Eclodem
--- em cada esquina de periferia
E ao anoitecer do dia ---
Toques de recolher
Que põem hiatos
No cotidiano querer
De almas humildes: renitentes ermidas!
Na plenitude do sol a pino,
Cilindros de fogo
Que esgarçam o horizonte
--- ao serem deflagrados ---
Operam uma metamorfose:
Transformam os arco-íris de vida
Em miríades da execrável necrópole!
Orgias de alucinógenos cooptam,
Com o seu orvalho,
Sentinelas e abocanham,
Usando suas peçonhentas mandíbulas,
Numerosas presas:
As engrenagens da violência
Cobrem de ouro e fragrâncias de opulência
A realeza da mais valia facínora, horrenda vivenda!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
• http://twitter.com/jessebarbosa27
prezado josé
parabéns
estás escrevendo cada vez melhor
teu ouvido está mais afinado do que nunca
um grande e fraterno abraço do
paulo monteiro
Beleza, José, precisamos de mais alma, de mais calma mesmo (tem pessoas que mesmo morando em cidades pequenas tem a grande cidade dentro de si - se enervam continuamente)... quando morei em Sampa, tempos depois escrevi sobre a cidade absurda que é... se quiser, dê uma chegada no meu barraco poético e veja a minha "Metropolis"... abraço.
O Big Brother, do Orwell; O espírito do último homem, do Nieztsche; O estado por dentro, do Canetti.
N'algumas cidades do interior de São Paulo o Monstro de Mil Faces Sobre a Face Neutra atacou também, assim como n'algumas da Bahia.
Os muros são tantos e sussecivos e latentes e embutidos e vendáveis e propagandeados em Blue Ray e telas de plasma.
Por que? Vamos abrir mão de um mínimo de liberdade - já por si só quase impossível dentro da conjuntura social atual - para termos segurança.
É difícil não concordar com os estruturalistas franceses e com os pessimistas em geral quando se tem fatos destes caindo em cima de sua cabeça todos os dias.
Mas, Jessé, ainda não tem muro que dentenha esse tipo de pedrada que é a poesia. E a tua pegou bem onde dói.
"Lutar com palavras é a luta mais vã
no entanto lutamos mal rompe a manhã"
C. Drummond de Andrade
É esse o nosso país...
É essa a transformação que vivemos:
Oi Jesse,
Preso em casa... A internet é uma ilha onde nos encontramos antes do último naufrágio... Convém lutarmos por voltar à terra firme.
Segurança, eis nossa utopia.
Abraços, amigo
Bruno Resende ramos
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