e este voltou rico para sua terra.

Salve o conto, salve o vento, instigando o pensamento...

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Extraído e adaptado , das páginas 315 e 316, da coletânea de Contos Tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo.
Por: Pedro Monteiro
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j.alves
 

Muito bom Pedro, abraço

j.alves · São Paulo, SP 3/11/2007 00:02
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Pedro Monteiro
 

Muitissimo obrigado meu caro J. Alves.
que bom você ter gostado,
Um grande abraço

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 00:18
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ILZE SOARES
 

Pedro, legal esse conto, bem elaborado. Adorei!! A conclusão foi excelente, "grande adivinhão!!!"
Parabéns!!
Volto para votar.
bjo

ILZE SOARES · Salvador, BA 3/11/2007 01:29
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ILZE SOARES
 

Aliás, acabei de votar!!!

Bjo

ILZE SOARES · Salvador, BA 3/11/2007 01:30
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Pedro Monteiro
 

Ilze!
Muito obrigado,
o conto contribui eficazmente para a formação do carater.
Um grande beijo

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 01:44
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Saramar
 

Olha, menino, adorei o conto.
Ele não era adivinho, mas um bom conhecedor de certas "almas".

beijos

Saramar · Goiânia, GO 3/11/2007 02:15
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Pedro Monteiro
 

Saramar, minha querida!
Como fico feliz por você ter feito este poético comentário.
Um grande beijo

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 02:43
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Branca Pires
 

Olá Pedro!
Gostei do conto. Foste perfeito do ainício ao fim.
Dizem que "qume conta um conto aumenta um ponto"...
Obrigada pelo convite.
Parabéns.
Abçs

Branca Pires · Aracaju, SE 3/11/2007 08:19
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Pedro Monteiro
 

fico muito honrado com seu comentário.
Olá Branca!
Quanta riqueza amiga, o conto popular além de revelar infomação histórica, sociológica, etnográfica, jurídica e social é, um documento vivo, denunciando costumes, idéias, mentalidades, decisões e julgamentos.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 10:02
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Branca Pires
 

Obrigada Pedro. Mas desconsidere os erros de digitação. foram muitos.

Branca Pires · Aracaju, SE 3/11/2007 10:09
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Cintia Thome
 

Pedro muito bom...Conto que define o que é vergonhoso ou não ao ser humano...
Voto.abç

Cintia Thome · São Paulo, SP 3/11/2007 10:32
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Pedro. Já ri pra caramba. Não conhecia esse seu lado "formador de cárater". Obrigada por ter me adicionado como um dos seus colaboradores, mas discordo, você é que é meu colaborador de primeira. Obrigada por ter me chamado. Chame sempre!
Grande abraço,
Elizete

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 3/11/2007 10:36
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Pedro Monteiro
 

Cíntia Querida!
Salve o conto, salve o vento, instigando o pensamento...
Muito obrigado pelo comentário e pelo voto.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 10:41
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Pedro Monteiro
 

Olá Elizete!
Estou muito agradecido por suas consciderações, sempre bem humoradas, gosto muito do que escreves.
Com o advento da televisão e outras modernidades, tem se perdido o hábito de contar histórias, o que é uma pena.
Por vezes quando uma criança chora, liga-se um aparelho eletrônico para consola-lo.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 12:31
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Pedro Monteiro
 

Quanto a você, Branca.
E que natureza, artes, vida, e também outras paixões, sejam constantes, em todos seus momentos.
beijos

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 3/11/2007 13:28
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victorvapf
 

Pedro, leva este galo pra Brasilia! Parabens victorvapf votado!

victorvapf · Belo Horizonte, MG 3/11/2007 17:11
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Lígia Saavedra
 

Parabéns, Pedro! Seu conto está muito bem contado.
Gostei e ouça a opinião do meu amigo Victor aí em cima.
Votado.

