Antes de partir, não disse nada. E se voltou o olhar para esquerda, foi pouco. Ali, onde ainda pisava, já não estava mais.Os passos arrastavam sua longa saia que com o cair da chuva não se enxergava mais o mesmo branco. Branco úmido, que agora também se encontrava o vermelho que escorria das flores e de qualquer outra cor que se acumulava ao andar de cada passo. A rua parecia empurrá-la para onde em uma hora, poderia assim talvez chegar. Não havia procura. Nem uma paragem. Já era noite, e o trajeto insistia ao brilhar no asfalto molhado. Agora não resta mais nada é só seguir.
Vá em frente, moça! Confie em mim. Alguém procurava distraí-la com vozes primeiramente inocentes. Enquanto por uma próxima esquina apareceriam outros pequenos, que logo rodopiaram em sua volta, cantarolando com mínimos brinquedos que piscavam em suas mãos. A quem olhava, parecera uma dança, talvez. Já era noite, e não mais chovia. Os olhos continuavam fixos e sem chances de qualquer outro olhar. Os lábios permaneciam apertados e as mãos ainda carregavam o papel de levantar a longa e pesada saia que não mais era branca e úmida. Então, já não possuía apenas a mancha vermelha de flores e de outras mais somadas ali. Havia o peso de sua saia, carregada em água, cores, flores, desejos, ilusões...
E agora, a cada andar daquela rua começariam a se deixar esses desejos, dispersas então seriam as ilusões e essas cores, possivelmente retornando ao preto e dando as mãos a um novo branco, como esse fundo agora, onde escrevo esse conto pra ti.
Milene,
Muito bom!
Pode contar que eu leio!
Marluce
Putz, muito bom mesmo.
Há que se louvar quem consegue escrever com tamanha delicadeza e poesia.
Já te adoro.
AH, e passiei pelo seu Blog e também adorei, moça-dona das letras.
Putz novamente, a conjugação 'SERTA' seria "passeei" , mas fica tão Quasímodo que prefiro corrigir a frase:
AH, e deu um passeio... pronto! Nada de 'Pasquales Cipros Netros' infernizando meus sonhos a noite inteira.
"Ah, e dei um passeio..." - estou precisando de um revisor para meus textos. Nunca errei tanto em minha vida.
Talvez seja a emoção de ler tão edificantes linhas.
Beijos novamente,
uhauhaha
muito bom...
sr. simpatia, prazer!
C'est un plaisir aussi.
Bienvenue, ma cherrie.
(Viu? O Simpatia também é troglodita! Sibilota, sei lá.)
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