p/ J.J. Calmon de Passos
"Poene acta est vitae fabula longa meae."
Das lições de Croce,
Cattaneo, Kelsen,
Pareto, Weber
certamente bebeste, mestre!
Encanto faiscante,
em plena convulsão silenciosa de pensamento
Nobre
És mentalmente invisível,
sombra de um sorriso
que fotografa tua própria alma.
E a fotografia dura mais que nós.
Sempre a fotografia:
eterniza que o passado foi hoje;
que agora será amanhã,
como agora também é ontem,
em perfeita consonância joyceana,
tendo já aqueles bebido de Hobbes,
Locke, Rousseau, Kant, Hegel,
que ajudaram a lavrar caminhos no mundo.
És tu madeira de lei, mestre,
formada de há muito,
amadurecida na estufa da solidão
de nossa raça,
que traça caminhos novos
em floresta densa de lendas primevas
a formar novas árvores de estirpe semelhante.
Até que chegue a noite, mestre
para um dormir em paz
na certeza de que ainda viverás,
no dia-a-dia,
em nós, arbustos,
para sempre.
________________________________________________
Compus este poema em agosto de 1997 e o enviei ao homenageado J. J. Calmon de Passos, jurista baiano de estirpe nobre no conhecimento e na ética. Calmon, ao receber o poema, respondeu-me, o seguinte:
"Recebi seu cartão, acompanhado do poema que me dedicou. O grande mérito do artista é 'extrair' beleza do que aos olhos mortais é pura insignificância. Nunca me esqueci de uma experiência de minha juventude. Morava num bairro pobre e vi certo dia um homem, que munido de pincéis e tintas, postado diante de um monte de lixo, parecia tentar reproduzir na tela a insignificância do que eu via. Curioso, aproximei-me. O que estava na tela não era o que eu percebera a nível de 'realidade'. O artista captara algo que me passara desapercebido. Bem no meio de todos os detritos e imundícies, um caco azulado do que certamente poderia ter sido uma garrafa de vinho, recebia um raio de sol que ele multiplicava, num caprichoso bailado de luz sobre os desvaliosos 'restos' do que sobrara de quem dispõe de muito pouco. Esse maravilhoso dom com que a natureza privilegia alguns consegue o milagre de fazer do lixo o espetáculo de um momento de beleza. Mas é um 'instante' apenas esse milagre e só existe pelo talento do artista que o revelou. Depois desse 'instante', tudo será como antes, porque será como sempre foi. O que eu sou realmente e sempre fui, antes e depois de seu poema, traduz-se nestas palavras: ___ um amontoado de coisas descartadas, porque já sem utilidade, que lhe agradece sensibilizado você ter podido criar, utilizando-o, um momento de beleza, mas que em verdade é apenas lixo a espera de quem o recolha.
Afetuosamente,
J.J. Calmon de Passos,
Salvador 12 de novembro de 1997".
És mentalmente invisível,
sombra de um sorriso
que fotografa tua própria alma.
E a fotografia dura mais que nós.
Sempre a fotografia:
eterniza que o passado foi hoje;
que agora será amanhã,
como agora também é ontem,
em perfeita consonância joyceana...
Aposto que ele ficou deveras emocionado.....
vc escreveu com genialidade e alma......
mas a resposta dele heim ?! nossa !
qta sabedoria e humildade...
a d o r e i.
e com esse vou aos sonhos....
bjsssssss;)
Puxa, que inspiração!
E é claro que o retorno foi tão e tanto quanto INSPIRADOR!
Parabéns e obrigada por nos trazer aqui!
beijos
Usando a teoria de um dos gênios citados no poema
Positivamente
Tomo como norma o dever de exaltar
esse trabalho altamente diferenciado
"Madeira de lei , mestre" ...
Bah ...
Juscelino
" A beleza das coisas simples só os grandes mestres
conseguem enxergar. O que para nós é confuso,
para muitos é luz e se eterniza em momentos
de inspiração e sabedoria
Belo poema e comentário melhor ainda
bjs
Caro Juscelino,
Pela resposta do homenageado percebe-se a sua grandeza de espírito e o quanto foi justa e merecida a honenagem que você lhe prestou.
Parabéns!...
