No início,
o ruído d’água do chuveiro,
abafou o choro ao aspergir com fúria.
Logo o vapor embaçou
o quadrilátero azulejado
turvando o testemunho.
Só o poeta em sua alucinação, foi,
e viu;
quando o silêncio quis chorar
aquele grito não dado.
Na borda côncava da louça,
o aço brilhava desembainhado
sobre a carta manchada de rubro,
selando o impávido ato.
Quem...
agonizava sem arrependimentos,
graças aos barbitúricos.
Um corpo jazia entregue
numa nudez pálida, inerte,
e um sorriso macabro.
Os braços, abertos,
como se esperando o último abraço.
Neles, pulsos já sem pulso,
e deles, tênues filetes coagulados,
restos irrecuperáveis de vida.
Sem poesia,
Somente um quadro triste...
pinceladas de morte prematura.
Na tela, imagem da cor de porcelana,
morta, submersa na seiva aquosa,
a esvair-se definitivamente
no destampar do ralo.
Árido fim.
Quadro macabro, mas com alma poética: Uma pintura!
Aplaudo,
Hercuano
Agradeço o comentário, cumprimento-o Poeta. a morte é o último seguimento da vida. então; há poesia.
meu fraeterno abraço.
Silveira
silveira, belo poema! Imagenas em movimento, sinestésico...quase dá para ver a cena... a beleza permanece, mesmo numa descrição do fim. Abraços, amigo poeta!
danlima · Brasília, DF 23/11/2008 23:33
Grato Poeta. esta escrita teve a intenção da imagem, clareada com o seu comentário.
meu abraço fraterno Dan.
Silveira
Poesia de alta dramaticidade e criação esta sua "Cor de porcelana", José Silveira.
Ela tem um andamento verdadeiramente cinematográfico.
Parabéns.
Votei.
Muitas vezes apenas o poeta é capaz de ver...
Nels Belo · Feira de Santana, BA 24/11/2008 14:53
Gostei da agudez do seu olhar, comentando quanto a cinematografia na descrição da imagem. sinceramente foi o que eu quiz dar ao texto. Agradecido poeta.
fraterno abraço Elay.
Silveira
Grato pela visita e leitura Poeta, meu abraço fraterno abraço.
SAilveira
ele é um ser místico e sua visão e capaz de visualizar detalhes infimos, incomuns, imperceptíveis. um olhar sagaz lerá nas entrelinhas.
grato por comentar Nels Belo.
abraço fraterno.
Silveira
Só o poeta em sua alucinação, foi,
e viu;
quando o silêncio quis chorar
aquele grito não dado.
um ótimo poema, parabéns.votado.
são nessas alucinação que se ouve as vezes o poeta grita no lugar do poema. você acompanhou a cena
meu abraço Poeta W.M.
Silveira
nussa... fez um excelente uso das palavras nos versos, e prendeu a leitura até o fim num ritmo muito bacana :)
Parabéns!
José,
criativo e bela construção
O poeta capta a dor que transcende
e transporta para o papel
o que vê e o que sente.
dramatico!
bjs
prendeu-se a leitura, para eu é um elogio que muito agrada, sinal que pus a escrita num ponto crível.
grato Eric.
um abraço fraterno poeta.
SIlveira
dá prazer receber um comentário qual o teu, é um incentivo para quem deseja escrever mais, e melhor.
grato Poetisa.
um beijo, afetuoso abraço Doroni.
Silveira
Criativo, bem construído.
O q os olhos do poeta não vê?
votei!
bj na alma!
o poeta geralmente debocha da morte, neste quadro, a alucinação diante da pintura macabra o fez gritar no lugar do poema. os olhos da poetisa viu e também quiz gritar. não foi?
um beijo, afetuoso abraço Dú.
Silveira
agora você me pegou... já vi tantas mortes. depois das alucinaçõe os fatos separam-se da minha memória e voam pra longe junto com o poema. aí perco o domínio.
inteligente sua pergunta Poeta. quase me fez suspeito. rs
meu fraterno abraço Mariozinho.
Silveira
Para os poetas, o ver é um outro ver, no sentido que os artistas, sejam das letras, das cores, ou...olham o mundo com um outro olhar.
Parabéns Silveira, é sempre muito bom ler teus trabalhos...
Votado..
Abç...
A alma é instrumento de tragédias e de comédias!
raphaelreys · Montes Claros, MG 24/11/2008 17:52
sim, vemos com outro olhar. é um outro ver. acredito nisso.
agradeço a visita e as palavras de incentivo Poeta.
meu abraço fraterno Vitor.
Silveitra
e somos nós os poetas que provocamos estas situações. mea culpa.
agradeço a visita e o belo comentário Raphael.
meu abraço fraterno Poeta.
SIlveira
Poema em movimento!!
Uma pintura se fazendo em meio às letras...
onde a morte vai ganhando vida....poético demais!
Adoreii,Silveira,parabéns!!!
besitos azules...
Blue
"onde a morte vai ganhando vida... " teu comentário sim, é que ficou poético com esta frase.
grato pela visita e pelo belo comentário Raiblue.
um beijo, afetuoso abraço.
SIlveira
Poesia-drama... Vc conseguiu dá uma certa dinâmica narrativa ao teu texto-poema. Muito bem edificado e inteligente. Gostei e por isso votei grande amigo.
José Cycero · Aurora, CE 25/11/2008 09:11
Você foi muito feliz na descrição do ofício do poeta, que vê o que ninguém atenta normalemnte.
Ao se buscar as entrelinhas, sua poesia tateou uma dramaticidade com fino talento.
Parabéns.
Valeu Xará, acolhi com alegria seu comentário e voto.
meu fraterno abraço Poeta.
Silveira
A intenção foi deixar nas entrelinhas para o deleite de cada talento.
Grato pelas belas palavras Poeta.
um abraço fraterno Vinícius.
SIlveira
Belíssimo quadro. Envolvente e irriquieto.
Ótima obra. Parabéns.
e eu foco aqui pensando com os meus botões, olhares vindos de caminhos diversos se convergindo no macabro... que é bélissimo. acabei convencido.
grato pelo carinho de comentar poeta.
meu fraterno abraço Garrido.
Silveira
Sem poesia,
Somente um quadro triste...
pinceladas de morte prematura.
Belo, sensivel! Parabens
teu olhar ao meu escrito encheu-me de alegria.
grato pelo carinho de comentar Poetisa.
um beijo e afeto.
Silveira
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!