Cravos
Carnes em flor
duas solidões se encontram
somas em dor
dois vazios são ainda vazios
duas dores, profanam, sem amor
Vai e vem
vais e voltas
noites após noites
aos sonhos, respostas
noutros dias, noutras apostas
mesmos convites, noutras propostas
Mas por mais que saias
voltas...
vais, e voltas
mãos e bocas
pegas, e soltas
vai e vem
vêm e vão
vãos e voltas...
Tal qual um cravo
perfuma os odores
da noite com maquiagens,
saias, saltos e negras cores
E a cada sorriso, chora
a cada volta à cama
o amar a quem não ama
ao beijar sem demora
ao teatro sem a fama
voltas àquilo e ao agora
Nova sempre mesma hora
mais um cachê te pagaram
e perderam-se noite afora
outra platéia sem palmas
teu corpo te compraram
e venderam-se as almas
Essa poesia foi feita num estacionamento de Brasília após ter visto um filme , "Para sempre Lylia", que me tocou ao lembrar-me de uma realidade que conheci em outro país, mas que é também tão brasileira quanto é humana, e de todo o mundo - ainda.
Marcos Woortmann · Brasília, DF 22/3/2007 11:11
Esse poema captou um instante. Foi lindo.
Fábia Galvão · Brasília, DF 22/3/2007 11:59
Lindo demais! "o teatro sem a fama" é uma boa metáfora, gostei...
Parabéns, o poema todo está melodioso e com imagens fortes.
Abraços!
Valeu anita querida
Marcos Woortmann · Brasília, DF 22/3/2007 19:14
gostei dos cravos.... parabéns!
abraços
Marcos Woortmann,
Nossa, esses cravos parece que brotaram do último verso,
Um, o corpo "comprados" , outro, a alma "vendidos"!
Amei!
Marluce
Os cravos estão lindos, e o poema, docemente forte.
Parabéns!
Lindos: o poema e os cravos!
"E a cada sorriso, chora
a cada volta à cama
o amar a quem não ama
ao beijar sem demora
ao teatro sem a fama
voltas àquilo e ao agora"
Muito forte! Grande sensibilidade!
Adorei!
Abraços
Obrigado, queridas Roberta, Marluce e Fê. Fortes são aquelas mulheres, e falar delas sem ser assim, acho que seria não falar delas. Fico muito feliz que vcs gostaram
Marcos Woortmann · Brasília, DF 23/3/2007 11:37
Um comentário masculino, mas de alguém que também foi tocado: cara... o que dizer? Fico fugindo do clichê... mas...
voltas e voltas
meia volta, volver!: fica para os marciais
e quem não é marciano, mas sim desta Terra
admira a poética de quem escreve
com uma estética ondulante
Abraço e parabéns.
Ritmo, leveza, suavidade...
Lindo.
Muito bom mesmo.
Parabéns!
É tudo isso que já disseram anteriormente e muito mais maravilhoso ainda.
Parabéns, meu querido.
Muito obrigado amig@s, é um grande estímulo suas palavras :)
Marcos Woortmann · Brasília, DF 10/4/2007 16:09
Legal Marcos, eu achei uma bela comparação poética, entre a mulher e a flor. No vai e vem da vida, entre sorrisos e lágrimas, as duas sempre se encontram enfeitando as madrugadas. Parabéns pelo trabalho.
Carlos Magno.
Nossa que lindo Marcos, realmente vc sabe usar as palavras! rs
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