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 3/11/2007 19:27
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Pedro Monteiro
 

Muito obrigado Victor!
Com tanto edito, leis, regimento interno e Externo, meu galo jamais conseguiria entrar em Brasilia.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 4/11/2007 09:20
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Pedro Monteiro
 

Olá querida Lígia!
Mando-te fragmentos do poema direito de sonhar do Eduardo Galeano:
"Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar. Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas. Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas. Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos. Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas".
Grande Abraço.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 4/11/2007 09:40
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Marcela Ximenes
 

Ei, Pedro! Gostei de ter recebido teu convite. Gostei ainda mais do conto. Como tem gente querendo ser esperta, hein?
Abraços,

Marcela Ximenes · Porto Velho, RO 4/11/2007 18:41
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Pedro Monteiro
 

Salve Marcela!
Muito obrigado por sua concisão.
"Ouço os antigos dizerem, que os bichos na antigüidade, falavam como falamos, e tinham civilidade, naqueles tempos os humanos, não tinham tanta maldade".
Abraços.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 5/11/2007 21:55
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Fátima Rocha
 

Olá Pedro!
Que bom que você viaja nos contos populares...
Beijos.

Fátima Rocha · São Paulo, SP 5/11/2007 22:49
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Pedro Monteiro
 

Fátima, muito obrigado por sua participação.
Era uma vez uma linda colibrí que vivia presa em uma poderosa gaiola, protegida por telas enorme, não conseguia ver o mundo real......

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 6/11/2007 21:46
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Georgina Maria
 

Pedro!
Só mesmo os urubus para tanto estômago.
Parabéns, teu conto ficou muito bom.
beijo

Georgina Maria · São Paulo, SP 10/11/2007 18:52
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Pedro Monteiro
 

Olá Georgina!
Muito obrigado por seu comentário.
Viva! Viva! À natureza!!!

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 10/11/2007 19:57
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anamineira
 

Pedro, vou contar essa história para minha neta.
Gostei muito. Conte mais.
Um abraço mineiro.

anamineira · Alvinópolis, MG 16/11/2007 14:55
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carlos magno
 

Mas isso ainda acontece hoje em dia em grandes palácios de homens poderosos que roubam,roubam e saem sempre de mãos limpas porque nenhum deles tocam as costas do galo. Meus sinceros aplausos pelo belo conto e abraços amigo.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 18/11/2007 00:36
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anamineira
 

Pedro,
Como falei acima, contei a história para minha neta. Além de passar para ela um grande ensinamento, conseguimos alguns momentos de prazer e interação. Observei que a criança precisa desses momentos, principalmente nessa idade, onde elas ficam muito lidadas no computador ou na mídia.
Parabéns. Votado.

anamineira · Alvinópolis, MG 18/11/2007 08:54
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Pedro Monteiro
 

Carlos meu amigo!
Você tem toda razão.
Eu te agradeço pela visita.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 18/11/2007 22:03
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Pedro Monteiro
 

Ana que maravilha!
Fico imaginando você fazendo o que poucos fazem nos dias de hoje.
é fugir do convencional, é um gesto inovador e nobre.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 18/11/2007 22:08
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Fátima Rocha
 

Pedro, eu voltei para dizer que este conto escancara o que tem de pior nos humanos.
Tinha faltado.
Beijos

Fátima Rocha · São Paulo, SP 21/11/2007 23:08
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Pedro Monteiro
 

Fátima, mais uma vez, e com muito prazer, te digo Obrigado.
bjs

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 21/11/2007 23:26
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Georgina Maria
 

Pedro!
Obrigada por ter me adicionado como uma de suas colaboradoras.
Um grande Beijo

Georgina Maria · São Paulo, SP 24/11/2007 16:27
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Pedro Monteiro
 

Olá Georgina Maria!
Eu é que lhe agradeço, e foi com muito prazer.
bj

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 25/11/2007 12:27
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pedro paulo
 


Pedro, por vezes me pergunto, é a má índole, que faz o individuo se candidatar ao parlamento? ou será que é lá que ele se transforma? São tão poucos os que escapam da bandalheira, que realmente fico na dúvida.

pedro paulo · São Paulo, SP 16/12/2007 13:54
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Pedro Monteiro
 

Pois é! Pedro Paulo, eu também tenho minhas dúvidas, talvez sejam as duas coisas!
Uma não elimina a outra.
Muito obrigado por seu comentário, e receba um grande abraço.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 19/1/2008 00:53
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