CAPÃTULO DOIS
Fora numa tarde de setembro, que se conheceram... Nem era difÃcil relembrar...
Ou fora pela manhã? Ele apareceu diante das grades do portão e bateu palmas lá da calçada mesmo. Ela atendeu. Ela não, quem atendeu foi dona Zilda, a velha que passava a roupa da casa, mas sempre atenta a tudo que acontecia ali. A velha atendeu primeiro.
Não sabendo por que, Maria Lindaura apareceu à janela. Podia ser o carteiro, podia ser o verdureiro, podia ser o menino do açougue. Podiam ser tantos!... Ela pouco atendia à porta, mas agora se enervava ao ver dona Zilda atendendo.
Por que aquela súbita ansiedade?
Era um moço moreno. Não era alto, nem loiro, nem tinha olhos verdes como os prÃncipes montados em corcéis fogosos daquelas fantasias adolescentes. Não era bonito como aquele ator de seu filme preferido. Tinha orelhas grandes, meio abanadas, à la Clark Gable. O rapaz tinha um papel na mão, uma ficha, e perguntou:
- É aqui que mora a Maria Lindaura?
Ele vendia coleções de livros. Ela estudava magistério, cursava o último ano no colégio das freiras. Ela usava um short curto, estampado com as cores da bandeira norte-americana, que só mais tarde, por influência dele, passaria a detestar (a bandeira, não os shorts curtos). Ele ficou admirando suas coxas, e, por mais que tentasse disfarçar, ela soube, ele admirava suas coxas, ao mesmo tempo em que tentava argumentar sobre as excelências de sua coleção. Tão perturbado estava que nem se lembrou de pedir para entrar, e iniciou suas argumentações de venda ali mesmo, na calçada! Maria Lindaura alegrou-se intimamente, sabendo que eram suas pernas que o embaraçavam.
CAPÃTULO TRÊS
Havia seis anos que Joaquim morrera! Como a morte nos pega de surpresa! Ele escorregara na cozinha, tentara se segurar na pia, tentara se segurar na porta da geladeira, mas não adiantou, caiu batendo a cabeça na quina da pia. Quina de granito!
Pia de granito. Fora ele que a construÃra. Do jeito que ela exigira. “Dá a volta aqui, rebaixa ali, e deixa espaço para um fogão de seis bocas! De seis bocas!â€
“De seis bocas, praquê, mulher? Praquê, se agora só nós dois moramos aqui?â€
Era verdade, agora só moravam os dois, o filho Lucas se casara.
“Quantos anos esperei para ter uma casa boa, uma cozinha moderna e uma pia de granito?â€, retrucara, brava.
“Tão cego à s minhas necessidades!...â€, assim era Joaquim, pensou Maria Lindaura, mas sabendo que ele faria tudo para agradá-la. “Ai, meu Deus, eu tenho que cuidar de tudo!â€, pensou ela, de novo.
Continua...
seu texto é ótimo amigo.parabéns.
depois eu volto.
Bela concatenação de idéias neste texto. Muito bom. E é carnaval...
Juscelino Mendes · Campinas, SP 23/2/2009 13:00E o capÃtulo I, Paiva? Está com o Onivaldo? Aonde?
Juscelino Mendes · Campinas, SP 23/2/2009 13:17
Onivaldo,
este conto traz lembranças de um tempo bom e jamais esquecido.
Pena não ter acesso ao primeiro capitulo
bjs
Será que errei? Acho que basta baixar [fazer download] que o primeiro capÃtulo aparece.
Também não sei se agi corretamente ao tentar publicar aqui no overmundo este conto em capÃtulos. E pq fiz isto? Pq me parece que TEXTOS MUITO LONGOS... cansam e não é do agrado de quem visita. Será que me enganei? Este conto tem umas dez páginas. Creio que a concisão não é uma das minhas virtudes, infelizmente... É com certeza um defeito de estilo isto de ser prolixo.
