E choveu...
e choveu...
Durante longos meses choveu e choveu.
Rios e mares encontraram-se num só curso.
E inundaram, e destruíram, e tudo invadiram.
E povos inteiros pereceram.
Mãos para os céus rogaram preces.
Profetas diziam que tudo estava escrito, e agarrados às suas profecias, submergiam.
Boatos corriam que crianças com nadadeiras nasciam, e que ricaços em transatlânticos partiam... para onde iriam?
E... choveu,
e... choveu...
E, quem sobreviveu... com a intempérie aprendeu!
E reprojetaram, e reinventaram, e reciclaram, e tudo reconstruíram.
E da água comeram, da água beberam.
E, quem diria? A água já não mais temiam.
!
Até que... um dia...
!
A chuva cessou...
E o sol novamente brilhou...
E as águas retrocederam...
E rios e mares aos seus cursos verteram...
Profetas emergiam bradando “eu já sabia!”, e bisonhamente sorriam...
Boatos corriam que das crianças as nadadeiras caíam.... e que transatlânticos de luxo numa floresta jaziam.
E o sol brilhou e brilhou...
E as casas voltaram a ser casas, as ruas voltaram a ser ruas, os povoados voltaram a ser povoados...
Barcos, obsoletos, dos telhados foram retirados...
E o sol brilhou e brilhou por longos meses...
Brilhou, brilhou...
!
E o rio secou...
A colheita não vingou...
E a fome imperou...
Mãos para os céus rogaram preces...
De onde tirar sustento, aplacar a sede?
E povos inteiros pereceram...
E, nas noites quentes da única estação que restou...
Ouviam-se o chacoalhar de corpos suados...
Ao tenso ritmo da dança da chuva...
Olá Wander!
Uma montagem legal de fotos e um ciclo interessante...
Abçs.
Wander, e' isso ai', um alerta indireto, ou direto ao descaso com nosso planeta e o aquecimento global...parabens pela montagem e texto! Gostei
victorvapf · Belo Horizonte, MG 8/1/2008 16:29
Magnifíco.
Os homens , muitos deles, esqueceram o que é uma garoa em Sampa...ou um inverno onde os ipês florescem...Ou o inverno no norte e nordeste...Adorei
Dançando líquidos...Perfeito.
W@ander, o melhor mesmo é que tudo fosse bem regulado, mas com a loucura que vivemos hoje esse seu alerta é interessante e útil.
Tenho um conto fantástico aqui no Overmundo que aborda esse tema dos excessos.
O linque está aí abaixo.
abraços
W@nder
Se o descaso com o meio ambiente continuar no rítmo que está, poderemos realmente estar caminhando para uma dessas situações... Sempre muito importante refletir sobre isto.
abraços
Muito interessante e bem atual! PArabéns!
Vanessa David · Rio de Janeiro, RJ 8/1/2008 18:43
Parabéns! Com esses valiosos versos, você já está dando um alerta para muita gente.
Um abração mineiro.
Certamente faria a dança das chuvas...
crispinga · Nova Friburgo, RJ 8/1/2008 19:16
É verdade W@nder. Já não precisamos mais só lembrar do Apocalipse, parece que ja o estamos vivenciando, não é?
Mas, Nostradamus à parte, seu texto ficou lindo.
Um grande abraço
Divino!!! Parabéns !!! Mil beijos...
marilia carboni · Londrina, PR 8/1/2008 19:39
W@nder, gostei da sua poesia, minha sugestão é para que repense a necessidade de todas as reticências.
Além disso, para mim você perde um pouco o ritmo crescente em direção ao final quando diz:
E o sol brilhou e brilhou por longos meses...
E... brilhou, e... brilhou...
!
Apenas sugestões, ok? Beijo.
Ah, a chuva me inspira de outras formas... ;)
http://www.overmundo.com.br/banco/chove
Eu gosto muito dos teus escritos meu amigo W@nder. Além de belo o teu poema é muito construtivo, um grito de alerta para os habitantes deste planeta. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
"Iniciei a minha "Dança da chuva" como uma brincadeira de palavras (da forma que gosto de fazer), mas, quando me dei conta, o texto tinha se transformado em mais um dos tantos alertas sobre desequilíbrio ambiental. Que assim seja!"
E então eu completo: Amém, Assim seja!!! Brijo grande, Wander. Tenha uma boa noite!
adorei!!!
o ser humano nunca sabe o quer, pórém sempre se acostuma...aí mora o perigo...
Beijos
Wander, antes de pensar em ambiente, pensei em sonho.
