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DA POESIA?

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geraldo maia · Salvador, BA
19/5/2011 · 0 · 0
 



DA POESIA?


Quem inventou a poesia?

A palavra peralta?
A fala gracinha?
O poeta pé atoa?
O porreta da garoa?

Foi na noite sorvete?
De dia maresia?

Ou na tarde
Que lambe
O sol?

Como foi
Afinal?

Na cama da hora?
Na asa do gol?

No rastro do astral?
No plano do pano?

Ou foi no aperto
Corre pro banheiro
Cara de mamão?

E o que é poesia?
Uma tabacaria
Que ressoa por dentro
Com várias caras
De sentimento?

Ou um marimbondo
Que dói no Raimundo
Bem no meio do fundo
(eita rima esquisita)






O que é poesia?
Um rio dicionário
Com palavras de água
Em fala severina?

Ou é uma menina
Com uma flor de hiroshima?

Ou é um enguiço
No cisco do aquilo?

Será que a poesia
Troca de alma?

Ou tocaia o mar
Nos ilhéus da lágrima?

A poesia é quem paga
A garapa de Pagú?

Ou dá um bode
De bigode e boné
Metido a “coroné”?

Nada
Poesia é a praça
Onde a vida alcança
Seu vôo mais pássaro
Sua via mais ampla

Ou será
Criança
Que a poesia se passa
Nos compassos da liberdade?

Pode a poesia escrever
Os versos mais estridentes
Como no encontro da noite
Com o cais de saudade?

Oh poesia oh voz férrea
Em disparada pelas margens
Das nuvens num tropel de labaredas
Oh cozinha de sentimentos
Bule de olho na chuva que tamborilha
Segredos na escuridão
Súbito código de ilhas
Que a poesia decifra
Ou desespera?

Recorte um sonho
Uma notícia amassada
Cole alguns bêbados
Em cores alternadas
Coloque-os de molho
Por dois versos
E depois
Talvez a poesia
Com seus modos de rua
Venha lamber estrelas

O A é verde traço inverso
O B é marrom de lado
O C é carmim mesmo
O D é doido por azul
O E não entenderam nada?
Só Cor rogai pelo resto
Do alfabeto

Às armas Aos canhões
Assinado o desarmamento
Das almas e dos corações

Quem sabe um dia
Ela a poesia mais linda
de uma dessas avenidas
Com seu mais belo organdi
Descerá ao meu epitáfio
Só para mais uma sessão
De cinema onde o filme
Das nossas vidas durará
a eternidade
de um saco de pipoca

A poesia
Entra no meio
Do nada
Com todo o seu poder
De viagem


Ou sai do armário
Pra devorar
O próprio azul?

O que é poesia?
Uma trança de tempos?
Um poema no banho?

Uma aba de babado
Que bebe caldo
Decalcado
Da capa?

A hora da espera
Que o céu reverbera
Em manchetes sutis?

O “xis” do possível?
A dança invisível do morro?
O grito de socorro das manhãs?

Um som atenuado?

Será poesia
Um treco lacrado?
Uma coisa biscoita
Com gosto de sonho?

Um trem de paixão
Que voa por dentro
Numa posse mágica
Da imaginação?

Ou é só o encanto
De contar estrelas
E perder a conta
Na hora de comê-las

E o poema?

O que me diz você?
O que é o Poema?

Um som assado?
Um tempo lençol?
Um verso cafofo?
O avesso do vento?

Crases!

Que conversa sem passo
Nem alça
Sem calça
nem laço
Sem fio deu um nó
Que a poesia desata
Com mãos de amor


E o que é o verso?

È o inverso da prosa?

Uma quase música?

Uma letra manhosa?

Uma pomba pomposa?

Sussuarana rosa?

Meu Deus que maluca
Essa tal de poesia

Parece vazia
Mas é cheia de ritmo

E a todos fascina
Quando é falada
No embalo da rima

É prima do Rap
Irmã do cordel
No repente da emoção

Só faz sentido
À flor do papel

Batuque de afeto
Expõe o coração
na palma do mundo

até rasgar a alma
pelo avesso de viver

com a mesma intensidade
de morrer a cada instante

e mesmo assim sentir
a vida sorrir no verso

que traduz o universo
na linguagem da poesia

a arte de reinventar
a invenção do invento

Geraldo Maia

Sobre a obra

Um apanhado poético visitando grandes autores em seus poemas mais emblemáticos com o máximo de concisão e invenção contando a história de um instante da poesia

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informações

Autoria
Geraldo Maia é poeta, escritor, dramaturgo, mora em Vinhedo, SP, separado, três filhos, é um dos integrantes do Grupo Os Poetizadores de Campinas e do MAV - Movimento ArtísticoCultural de Vinhedo
Ficha técnica
Texto do poeta e escritor Geraldo Maia - www.ospoetizadores.com.br
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