Cortante como o frio

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?????? · Cascavel, PR
19/5/2015 · 0 · 0
 

Foi ali naquele quarto, durante aquela fria noite de inverno que adormeci e acordei em um mundo semelhante ao meu.
“Acordei" na frente de minha casa em um dia ensolarado e resolvi descer até uma padaria que ficava na quadra de baixo. Cheguei à padaria e quando olho ao meu redor, estou com quatro amigos meus. Um de meus amigos afirma que precisa comprar cigarros para mãe dele, então ele tira do bolso uma caixa de cigarro com pontas de lápis quebradas dentro e oferece uma troca com um homem que passava ali perto.
Sem entender um único acontecimento, aquele homem resolve aceitar as cascas de lápis por três cigarros, enquanto ele ascendia o cigarro eu e os outros decidimos dar uma volta pelo Bairro. Finalmente, naquele momento, pensei que meu sonho tomaria um rumo normal.
Começamos a subir a rua. Quando chego à esquina e olho para o meio da rua, de repente, vejo dois cadáveres estirados, aparentando tratar-se de pai e seu filho. Sem me importar, sigo caminhando com meus amigos - mas a imagem daqueles dois corpos fica martelando em minha mente.
Novamente olho para outra esquina, mas, dessa vez, vejo outros dois amigos meus mortos no meio da rua, então, eu viro assustado para meus amigos e falo para todos corrermos. Acho que corremos uns dois quarteirões, no sentido oposto aos cadáveres, mas, quando chegamos à outra esquina, novamente eu avisto o pai e o filho mortos.
Um ônibus escolar começa a dobrar a esquina, eu olho para as janelas envidraçadas do ônibus e as crianças que estão em seu interior começam a me encarar com seus rostos pintados. O ônibus para a uns cinco metros de distância dos cadáveres e, então, desce uma menina com roupas indígenas e um machado em uma das mãos, mas ignoramos o ônibus e começamos a andar normalmente, saindo daquela rua.
Então eu olho para trás e vejo a menina cortando o dedo mínimo do cadáver menor - uma criança. Um de meus amigos grita e começamos a correr pela nossa vida. Passo a ouvir gritos dos quais eu não entendo nada.
De repente, como em uma piscada, todos os meus amigos caem mortos ao meu redor e os indígenas aparecem estripando seus corpos. Por alguma razão que desconheço, eles ainda não haviam notado eu estava em pé, no meio de todos. Foi nesse momento que tive a ideia de misturar entre os cadáveres e cobrir-me com sangue, para parecer um morto também.
Em seguida, um dos indígenas começa a chutar-me, para ver se eu estava morto e, no instante em que eles decidem dar uma machadada em minha cabeça, eu acordo e estou novamente no frio do meu quarto, é o momento em que minha mãe está pedindo para eu levantar-me para ir à escola.
Penso que, afinal, ser atingido por uma machadada certeira na cabeça fosse menos sofrido do que levantar-me naquela manhã de frio.

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Alexandre Rejes
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