Conversa séria com Ernesto Che Guevara.

Do meu arquivo, com diplomata cubano nos anos 80, sentado após Carlos Araújo (d)
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Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
11/10/2008 · 126 · 22
 

Neoliberalismo é a moeda da podridão

Nesse oito de outubro,
Meu terno abraço, camarada
Nossos inimigos de ontem
Ainda hoje comprovam.
Por inépcia e desumanidade.
A justeza dos teus ideais.
A exploração do trabalho
Pela propriedade privada
Produtiva ou especulativa
Gerou demência mundial
Na sociedade, a falência.
Nos negócios até legais.
Alguns, poucos, raros...
Grandes seguradoras e bancos
Recebem dinheiro dos estados
(comitês executivos dos de cima)
É sangue e suor de multidões
Os aventureiros tão incapazes
Quanto gananciosos fraudam até a si
Agora pedem penicos, camarada.
Roubar o mundo todo é o objetivo,
Que os produtores paguem falências
Especulação. Correm por socorro
Banqueiros e farsantes à estatização
Negocistas privatistas arrombam bolsas
Sobrevalorizam a moeda podre, tontos
Capital do comércio fantasma, espanto
A usura restou no remanso, boiando
Furou o pneu da bicicleta do ano
Escapou a correia na descendente
É lomba abaixo e catraca, gente!
Minha mãe, já bem vivida,
Recomenda a quem o tenha:
Segure o rabinho
Do seu porquinho,
Com a mão, camarada
Em seguradora não.

(À memória do socialista Luís Paulo de Pilla Vares)

Sobre a obra

À memória do Che e de Luís Paulo de Pilla Vares, intelecutal socialista falecido essa madrugada em Porto Alegre
Doloroso momento.
Luís Paulo de Pilla Vares faleceu hoje 9.10. Será velado às 13 horas no crematório metropolitano, na Avenida Oscar Pereira, a cerimônia de despedidas ocorrerá às 20 horas.
Oportuno que se diga de Pilla Vares agora o que sempre disse a ele em vida. E que lhe agradeça tudo o que me permitiu aprender na caminhada com ele.
Era um intelectual de competência, que falava ao povo das necessidades das pessoas e das classes. Amigo, um trabalhador incansável e simples pela conscientização.
O acompanhei no sindicato dos jornalistas e mais tarde na secretaria da cultura do município e do estado, um pouco antes, no PT, para onde sempre insisti que viesse estar com outros socialistas que lutavam pela liberdade.

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Autoria
Adroaldo Bauer
Ficha técnica
Resenha breve dos últimos 40 anos.
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Maria...
 

para onde iremos??? às vezes tenho medo do futuro...

Maria... · Blumenau, SC 8/10/2008 22:27
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Adroaldo Bauer
 

Enquanto não me impeçam por definitivo, e que não esteja só, irei sempre com os de baixo, solidariamente, para a esquerda. Um passo após o outro , que seja, e, se possível, um salto com a multidão, para a luz e em paz, jamais na escuridão! Felizmente, prova-se, a história nãp tem fim, apenas encerra-se o capítulo mais bufo de toda a drámatica exploração do trabalho. O superpateta não salvará o planeta.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 9/10/2008 01:13
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Compulsão Diária
 

Adro, tri parceiro, texto esperto . gosto da forma, da sonoridade,. quanto ao che sei lá..mil coisas. sério? Sei lá, de verdade.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 9/10/2008 07:27
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Adroaldo Bauer
 

Também, nem na época nem agora, Cedê, fui partidário da luta armada de libertação, prefiro a mobilização consciente dos que na sociedade, os de baixo, sofrem a exploração.
No entanto, a ordem vigente impota pelos de cima é injusta é violenta, e tem lá suas formas armadas de se defender.
Eu não sou de modo algum religioso, penso, mas inclusive o papa João paulo II, que esteve longe de ser progressista, que o diga Leonardo Boff, no Brasil, aos milhares no Maracanã, incluiu em sua fala que a justa ira é um recurso dos oprimidos.
Mil coisas, quanto ao Che, sim... mas sem perder a ternura jamais.
Estou pesaroso, muito triste de ter perdido hoje meu camarada de muitas jornadas, o Luís Pilla Vares, a quem acabo dedicando também estas linhas que já estavam prontas, porque estou incapaz de sentir algo mais que uma profunda tristeza.
Beijo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 9/10/2008 14:15
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Ize
 

Adro, não consigo pensar no Che, nem noutra coisa qualquer que não seja o que vc deve estar sentindo com a morte de seu companheiro Pilla. Fui lá no link e o conheci: que fisionomia franca e confiável. Que pena a morte dele, mas que bom que ficaram tantas lembranças que o imortalizam dentro de vc. Pela foto, vejo que sua amizade por ele vinha de longa data e pelas palavras com que ele prafaciou seu livro percebo, agora, o quanto era intenso o companheirismo de vcs.
Sinto muito amigo por essa perda inestimável.
E desejo que a memória das lutas que vcs travaram juntos por um mundo mais justo e solidário pros "de baixo", não deixe sua esperança em dias melhores esmorecer. Que isso é o que vc tem de mais bonito.
Beijo cheio de carinho
da amiga Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 10/10/2008 01:56
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Adroaldo Bauer
 

Ize, querida.
Confortantes palavras amigas.
É uma dor grande.
Uma perda irreparável.
Grato por teu carinho.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 10/10/2008 11:53
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celina vasques
 

