correntes

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Fábio Camacho · Osasco, SP
3/2/2010 · 4 · 3
 

correntes



como esquecermos nossas perspectivas ibéricas se ...



ensurdecedores assovios dos foguetes katyushas zunem atroadoras sinfonias a quilômetros de distância de quaisquer compreensões hermenêuticas cabíveis irradiando coordenados solfejos sobre as cabeças de antepassados franquistas, arrefecidos nas insensatezes e histerias, afrontados com o temor implementado pelos engenheiros especialistas em ameaças dissuasivas e intimidadoras que defenderam linhas em Barbarossa



noviças soslaiamente abespinhadas a véu e gordo na ventana sobre aberta em suas vestes purificadas testemunham toda a falta de juízo e do senso de ridículo exposto ali em frente, no ateliê de Picasso



úlceras reconstituem-se confrontadas às aporias poéticas das propagandas
de sabonete sancionadas pelo artefato de desgostos



a exótica ilíada das atrizes de Almodóvar que de tantas e ostensivas ofensas públicas, vilipêndios e inteligência desafiada culminaram perder a libido ainda no estúdio de filmagens, iniciando-se quase que de imediato em processos de busca, auxiliadas pelo comandante no heliporto com destino a lugares totalmente inimagináveis possíveis



perguntamo-nos: serão precisamente sempre estes os fantasmas a nos prevenirem do silêncio, atormentar, que combatem e confrontam realidade contra intuição respectivamente e, cujos quais não nos abandonarão facilmente, mesmo em tempos de paz?




sexo e poder, paixão e guerra

na usina literária ibero-americana

raciocina isto comigo meu amor



a reza de quebranto proferida durante primeira
eminência quaternária da linda luz de lua acesa



enquanto
sua alma imaginosa

irresponsavelmente
peregrina

isolada
de encantamentos tolos

coração
responda francamente

tal perfídia
da boa fé jurada:


descansados lençóis amassados

sob os seios penas de ganso


propõe-me elegantes enigmas de esfinge

castiço-lhe os espaços, feitiços e ungüentos


as chantagens de semi-abertos cílios de gata

o cabernet e os cigarros sobre a cabeceira


linda luz da lua lívida

estarrecida céu acima


seduza-nos despender chamados

atávicos e rugidos selvagens a ti




telexogramas emitidos a sebastianistas

cegos e à analfabetos visigodos falecidos


aliviai-me dos choros, dissabores e

mágoas de homem fraco de espírito


sintomas de genética ruim e moleza dos

pais segundo a ciência de nossos tempos



toda sorte a minha Lorca e sua

confraria de vassalos surrealistas


não terem avistado indícios de

eminêntica luz de musa lua lígia



a sorte exaltar-me em sua exegese belicosa


asseguro-a de que serei o que você deseja

serei sempre o que você quiser que eu seja


o sangue de Jesus que circula em suas veias




por vezes Hermes Trismegisto, outras o Paulo de Tarso


em fúria de trovão esganiçado do rochedo de Gibraltar





apesar pés pequenos debelarem chutes irascíveis

guarneça-os em meias do chão purulento e gelado

enquanto desfila encantamentos nu-acesa pela casa



arrebatando-me ingestões incabíveis oriundas

das glebas e células fronteiriças nas azedas

zonas de influência deste mundo de gentios



sorvendo-me as vaidades, excentricismos,
fugacidades e outros absurdos deste tipo

do contágio com os simpáticos profissionais
e de seu ordinário jogo de confetes social


salvando-me dos elos de correntes
e do coro dos contentes guerreiros

que saúdam bênçãos e graças às
vicissitudes do poder do assalariado

sacudindo-me de obscenos flertes do
entusiasmo em salafrárias instituições
coorporativas e religiosas oferecidas


a contento


e de demais selvagerias e barbarismos técnicos que
nos amarram e que prendem à leprosas obsessões,

doenças de espírito lancinantes e de outras
mandingas coercivas mais que nos cercam.



amém e amor várias vezes, abraço pungente

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informações

Autoria
Fábio Camacho, 35 anos, poeta paulista
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+ comentar
Doroni Hilgenberg
 

Fabio,
nossa que frenesi este poema...
da margens a tantas interpretações.
quase um engodo!!!
o bem e o mal caminham juntos e se não fosse pelo amor
e para o amor acho que a gente não sobreviveria, porque a nossa
mente cansada de tanta maldade e das correntes obsessivas que nos prendem a ignaros conceitos, também anseia por graça e paz.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 3/2/2010 20:22
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Claudia Almeida
 

Claudia Almeida · Niterói, RJ 4/2/2010 00:00
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Fábio Camacho
 

gostaria mais de sua opinião do que seu rosto bonito Cláudia

beijo e carinho Doroni

Fábio Camacho · Osasco, SP 20/2/2010 14:23
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