da janela do quarto vejo as cumeeiras
e as caixas d´água pesando seus ripais
as placas armazenam o sol de Agosto
- a chuva aínda demora a chegar -
nos quintais os cães de colo latem os passarinhos,
distraídas rolinhas,bem-te-vís, pardacentos pardais
saltitam nos telhados - não temem a rapina -
o vento balança a Sete Copas: um santo
remédio suas folhas caídas - pra cura dos rins –
ao longe os alto falantes desenham seus políticos:
sóbrios e retos atrás de um ideal
a tarde cai indiferente...
de noite somem os gorjeios e os mastins de
guarda tomam seus postos silenciosos e maus
as antenas despejam nas salas de tv, seus
heróis de novelas e com eles seus panos
de moda e de fundo
os ladrões sem colarinho espiam os beirais e
os homens de bem religam os alarmes
- tanta coisa nos jornais -
os espectros povoam as cumeeiras
Oi Carlos,
Gostei do seu texto.
Entre a realidade diária que
se descortina de sua janela.
existe também a desilusão.
quer queiramos ou não
temos de ouvir a ladainha dos
politicos sem escrúpulos.
as novelas propagam um sonho ilusório,
e vivemos encurralados
guardados por matins ou eletreficados.
grande protesto.
bjssssss
São as nossas impressões diárias, já tão costumeiras
que podemos observar até nas cumeeiras.
os ladrões sem colarinho espiam os beirais e
os homens de bem religam os alarmes
- tanta coisa nos jornais -
os espectros povoam as cumeeiras
beijão
Estamos presos no prórpio medo. eles soltos por aí assombrando cumeeiras. Gostei, Carlos.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 21/9/2008 07:34
Vocabulário rico, só seu.
Um alerta poético. Muito bem escrito Poeta.
O ambiente tão bem costurado -- com bainha, babado, entremeio e tudo-de-que-não-entendo-bem-em-se-tratando-de-ofício-de-costureira -- foi o que mais me impressionou nesse escrito. Apliquei as imagens... Daqui não saem mais.
Aglacy · Aracaju, SE 21/9/2008 22:19
Imaginando o cenário
Como diz Aglacy,costurado e bordado com fios de ouro
Muito bom
Publicando com mérito
Julia,
me alegra sua presença,
pela força e comentário
beijo,
Um paralelo que parece surreal. Mas não é, infelizmente.
gostei
Um abraço
...um abraço carinhoso e meu voto sempre, bjos.
graça grauna · Recife, PE 22/9/2008 19:27
Poderia ser algo bem distante...Mas é dentro de casa. A poesia que retrata o cotidiano urbano.
parabéns
abraços
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