Escolho um tom pra (a)tingir a tentativa. Tanto quanto posso, escolho um tom tão roxo quanto hematoma.
A sorte é que o salto é a uma altitude média. Nada muito alto nem nada muito baixo. Nado no raso.
Afasto a hesitação e uso o pincel. Ou melhor: pinto com as mãos mesmo. Me sujo de tinta.
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Peço carona num biombo bem privado.
Entro e fico sob a sombra do bambú.
Projeto algum sonho de geladeira
no sol ameno.
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Me atrelo à cola do cometa e peço colo. Quero que me seja caule,
eu João,
ele pé de feijão.
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lupa serve pra ampliar a imagem
a voracidade da tartaruga é incrível
mesmo lenta, engole muito
ingere plantas
já a baleia come plâncton
o jardineiro diz:
planto uma rosa roxa no coração de um pássaro
enquanto o condenado murmura:
dou um passo que fica aquém do cadafalso, ainda bem, por enquanto
a simplicidade das coisas naturais não é fútil
é sutil a diferença entre o trivial e o banal
bananas podem servir pra adoçar a boca
bananas podem ser seres humanos menos ilustres
aos olhos dos que se consideram iluminados
uma torta é boa de comer, sem dúvida
alguém já colheu um cacho, amassou a massa?
num cálice ou numa taça, um vinho pode dar coragem
e o inflamado, de face rubra, proferir sem culpa
um discurso
em plena praça
(na verdade tomei cerveja, e no meu bolo sempre sinto a falta da cereja)
a afinidade sonora norteia há um bom tempo, quase por acaso, sem forçar barra nenhuma, a escrita
lavo as mãos e deixo vir:
um bando anda de mãos dadas
existe uma fada que não consegue aceitar-se alada
um camaleão cuja aparição já não é nova
se traveste em mil centopéias
e sai andando, como se não fosse com ele...
Felipe, adorei!
São fragmentos que ao fim formam o todo. Somos fragmentos. Somos um, é parte de todos nós.
Parabéns
Obrigado, Edna. Que bom que viu um sentido geral na colcha de retalhos.
Felipe Obrer · Florianópolis, SC 25/2/2007 14:13
Também vi toda a colcha desenhada de retalhos que falam de uma coisa só: a união das diferenças, texto recorrente no inconsciente coletivo do Overmundo por essa época. Ou será que eu vi aquilo que desejo?
Sendo um ou outro, você me fez pensar com prazer.
Agradecido.
Valeu, Zéduardo, se houve prazer no sentipensar, tá valendo.
Abraço.
Perfeito, Felipe!!! Belo texto mais uma vez.
Abraços!!!
Obrigado, Osvaldo. Pela imagem e pelo comentário elogioso.
Abração.
Muito bom, Felipe. Grandes verdades ditas com criatividade. isso é sublimar.
Parabéns também ao infalível Osvaldo!
abcs
Magnífico! Impossível dar com a porta na cara dos adjetivos diante da beleza das cores e luminosidade da sua poesia.
Cida Almeida · Goiânia, GO 26/2/2007 10:24
Cida, Obrigado. :) Sem mais palavras.
Leandro, valeu também.
Sobre sublimação:
Freud coloca a sublimação como algo negativo, que seria uma espécie de fuga, uma realização pela metade da pulsão sexual em outra área. Já Reich fala de um conceito novo: a sublimação positiva, saudável, que não é fuga mas sim vivência criativa. Ou seja: prefiro acreditar que usaste a segunda definição pra minha poesia. Abraço!
Bom, mas muito bom mesmo.
Bonde de bondade.
Bom te ter por aqui, Sebastião. Abração.
E viva Reich...
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 26/2/2007 15:54
E viva Reich...
Junto com o empurrão pra publicação!
Zéduardo... a vida dá voltas, né? E viva Reich!
Abraço e valeu!
Grande Felipão!
Tinha dado uma passada mais cedo aqui, mas estava atarefado e deixei pra vir agora! Quanta riqueza, cabra! Muito bom mesmo! E ainda tem o colorido do Osvaldo... aí fechou com dourado!!!
Abração!
Opa coloriu meu cinza dia, frametado e cansado, Felipe, Obrigado! Rs...
Leandro...
Carlos, valeu por ter aparecido. Às vezes também passo com mais pressa do que gostaria pelas colaborações, porque a vida chama, e chama é fogo, e fogo arde, urge, ruge. Mas que bom que deu pra separar um tempinho e dar uma olhada. Valeu! Abraço.
Leandro, fragmentado e cansado parece pessimista. O lance é ver unidade nas partes, e lembrar que juntas são sempre mais que o todo.
Agradeço eu pela visita e pelo comentário, abração e boa sorte.
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