Trocaria a noite pelo dia
É que, mar não estando para peixe,
Sobra que nunca nada ninguém deixe,
O ébano de lustro lindo,
Negro e belo,
Sorri_dentes à mostra
Ela solteira ele solto
Pinto no lixo
Feito a capricho
Deixou todas loucas
De amor em louvores
Esqueceram as dores
Fizeram do pranto acalanto
De belo momento singelo
Tornou-se a paisagem fúria em idílio
E veriam mais tarde que não tarda a falhar
Novamente
Que coisas mais não há a dizer
dessa gente
Não vi lógica nisso
Vi sentido naquilo
Não vi o que não quero ver
Nem ver o que não vir
O presente que se de grego
Espartana se faz a lida
É tanto mar que não enxergo o horizonte
Vida pouca para tanta prece
A messe se arejou na ventania
E foi-se sem martelo o lavrador
Ela, continua bela, o torso dele nu
A inspirar-lhe os sonhos e devaneios
Que um difere do outro, ainda que haja
Parte de um no outro
Tudo o porvir em déjà vu
Meu poeta segredou
Inspiração e produção
Poesia é trabalho
Dá trabalho
Incomoda e destila
Poema contrariado, então,
Ferve a alma em desatino
Borbulha à flama o sangue
(não rima com latino!)
E convergem as veias do corpo todo
Para o alvoroço de pássaro das manhãs
Reclamando o povo pelo almoço,
Barriga vazia cabelo ao vento
As das crianças prenhes de lombrigas, umas.
Outras, de meninas, de prenhez veraz.
Disto poderia muito falar
Daquilo, do amor, não me canso,
Apenas faço intervalos para que a vida não me passe sem cuidado.
Grande Adroaldo. Senti-me verdadeiro "pinto no lixo" lendo essas maravilhas; aqui quando dizemos isso é que estamos alegres e satisfeitos no que fazemos, ou seja, não queremos sequer morrer à prestação.
E realmente nada mais acertado do que o título: ninguém jamais tem uma segudna chance.
abcs
.
jjLeandro.
Agradecido, jjLeandro.
O título é uma homenagem à mamãe, que ruma célere para os 82 anos e me repete sempre que pode, desde não me lembro quando, ainda criança.
Eu me horrorizava: credo, mãe!
Ela arrematava (e arremata inda hoje, sem trocadilhos).
- Ora, filho, pra morrer basta estar vivo.
Grande Maria de Lourdes!
*
Tive uma idéia a partir do teu comentário.
Poderíamos fazer em Overmundo uma seção para ditos populares e máximas hilárias, do tipo mais feliz que pinto no lixo ou, como dizem aqui, também, mais faceiro que lambari na sanga.
Seria uma coleta que nos convocaria memória engenho e arte para o registro a ser deixado permanente em alguma gaveta de consultas.
Para não ser enfadonho ao leitor, no editor poder-se-ia limitar o tamanho da contribuição a algo em torno de 50 a 100 caracteres.
Exceções seriam avaliadas.
A quem poderia enviar esta sugestão, sabes?
Presumo que um tópico no observatório poderia abrir o debate. A sua idéia é ótima e tem todo o meu apoio. Vá lá, abra e eu reforçarei.
Aqui em nossa região, como sei que aí também, o fabulário é riquíssimo.
MInha mãe dizia também sempre: "Quem ama o feio, bonito lhe parece". E por aí são muitas.
abcs
jjLeandro .
Agradecido.
Estou indo lá.
Muito legal, Adroaldo!!
Abração!
Caríssimo Poeta Bouer,
Que alento saber que existem humanidades como você:
coração e mente em hemorragia poética, criatividade e tato.
Tato, teto, tudo: propriedade daquilo que profere (profecias e profanações: jovens deusas irmãs).
Ter momentos assim junto ao seu poema é ter certeza que a morte é futuro. Mas a vida é presente.
Seu poema e dom são presentes. Ao mundo.
Parabéns!
Abraços
Que indelicadeza!
Erro de digitação...
Desculpas Poeta Bauer!
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