Ou será que os visitantes teriam paciência para ler o conto inteiro, se tivesse mais qualidades que defeitos?
Aguardo comentários...
Ah, quem desejar ler o conto todo duma vez basta se manifestar aqui que enviarei.
Onivaldo, também escrevo textos longos. Acho que quando o material é bom o pessoal lê. Nunca publico um conto em partes. Acho que perde o entendimento do todo. Mesmo longo, eu o publico inteiro.
O que estou publicando em partes, mas cada parte é completa, são as aventuras da minha personagem dona Sarita. Também ainda não cheguei à conclusão se os leitores a acompanham ou não. Mas é uma experiência. Convido-o a ler sua última aventura, que está em votação, Fim de Linha.
Abração, Ivette G M
Olá,Onivaldo!!!Prazer!
Gostei muito do seu conto,fiz o download e li os três capÃtulos!
Um texto bastante descritivo,que nos faz visualizar cada detalhe do que está sendo narrado...das orquÃdeas, por exemplo, um show de cores! Muito gostoso de ser lido...suave e poético...parabéns!
Um beijo azul...
Blue
...e é sensual sem ser apelativo. Gostei mtooooooo
(acho q passarei a usar mais shorts, rs)
bjsssssssssss;)
Ivette acho que tenho vocação é para escrever novelas: encomprido demais a narrativa.
Blue fiquei deliciado com seu comentário. Obrigado.
Cláudia apareça de shorts e.... rsrs...
Doroni faça o download e lerá os três capÃtulos
Estou num cyber porque um raio queimou em PC ...
Prometo que vou ler assim que consertar minha máquina
abraço
Que raio! Ô droga, né, dr. Ivan! Mas sua visita valeu! Arrume logo este PC, e quando voltar ao seu escritório de Advocacia, lembre-se de retornar aqui e ler o meu Relembranças...
Obrigado
Amei! Parabéns!
Voltarei para votação!
Abraços!
Onivaldo,
não se apoquente não, véio, li tudo. E por capÃtulos é melhor. Muito longo dá gastura. Abraços.
Um texto primoroso digno dos grandes contista eu diria. Preciso ler todo o complemento. Valeu e parabens voto com prazer...jc
José Cycero · Aurora, CE 24/2/2009 21:26
Juscelino, meu véio filósofo kafkiano, tou apoquentado (eta palavrinha difÃcil, sô!) é com a votação! Meu "público" é pequeno, embora seleto e de primeira classe, como você e a turminha aà de cima. E as horas vão passando e pelo jeito esta minha Relembrança não passará... rsrs... Agora entendo porque não me candidatei deputado: não foi por asco à classe, foi por não ter pendores para cabalar votos e, difÃcil admitir, pode até ser que este conto, que já veio mal capitulado, mereça mesmo é ficar na gaveta.
Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 24/2/2009 22:07
Bridgi Vitti, moça bonita lá do Rio Claro, cidade onde estudei... Você embelezou esta página. Eu te amo! Ah, quro dizer: e aquela sua linda poesia, Eu me amo? hã?
"Só agora descobri / O que é ser feliz..." foi com sua visita!
José CÃcero você nem imagina o quanto me deixou honrado com sua visita! Tenho lido comentários seus por aÃ, noutras páginas, e fiquei invejoso com sua lucidez e capacidade de enxergar detalhes que abrilhantam os textos de seus amigos. Apareça sempre, mesmo que com Pedregulhos, sua Ausência será sentida.
Ah, aproveito para lhe dizer: aquele seu QUEM SOU... Cara! É coisa prum Fernando Pessoa babar de inveja!
Doce Ana Néri, “ O mar continua ali / Revolto...â€
E eu, cá, “Por vezes manso... / Por hora... / Sereno, tranqüilo.../
Mas insisto em esperar alguém... / Quem sabe o outono... / Quem sabe...
Agradeço sua visita!
