Vida de dificuldades tantas
Em terras estranhas e inóspitas
Chega querendo seu pedaço de pão
Alimentar sua família, trabalhar o chão
Enfurece contra os proprietários
Grandes extensões de terra parada
"Quero fazer isso virar com minha enxada".
Os líderes prometem do lado de fora
"Vamos invadir e teremos o que queremos"
Rasga a camisa no afiado arame da cerca
Empunha a foice, grita que fica
O latifúndio reage
Policia chega
Correria e tiros
E os líderes?
Correm...
Fogem...
Tremem...
Mas continuam falando ao longe
Incitando a revolução no campo
Sua camisa apesar do rasgo e por ele
Não é branca como quando lavada no rio
Agora é vermelha de seu próprio sangue, morto
Mais uma vítima de um outro fuzil.
E os líderes?
Se escondem em qualquer grotão
Esperando a poeira baixar
Falam contra o governo que os criou
Muito melhor que trabalhar
Didático, no bom sentido.
Esse "afiado arame da cerca" é, hoje, um símbolo ambíguamente poderoso porque demonstra a divisão entre os que trabalham e aqueles que vivem de cortá-los.
O poema é como o lamento daqueles que amam viver da terra, com ela dormindo e acordando.
Os versos, porém mostram a realidade daqueles que "fogem" enquanto seus escravos (coisas) morrem.
Desculpe-me David, a enormidade do comentário, mas como não ser prolixa diante de tal sensibilidade?
beijo
Saramar, que seria de meu ego sem você????
Beijão!
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