Mais um belo trabalho com muito talento!
beijo na alma querido poeta!

celina vasques · Manaus, AM 11/10/2008 10:23
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Compulsão Diária
 

Sim, Adro, querido sem perder a ternura jamais.Perdoa esta amiga sempre ambígua em relaçao às paixões (ideológicas, por amantes, pela arte) que viveu?
Vc me esclarece. Nível ideológico é pra isso e vc meu amigo tem

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/10/2008 18:52
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Compulsão Diária
 

tem verve pra homenagear o amigo. E que amigo. Sem perder a ternura, nunca. Adro, adoro.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/10/2008 18:54
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um texto magnífico, parabéns.publicado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 11/10/2008 19:26
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jucimar estrela
 

perfeito poeta,que bom ler esse texto que fala um pouco desse cara que eu sou fÂ..abraço.

jucimar estrela · São Paulo, SP 11/10/2008 20:17
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jucimar estrela
 

adorei...mais um voto.

jucimar estrela · São Paulo, SP 11/10/2008 20:17
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Sérgio Franck
 

Beleza, Adroaldo. Gostei demais. Tanto que li e reli...

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 11/10/2008 21:45
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Adroaldo Bauer
 

Sérgio, Jucimar, Marques, Cedê, Celina, sois muito gentis pessoas. aproveito para recordar da razão dos tempos que vivemos nossas paixões.


"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.

Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo de base a toda a crise.

Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável.
E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente.
O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.
No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores.
E esta inversão se manifesta em todos os lugares onde se condensa o negócio de dinheiro do país, como ocorre em Londres; todo o processo aparece como inexplicável, menos nos locais mesmo da produção."

Fragmento de "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro e capital efetivo, Karl Marx.

Copyleft. Cópia livre!

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/10/2008 11:43
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Coluna do Domingos
 

Votado

Coluna do Domingos · Aurora, CE 17/10/2008 13:48
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Spírito Santo
 

Fiquei até constrangido de chegar tão tarde aqui, mas por Pilla, por ti e por Che, digo: Presente!

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2009 18:54
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Adroaldo Bauer
 

Te aviso, então, meu companheiro, que te apresses em outras tarefas tuas a nós relativas, que já estou no vigésimo capítulo de uma segunda novela, aquela dos inspetores Cheguêva e Valafora, que publiquei aqui oito capítulos como A Hospedaria do Capeta, voltou a se se chamar Hospedaria do Diabo e tomou um rumo que sequer sonhava eu antes de começar. Aliás, costuma ser assim com essas personagens rebeldes.
Aqui, chegastes ainda a tempo.
Pelo que, agradecido fico.
Abraço e saúde, amigo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 16/10/2009 22:38
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Spírito Santo
 

Muito saber que a saga dso meganhas continua. Também ando também me reinveredando pela prosa, que é o que mais me apraz (mais do que a crônica). Ando agora mesmo às voltas com uma trama teatral de morrer de rir (rio eu mesmo, se não rio o texto não presta) para ser encenada por circenses (drama e comédia misturadas)

Tamo junto!

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2009 13:19
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Spírito Santo
 

...Muito bom saber...queria dizer no introito.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2009 13:19
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Spírito Santo
 

A propósito, nada a ver, mas devo dizer: No Rio agora quatro ônibus em chamas e um helicóptero da polícia abatido com dois meganhas mortos e dois feridos, inclusive - dizem - um que foi o sniper que abateu um assaltante na tijuca outro dia.
Olimpíada é isto aí, mermão! Já somos campeões de tiro ao Alvaro ( e ao Jão, ao Jorge, ao AntÔnio, ao Joaquim...)

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2009 13:23
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Adroaldo Bauer
 

Enquanto isso, Rubinho, nos dava aquela alegria no esporte global mais popular (eu gosto, alzira). Acompanhei o caos (assim mesmo grafado) da disputa pelo controle do tráfico, os fardados no meio do tiroteio (porque eles sem farda se enfardam e fartam de carrreiras de fazer poeira e dó.
Faço gosto que estejas de volta à prosa de fôlego e mais ainda se vai pra rua com teatro. Siga em frente.
Ah. Sou a favor de que façam-se aqui as olimpíadas, sim. La fora íamos perder muito dinheiro e as pessoas que morrem de tiro achadas ou perdidas também iam continuar sendo assim mortas.
Mas, é uma discussão permanente essa, da violência da ordem contra a violência da desordem e, agora, da outra ordem, sendo que nenhuma delas é uma nova ordem sustentada em consciência, humanidade e garantia de direitos para a liberdade.
Te abaixa aí, tchê.
Ou salta!
Depende de como vem a dita cuja.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/10/2009 18:38
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Spírito Santo
 

(Escrevendo abaixado, detrás de um muro)

...Também gosto da olimpíada aqui. Uma chance de ouro. Receio contudo que a tbieza e canalhice de nossas elites vão por tudo a perder e descarregar a conta no - com perdão da palavra - cu dos pobres.

Já é visível a saída que engendrarão: A geografia da cidade é propícia à exclusão. Vão isolar, físicamente (com muros, barreiras e e cinturões militares) as áreas dos jogos e seus acessos.

Já dá para sentir claramenet que esta é a opção recorrente que realizarão. Não tem inteligencia e grandeza para aproveitar a chance de fazer do Rio uma cidade realmente maravilhosa. Seria tão fácil desta vez...

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2009 22:46
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