Esperaremoso capÃtulo quatro para acompanhar a saga! Vai sair um romance?
raphaelreys · Montes Claros, MG 25/2/2009 06:01
Isso é ser romancista de mão cheia...espirito leve...e criteriosa/mente perfeito.
adorei ! ahhhhhhh sim de short aqui , vai q outro mineiro bate à minha porta, rs
tinha q ser mineiro uai !
bjsssssssssssss;)
Como relembrei, voltei para votar.
Abração, Ivette G M
Olá Onivaldo... fui lá, baixei e li tudo. Achei a personagem muito boa, muito boa mesmo. Espero pra ler os outros capÃtulos.
Você escreve muito bem, com uma caracterÃstica dos que delineam personagens como esculpem esculturas que ficaram marcadas aos olhos de quem vê. Parabéns! Acho que o caminho de não preocupar-se com a publicação e ir construindo aqui seu espaço aos poucos é o melhor. Você é um escritor daqueles que gostamos de acompanhar e acompanhamos. E quem não acompanha... ou é ruim da cabeça ou... sei lá!
Abraços amigos
ops... corrigindo o verbo... na quarta linha: "ficarão" saiu ficaram. E você merece o português bacana, né?
Mari Tiscate · Rio de Janeiro, RJ 25/2/2009 11:32
raphaelreys, Guia e Guru nosso,
Se vai sair um romance? Vai! Vai, sim, mas lá entre os personagens de Relembranças... rs.. Porém, confesso ter uns cá guardados na gaveta. E, quando olho, esperançoso, para a Deusa Literatura, ela sai correndo, apavorada, e orando para que eu me esqueça dela, temendo que eu os tire da gaveta!
Grato pela visita.
Às Três Graças aà de cima, a Cláudia Campello, lá da calorosa Várzea, a Mari Tiscate, e a Raiblue: grato pelo apoio. Tive que firmar meus pés no chão para não sair voando, inchado de vaidade. (Já dizia o Capeta, o dono lá do Inferno [oi, gente, já leram o 5º Inferno, da Cláudia Campello? Leiam!], voltando ao Capeta: ele fala: "Ah, vaidade, eta pecadinho que eu gosto")
Mari,
escrever é, para mim, como que viver agarrado pelos TENTÃCULOS
da ambição de um dia poder, ao menos, engraxar os sapatos do Machado, o Casmurro, lá de Brás Cubas.
Mari, lá vou eu com meus longos e cansativos comentários:
Confesso aqui, de público, que mudei meu conceito sobre um julgamento que fiz, quando entrei no overmundo, e estranhei o fato de que um texto havia que passar pela avaliação dos demais membros. Fiz minha primeira postagem aqui, joguei na rinha o meu conto “Briga de Galosâ€. Então 48 h depois me chegou a msg: o conto não ia adiante. É, proibiram a minha briga de galos! Rs...
Aborrecido, resmunguei: “Que droga! Aqui há que formar uma “panelinha†do contrário a coisa não vai! Que diabos! Logo eu, entrar em panelinhas?!â€
Mas comecei a refletir e só encontrei então aspectos positivos! Sim: Não somente pelo tanto de novas amizades que fazemos, mas pelo fato de, PRIMEIRO: recebermos comentários que vão nos ensinando a melhorar, (tenho recebido, pelo correio privativo, muita ajuda, instrução e correções que andei fazendo), e até elogios que nos animam a seguir em frente.
SEGUNDO: Acabamos nos obrigando a ler textos de terceiros [desculpem-me por chamar esta turma caliente de “terceirosâ€...rs] o que nos enriquece e nos faz conhecer tantos textos realmente bons. Já guardo em minha memória, e por que não dizer, entre Meus Favoritos, muitos escritores daqui do overmundo:
A dona Sarita, da IVETTE, aquela senhora que está lá em BrasÃlia dando uns puxões de orelha na Aurélio.
