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CORDEL DO NILDO CORDEL-UM RICO E UM MENDIGO

1
Nildo Cordel · São Paulo, SP
7/8/2011 · 8 · 18
 

UM RICO E UM MENDIGO X A AIDS E A FOME
Peço a Deus em oração
Clarear meu pensamento
Para eu versar uma história
De tristeza e de lamento
Que mostra que nesse mundo
Não tem primeiro ou segundo
Quando o tema é sofrimento.

Num rico bairro em São Paulo
Esta história aconteceu
Como repórter da rima
Eu narro o que ocorreu
Em poema de cordel
Um dom que bom Deus do céu
Como presente me deu.

De uma rica mansão
Um farto lixo vertia
E à custa desse lixo
Um pobre velho vivia
Pois nele o velho pegava
A comida que matava
Sua fome todo dia.

Nessa mansão residia
Um homem bem sucedido
Com uma linda mulher
E o seu filho querido
Um jovem adolescente
Que viva docemente
Pelo amor protegido.

Já o mendigo vivia
Sem rumo e sem destino
Sua cama era um banco
Sua vida um desatino
Não tenha nenhum legado
Por isso era tratado
Como um cão velho assassino.

Família ele não tinha
Também não tinha um nome
Não vivia, vegetava
Seu inimigo era a fome
Confundia-se com um bicho
Comendo restos de lixo
Miséria era o sobrenome.

Sentado naquele banco
Via tudo acontecer
Policia matar bandido
Gente de fome morrer
Tal qual um espectador
De frente ao televisor
Que nada pode fazer.

Mas como todo vivente
Ele tinha um passado
Do qual ele procurava
Nunca se fazer lembrado
Pois pensava ele assim
Que se lembrar de coisa ruim
Na certa é sofrer dobrado.

Foi quando ele viva
Nas quebradas do sertão
E uma tremenda seca
Acarretou seu torrão
Sua família matou
E como a terra secou
Também o seu coração.

Sozinho o velho mendigo
Amargava o dissabor
A lembrança o torturava
Como um grande ditador
E sonhava ter a sorte
Que muito cedo a morte
Desse cabo a sua dor.

Mas vou deixar o mendigo
Com sua recordação
Para falar do ricaço
Que morava na mansão
Por grades e guardas guardado
Como vive um condenado
Que foi mandado à prisão.

Era o homem um empresário
De grande sabedoria
Com amor e competência
A seus negócios conduzia
Mas enfrentava um dilema
Em casa um grande problema
Somente dor lhe trazia.

Para o filho dava tudo
Carinho, dinheiro, amor
Sua esposa era uma santa
Amava-o com muito ardor
Tinham a tudo o que sonhavam
Mas juntos os dois enfrentavam
Um tremendo dissabor.

É que o seu único filho
Por eles tão bem criado
Na vida pelos amigos
Foi mal influenciado
Em nome da experiência
Tornou-se por conseqüência
Mais um jovem viciado.

Os dois fizeram de tudo
Pela recuperação
Do filho, porém o mesmo
De tudo abria mão
Dizia: não sou doente
Sou só um jovem pra frente
E viva a badalação.

Como vivemos em um mundo
Onde tudo pode ser
Coberto de preconceitos
Pode então alguém dizer:
Ele é apenas mais um
Mas hoje um risco em comum
Quem tem vício vai correr.

E este risco é a AIDS
Que todo mundo conhece
Porque ela é fato
Cujo risco permanece
Apesar da medicina
Dessa doença assassina
Muita gente inda perece.

Pois bem, nosso adolescente
Contraiu o mal pior
Além disso, era usuário
De pedra, cigarro e pó
Não buscava tratamento
E com isso o sofrimento
De seus pais, causava dó.

Não adiantou esforços
Nem o dinheiro valeu
Toda luta vão em vão
O jovem rico morreu
E mesmo sem ter soberba
Da dor da terrível perda
A família padeceu.

Desesperado seu pai
Não sabia o que fazer
Perdeu da vida o sentido
Quem iria lhe valer
Implorava ao Salvador:
Meu Deus me tire essa dor
Faça-me logo morrer.

Em certa manhã no banco
Da praça ele sentou
Ao lado do mendigo
A quem chorando abraçou
E como seu confidente
Àquele triste vivente
Sua história contou.

Depois de longo silêncio
O mendigo assim falou:
Meu senhor a diferença
Entre nós dois acabou
Porque atroz destino
Num terrível desatino
Duas vidas transformou.

Certa vez em minha terra
Grande seca ocorreu
Batalhei como ninguém
Mas meu esforço não deu
O desgosto me consome
Porque seu moço, de fome
Minha família morreu.

Eu sei que pra quem é rico
Sentido não vai fazer
Onde já se viu de fome
Poder alguém falecer?
Mas o destino é ingrato
E lhe garanto é um fato
O que findo de dizer.