Volto
Abraços
Juscelino, meu irmão pataxó: fazia muito tempo que li reflexões, assim, tão cheias de poesia e ensinamento. Confesso que nem sei por onde começar, se pela beleza de poema que você dedica ao jurista Calmon de Passos, se pelas próprias palavras do homenageado. A sensatez me orienta que devo pimeiramente observar ou comentar a sutilidade do pensamento do grande mestre Calmon; ele, pode-se dizer, é um dos poetas invisíveis ao traduzir o instante que o ser humano vive. Veja que coisa mais linda:O que eu sou realmente e sempre fui, antes e depois de seu poema, traduz-se nestas palavras: ___ um amontoado de coisas descartadas, porque já sem utilidade, que lhe agradece sensibilizado você ter podido criar, utilizando-o, um momento de beleza, mas que em verdade é apenas lixo a espera de quem o recolha.
Meu amigo Juscelino, grande também é a força da sua palavra; o ensinamento e a poesia que vem de você e sou agradecida por esse momento impar que nos dar a conhecer mais um pouco dessa vida que se vive e a lavrar os caminhos do mundo. Paz em Ñanderu, Graça Graúna
Jus, uma poesia de beleza ímpar...
eterniza que o passado foi hoje;
que agora será amanhã,
como agora também é ontem...
Homenagem riquíssima, filosofica, poética e emocionalmente falando...
Adorei!! Parabéns!
Mil beijos,
Aube.
Juscelino:"Convulsão silenciosa de pensamento"- o próprio título já nos remete a uma indagação profunda. O homenageado por sua vez é grande merecedor de versos, digamos, tão "convulsivos", pois, pelo visto, os seus valores foram forjados no aço inquebrantável da humildade, rainha soberana dos homens dotados de inteligência.!Votarei no poema, já que no conterrâneo já tá mais que eleito.Axé!
RUI LÔBO · Brumado, BA 13/4/2009 15:29
Jus
fora de qualquer dúvida J.J. Calmon de Passos foi
um dos maiores processualistas brasileiros
um dos mais destacados juristas do Brasil,e eu diria que esse texto é o encontro de dois gênios
Uma obra desse quilate só podia vir de um mestre como você
Um beijo e boa semana
Lindo.
Senti tanta profundida em suas palavras que me emocionou, siceramente.
Bjs e voltarei
Juscelino, fiquei comovida, pois tive o pivilégio de desfrutar da presença desse grande homem, afora laços de família. Parabéns!
Brida · Salvador, BA 13/4/2009 20:39
parabéns, grande texto, grande réplica, conversa de sons e alucinações lucidificadas.
Grato,
abraço,
geralfo
Que homenagem !!!
Que belo texto!!!
bjsssssss;)
Até que chegue a noite, mestre
...parabéns querido,bjs.
Grandes Homens , grandes brasileiros, grandes baianos.
Nels Belo · Feira de Santana, BA 14/4/2009 16:32o futuro não é só o passado, mas o presente também. Beijos.
Diacui Pataxo · Ilhéus, BA 14/4/2009 16:53
Um belo trabalho e homenagem, em que nos lembra da importância das contribuições dos pensadores citados para a melhora da sociedade.
Parabéns.
Votado.
Maravilhosa homenagem poética,Jusc...lindo!!!
As atitudes e a caminhada...ultrapassam a fotografia...ficam impregnados na alma de cada um de nós,na alma do povo!
Belíssimo poema,querido, sempre nmos emocionando,né?
beijinhos bluecarinhosos
Blue_Chips
..sempre nos emocionando...
Adorei a fotografia!!!! vc não mudou nada...rs
bjks azuis....
Que bela homenagem!!! Emocionante mesmo!
beijo
Pat
como sempre um nobre trabalho.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 16/4/2009 17:23
Quando li apenas o título achei impactante. O texto, a resposta, tudo é maravilhoso, se foi para você um prazer escrever esse texto, certamente deve ter sido uma honra para o homenageado e uma glória pelo feedback do texto. É muito prazeroso escrever para alguém e ter o reconhecimento merecido. Meus parabéns, com certeza, aprovado e votado.
Beijos!!!
Vives, Cláudia, Branca, Ivan, Doroni, Carlos, Agenor, Graça, Aube, Rui, Júlia, Cau, Brida, Geraldo, Claudia, Nels, Diacui, Vinicius, Blue-Chips, Patrícia, Marques e Naggai, obrigado por suas presenças preciosas, com um abraço carinhoso.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 20/4/2009 14:46Brida, feliz em saber que tem laços de família e conhecimento mais próximo com Calmon, figura digna de todas as homenagens sempre pelo que representou para as letras jurídicas e sociais do Brasil. Grande abraço.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 20/4/2009 14:48Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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