As lavadeiras do RAFA, e a bebedeira de cagaita que ele tomou!
As Curvas Perigosas do kafkiano escritor, professor e filósofo, o JUSCELINO. [na verdade prefiro outras curvas que não as do Juscelino!!!]
E você, Mari, “Você veio vindo... “BONITAâ€, com seus TENTÃCULOS, “Abriu sua boca e disseâ€: “Você é um escritor.â€
E isto me basta!
MARI as pessoas que cá comparecem, com certeza estão visitando seus belos TENTÃCULOS, que está em edição, lá em sua página.
A DORONI Hilgenberg, de Manaus, escritora e pedagoga, a minha primeira leitora aqui. A Doroni que foi convidada por uma editora de livros didáticos que deseja usar seu poema "As estações do Ano" em um livro de ciências. Doroni, a mulher do LIVRO AMIGO:
“Voa, livrinho voa... / por estas plagas sem fim /
atravessa rios e oceanos / levando um pouco de amorâ€
O Wilson Marques, O NOVO POETA, que vive buscando “Realizar o sonho de criança e ficar igual aquele campeão de quando era menino.â€
A gaúcha ANA NÉRI, aquela que “Ama crianças, animais, a natureza e não consegue dormir sem antes olhar o céu, e ver tudo que tem lá!â€
Metida a poetiza, diz ela. Moça modesta: É.
Ana Néri Andrade, já reparou, Ana, que se pegar cada primeira letra de seu nome completo, forma o nome ANA? Bem que alguém podia lhe dedicar um acróstico!
A moça do beijo azul, Rai...blue...
“Musa ou medusa†e que me ensina que "Não o amor, mas os arredores é que valem a pena..."
Os arredores de mim...
Raiblue que “Com as pontas dos dedos / Tece mil e uma noites...â€
E tem a “Cama encharcada de sÃlabas nuas!â€
E que grita, audaciosa: “Que arranquem as farpas dos meus olhos!†“Sou a proa e o sem prumo.â€
A Bridgi Vitti de Rio Claro, aquela que deixou um seu amor partir para então descobrir o que é ser feliz. (me admiro que um sujeito desses, que tolo!, não tenha se jogado aos pés da moça, e exclamando: EU TE AMO!
A Bridgi que está em votação com o Eu me amo.
Enfim, GENTE QUE LI E ESTOU LENDO...
Puxa! Escrevi tanto que até fico com receio de que vocês não voltem mais aqui com medo de minhas loooongas respostas!
Ah, quem desejar ler (espero que todos) o Relembranças cap I a VI está em edição!
voltando e votando
sem temnpo para ler todo o conto
bjs
Tenho pra mim a teoria que Joaquim, o Breve, (que descanse em paz), nunca resolveu bem àquele primeiro encontro com Lindaura ao portão.
Acho que a imagem das coxas de Lindaura, lutando vigorosamente contra a bainha de seu apertado short ianque, tentando em vão se libertar daquele anel de pano, que as colocavam sob limites aceitáveis(ou quase), estava presente quando do infortunio da queda que vitimou o extasiado Breve.
Realmente, confesso, um pouco constrangido, que sei do que um par de belas coxas pode causar em Joaquins desavisados.
E dentre estes, certamente Breve foi um privilegiado.
Que viva para sempre o Joaquim, breve, mas de uma intensidade granÃtica !!
Onivaldo, foi um prazer encontrar seu texto na fila e dar os pontos para sua publicação.
Sem pc e usando uma lan house não puder salvar seu trabalho.
Parabéns.
BelÃssimo conto!Goste e votei.
Abração!
votando, um forte abraço amigo.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 26/2/2009 19:13
Oi Conterrâneo das Gerais.
Maravilha de texto abordando as contradições, os sonhos, a sensualidade e as esperanças do ser humano.
Luz e Paz. Abraços ayrumânicos amigo. jbconrado.
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