Foto: Fernando Neves/Flickr/Creative Commons
(Viagem ao profundo de mim)
1 – O que serei?
Serei lagartixa eremita
Esmolando paga na porta do templo,
Ou um monte com estrumes de drogadas baratas,
Que pelo esgoto se fogem desembaraçadas
A fim de penetrar nalgumas pernas alheias
E tortas - o efêmero gozar?
2- O que serei?
Serei um astronauta africano,
Ou um internauta americano,
Que ao além sol se ruma átomo mediano
Proeza de brasileiro orando em tibetano,
Que não se coaduna com as astronaves
De um inventor cubano?
3 – O que serei?
Serei poeira ao vento,
Canivete de detento,
Ou raivas e mil contratempos?
O que serei?
Serei o não do máximo,
Uma vez que sendo sim no mínimo
Não poderei misturar-me ao ácido?
Ai! Qu’importa
A fúria dos loucos terremotos
Se ainda não possuo terra e nem moto,
Não atravessei o pantanal
E nem vivi o padecer de o breve viver?
4 – O que serei?
Serei requentada comida jogada aos vermes,
Agonia e dor de herpes,
Ou vis sustâncias sob sal e germes?
O que serei?
Serei o sim do mínimo,
Que ainda não poderei ser-te finado?
Se o serei o que não devo te ser?
Ai! Qu’importa
A fomedez dos ares metamorfados
Se ainda não tenho face e nem cheiro,
Tampouco transformei em estrangeiro
O vulgar gostar e o vil sofrer?
5 – O que serei?
Serei lixeira pública,
Retreta coletiva
Onde os famintos recalcados
Recatam-se no comer,
Ou serei intermináveis noites de solidão,
Que a cada minuto de vida
Assiste emascular crianças e poetas,
Em nome da bondade
De o nosso senhor?
6 – O que ainda serei?
Serei novamente oxidado crucifixo
Colado na porta da igreja,
Ou serei exército nuclear de seitas materialistas,
Que ao homem se prendem
Qual cuspe individualista,
A cobrar dízimos de engenhosa antifé?
7 – Oh! Imã!
Oh! Imã de atrair sêmen ladrão -
O que ainda serei?
Serei perfume das fossas,
Ou serei tímida imaginação?
Serei contrapartida das rosas,
Ou serei lenta penetração?
Serei mordida das víboras,
Ou serei beijo de traição?
O que serei?
Benny Franklin
O que serei?
Serei lixeira pública,
Retreta coletiva
Onde os famintos recalcados
Recatam-se no comer,
Ou serei intermináveis noites de solidão,
Que a cada minuto de vida
assiste emascular crianças e poetas,
Em nome da bondade
De o nosso senhor?
Um crucifixo oxidado...belissímo...
abçs e boa noite...
Poeta, com a força de suas palavras, será tudo.
beijos.
Já o é!, rs Outros ainda serão!
bju
OS HF
Salve Mestre Benny Franklin.
Você nos presenteia com essa beleza Shakespeareana.
Um Carrocel Divino.
Obrigado pela Amizade.
Receba um Grande Abraco
Nenny,
Hoje já lhe falei, e falei com prazer, como aliás sempre lhe falo, mas falei também não com admiração. Agora estou falando
admirado.
um abraço, andre.
Benny,
inquietantantes: poema e imagem.
Muito bom!
Abçs.
Benny,
Uma ode insuspeita a Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Pulula ali o médico e acolá o monstro que à sua medida vão colhendo os mini-cataclismas recalcados de cada condição imposta pelos seus universos. Ou será tudo uma coisa só e me pego a imaginar um porvir por demais coloquial para que eu os leve a sério? Desconfio que traças um paralelo da desimportância imaginária que a tensão de um futuro impregnado de mesmices nos prega. O que vier será contabilizado como ares respiráveis, e o que não vier seguirá os padrões rígidos de uma conformidade piegas, mas sestrosa por causar ansiedade. Valeu por nos fazer questionar. Do que adianta ter comichão se sabemos que depois do sol vêm a lua? Benny, estás numa sequência fantástica de grandes textos, um abs de irmão.
Benny,
Você já pensou na hípótese de ser...
Advinha...
MUITO DOIDO VÉIO!!!?
Rrsrsrsrs
Desculpe, desculpe por favor!!!
É só uma brincadeira, espero que não de mal gosto. Eu, na verdade te vejo de outro jeito:
Primeiro: dono de uma criatividade ímpar. Sinceramente não conheci ninguém igual a você, um poço imenso de palavras, o maior neologista de todos, o maior casador de verbos inusitados que já ousou existir.
Segundo: Dono de um pensamento arguto, muito profundo, que poucos podem tocar.
Terceiro: Mágico e trágico; Bélico e tétrico; sólido-gasoso; doce-tenebroso; profundo mistério e, nunca, nunca, nunca, raso...
Quarto: (Adivinha)? rsrsrsrs
Sabe, você, para mim, é igual ao Sérgio Frank, desperta meu senso de humor de uma forma que eu gosto muito.
Toma: cantei pra tu subir (votado)
Grande abraço Guaicuru!!!
Ave, Poeta!
Tua marca é inconfundível. Sem igual. Sem imitação.
És o melhor do Over.
Votado!
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