Mas seu moço a natureza
De bela se torna dura
E pode trazer o bem
Mesmo numa desventura
A AIDS deixa destroços
E a ciência faz esforços
Para achar sua cura.

Por isso faço um apelo
Ao grande Deus de Belém
E no final vou pedir
Que o senhor diga amém
Quem sabe que na procura
A ciência ache a cura
Que cure a fome também?

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kfarias
 

MARAVILHOSO E OTÍMO ENSINAMENTO DE VIDA QUE NÃO PERCEBEMOS.

kfarias · Águas de Lindóia, SP 10/8/2011 12:50
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Gilbson Alencar
 

Nildo, uma leitura do início ao fim envolvente que me deixou contente como uma viola num desafio de repente!
Parabens, um excelente texto!
Abraço.

Gilbson Alencar · Brasília, DF 10/8/2011 22:36
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PedrOMonteirO
 

O CORDEL tem seu espaço
Com todo o merecimento.
É poesia alinhavada
No crivo do pensamento,
Faz movimento constante,
É estrela cintilante
No alto do firmamento.

PedrOMonteirO · São Paulo, SP 11/8/2011 01:03
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Maressa Marins
 

Menino,que fôlego hem?? mas acompanhei a história esperando que no final tudo ia dar bem,e tenho certeza amigo que o Bom Deus, com misericórdia e carinho não abandona ninguém e que a cura dos males um dia vai se resolber.bjs meu querido.Maressa Marins

Maressa Marins · Brodowski, SP 12/8/2011 21:20
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Doroni Hilgenberg
 

Maravilhoso e dramático cordel, encerra uma lição de vida. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 12/8/2011 21:48
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ayruman
 

Sem palavras para expressar beleza dolorida mas tão verdadeira. Maravilha. Que Deus continue a iluminar seu Universo criativo. Saúde e Paz.

ayruman · Cuiabá, MT 13/8/2011 00:58
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Zezito de Oliveira
 

Nildo,

PARABÉNS!! Siga em frente, texto bem elaborado e com uma temática necessária, Texto excelente para ser utilizado em escolas e iniciativas sociais e /ou culturais.

Abraço,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 13/8/2011 14:23
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gteixeira
 

Valeu Nildo.
Caminhos cruzados e díspares, porem estamos aqui de passagem e todos somos iguais, pobres mortais.
Quem foi mais rico, nesse cordel.
O pobre ou o Rico de bens.
Parabéns
Gteixeira

gteixeira · Salinas da Margarida, BA 15/8/2011 22:40
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MartaLucena
 

Que belo convite você me fez, lindo versos, uma estória do cotidiano, que nos deixa ensinamentos profundos, não a mal pior que a fome. Nildo parabéns. Adoro cordel. bjs

MartaLucena · Natal, RN 15/8/2011 23:24
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marilia carboni
 

Muito envolvente mesmo! Parabens ! Bjs !

marilia carboni · Londrina, PR 16/8/2011 09:10
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Rodria
 

Excelente, texto envolvente e muito rico. Há tempos não lia um cordel, para ser exato, desde a época do ensino médio.


Abraço

Rodria · São Paulo, SP 18/8/2011 08:50
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Greta Marcon
 

Que coisa maravilhosa! Até me arrepiei... Ninguém é melhor
que ninguém; a dor e a fome, iguala todos os seres vivos...
Beijossss

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 31/8/2011 03:03
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ayruman
 

Aqui confirmando... Que Deus continue a iluminar seu Universo criativo. Saúde e Paz.

ayruman · Cuiabá, MT 16/9/2011 09:31
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WGarrido
 

Meu grande amigo e poeta Bil... Sábias palavras em forma de poesia! Grande abraço.

WGarrido · São Paulo, SP 26/9/2011 12:21
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PedrOMonteirO
 

O pobre anda a pé
Buscando a sua porção.
O rico vai no conforto
Da Ferrari ou de avião
E sua riqueza cresce
Como fermento no pão.

PedrOMonteirO · São Paulo, SP 21/10/2011 18:30
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PedrOMonteirO
 

PedrOMonteirO · São Paulo, SP 21/10/2011 18:31
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azuirfilho
 



Nildo Cordel · São Paulo, SP
CORDEL DO NILDO CORDEL-UM RICO E UM MENDIGO

Parabéns pelo Trabalho.
Um Cordel Maravilhoso de muita beleza e Poesia.
Uma bela viagem de ensinamento.
Abração Amigo para todos.

azuirfilho · Campinas, SP 11/12/2011 01:19
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ayruman
 

Nildo... Desejo a todos saúde e Paz. Que em 2012 possamos continuar juntos nesta nossa caminhada por um ser humano melhor. Por um mundo melhor.

Que o Divino Mestre Jesus continue a nos iluminar. Sempre!

De coração para coração.

ayruman · Cuiabá, MT 31/12/2011 13:53
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