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CORPO DE NADA

1
Benny Franklin · Belém, PA
4/10/2007 · 88 · 9
 

Foto: Flickr/Creative Commons

A Alma repousa seu eretismo...
E o vazio se entende da escória à confissão.
Proeza do estilhaço (óbolos de retreta)
Retraindo-se em pêndulo.
Tal o oco conspurcado sobrepondo-se nalguma
Plataforma de nada: o corpo condensa-se.
Então, olho o papel, mas o papel é morto;
Escrevo as palavras, mas a palavra é inútil.
.......................

O ventre arde.
Debaixo do meu sexo
Lavras de carne confiscam as minhas mãos molestadas.
Indecisas mãos a apalpar os engodos enforcados.
Então, colo-as ao corpo as traças anônimas,
Mas a traça é pêca...
.......................

Oh! Vida!
Dizes que na ternura sou embuste;
Que na palavra sou infecundo:
Arquétipo que pesa,
Ossuário que geme...
Ai... Se não me tivesses defraudado
O porvindouro, Vida,
Ejacularia esse teu candente vazio
E dir-te-ia do que vejo
E o que me serve
Sob um contemplar de malasortes.
.......................

... E aqui não há ausência,
Corpo de nada!
É poesia o que vês - ato de cartazia -,
Dever de compartilhar
Contigo, o espermar de migalhas;
O ego-extremo não há.

Benny Franklin

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Benny Franklin
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Cintia Thome
 

Corpo de nada...
Então, olho o papel, mas o papel é morto;
Escrevo as palavras, mas a palavra é inútil.


Benny, nem tenho o que falar, prefiro
meu silêncio, pelo menos hoje..deixa...
mas sabes que gostei, és grande, inteiro...acho que basta.
bjus

Cintia Thome · São Paulo, SP 2/10/2007 19:28
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Cintia Thome
 

Porque esta imagem?

Cintia Thome · São Paulo, SP 2/10/2007 19:28
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Cintia Thome
 

Voltei e voto. bjus.Mas pergunto qual a razão desta imagem?

Cintia Thome · São Paulo, SP 4/10/2007 05:46
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j.alves
 


Então, olho o papel, mas o papel é morto;
Escrevo as palavras, mas a palavra é inútil.
.......................
me junto a Cintia. um abraço

j.alves · São Paulo, SP 4/10/2007 07:34
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Agenor
 

Percebo certo tom de recriminação, auto censura ou frustração no seu poema que não condiz com o Benny que aprendemos a admirar.
Oh! Vida dizes que na ternura sou embuste,
Que na palavra sou infecundo
...
Fecundidade na palavra é o que você tem de mais estraordinário...
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 4/10/2007 08:13
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Benny Franklin
 

Age, não chego a recriminar-me! Longe disso.

Na verdade, quando cito aquelas palavras, é me referindo a malasorte que 9infelizmente) cada um de nós carrega no peito.

Ao escrever:
Oh! Vida dizes que na ternura sou embuste,
Que na palavra sou infecundo...

Indago à vida do porquê sofrermos a cada dia,,, E me incluo neste rol.

Quanto a mim, fique tranquilo, continuo o mesmo: sem recriminação pessoal. Não me afasto um centimetro daquilo que escrevo e acredito.

Ah! Escrever também é punir-se, é pentenciar-se, é recriar-se, é resistir sempre!

Abçs. Benny. E obrigadíssimo pelo comments.

Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 4/10/2007 08:36
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azuirfilho
 

Parabéns por essa energia simpática que faz o ossuário gemer.
Um Trabalho que tem a ver com a essencia do Humano.
Esta no melhor lugar.

azuirfilho · Campinas, SP 4/10/2007 08:49
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Noelio Mello
 

Benny, querido amigo
Quem tem o coração bom, amigo, mesmo nas mais intensas dificuldades, não pode acreditar que o destino traçe linhas de sorte adversa. São segredos, amigo, escondidos ainda em todos os céus. Um dia saberemos.
Forte abraço, parceiro
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 4/10/2007 10:54
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Nydia Bonetti
 

Oh! Vida! Porque tantas vezes nos sentimos assim... infecundos, a carregar pesos maiores do que nossos ombros suportam... Sombras sobrepostas... Não sei porque. Mas é assim... Concordo com Noélio: creio que chegará o dia que saberemos! Grande, Benny!

Nydia Bonetti · Campinas, SP 4/10/2007 15:04
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