O poema me lembrou Macondo e seus fundadores. Então mergulhei no imaginário mundo de eternas chuvas.
Só depois, fui pensar na realidade, em tsunamis, no verter das lágrimas, na morte de tudo.
Da mesma forma que você, comecei a ler brincando, em miragens de navios dentro de florestas, depois do fim das águas.
Ao final, triste, voltei para depois de todas as chuvas e das danças que não podem concebê-las.
Fantástico este poema.
beijos
W@nder,
Obrigado pelo convite para conhecer tão precioso trabalho.
Parabéns!!
Abraços
Caro Robert,
obrigado por atender ao meu convite.
Abçs
Victor, é isso mesmo! Temos que fazer a nossa parte, afinal é a nossa casa!
Obrigado e grande abraço!
Cíntia,
o pior de tudo é que vamos nos acostumando e de alguma forma nos acomodando com tudo isso aí... dançamos!
Obrigado,
bjs.
Obrigado por comentar, JJLeandro.
Já baixei o seu conto e assim que fizer a leitura deixo lá os comentários.
Abraços.
É essa a palavra, Nydia: "descaso".
Abraços
Vanessa, obrigado pelos comentários.
Abração.
Temos que estar sempre alertando de alguma forma, Ana. A realidade está aí e é cruel.
Abraços.
Cris, tomara que não seja necessário e que a vida não imite a ficção. Mas... se for necessário eu também farei.
Abraços.
O que vivenciamos com relação a mudanças climáticas é bem preocupante mesmo, Lígia.
Obrigado e grande abraço.
Marília, obrigado pela presença e comentários.
Mil beijos...
Regina Luna,
obrigado pelos comentários e observações.
Fiz a modificação que sugeriu em relação à perda de ritmo na reta final do texto. Com relação às reticências, decidi mantê-las por questão de estilo mesmo.
Obrigado pelas valiosas sugestões.
Beijos.
Grande amigo e poeta Carlos Magno.
O grito de alerta está dado, aliás, muitos de nós temos nos esforçado para conter essa onda de devastação no nosso planeta.
Obrigado pela presença constante.
Grande abraço.
Importante observação, Marinheira, o fato de acostumar-se é sempre perigoso.
Obrigado,
bjs.
Querida Saramar,
Do seu olhar atento não escapou uma pontinha dos Cem anos de solidão que está presente aqui... As chuvas constantes e devastadoras que inundou, destruiu e modificou para sempre a paisagem daquele povoado mágico...
Tomara que esse ciclo não se torne real e que a humanidade não pereça de forma tão trágica!
Obrigado,
beijos.
Brigitte, cada dia que passa a nossa preocupação aumenta e com isso a nossa responsabilidade de manter o nosso planeta também.
Obrigado pelos comentários.
Abraços
Kais Ismail,
eu que agradeço pela sua presença
Obrigado e grande abraço.
Parabéns, Wander!
Poema fantástico e atualíssimo!!!
beijos @>--
Um alerta em forma de um belo poema.
Parabéns, Wander!
Abraços
Adriana, Ana
Obrigado pelos comentários.
Bjs.
Choveu criatividade e brotou genialidade, W@nder.
abço.
W@nder · Rio de Janeiro (RJ)
Uma Viagem incrível navegando no imponderável.
Tudo é possível e a imaginação fez essa admirável construção.
Um Bom Trabalho que dá motivo para debates e reflexóes.
Ajuda a pensare criar novas concepçóes e respostas.
Muito criativo.
Para leitura de todos os jovens.
Parabéns e abração.
bem pertinente.
eu tento fazer minha parte, reciclando o lixo do meu condomínio, não usando a descarga( a água do banho serve de descarga), não comprando alimentos industrializados e em garrafas pet. acho que se todos fizessem um pouco, ajudaria.
Wander,
A montagem de fotos está muito legal e o titulo "dança da chuva" me remeteu ao imáginário indigena e o texto em si, ao imaginário biblico, naquilo que trata da criação, do diluvio etc...
Que bom, poder ler textos assim que nos remetem a necessidade de olhar para o aquilo que nossos antepassados nos legaram em termos de sabedoria sobre a convivência com o planeta.
Valeu!!!
Muito lindo, Wander.
Tanto os versos quanto a montagem.
Massa mesmo.
Parabéns!
BjO
Pois é Vander, que assim seja!
A chamada para a nossa consciência, de que o planeta agoniza. Os sinais são evidentes e o pior, estamos sofendo. Tanto quanto os personagens do teu belo poema! Onde chgaremos?
A resposta nos parece óbvia, mas ainda há esperanças... Sempre há esperanças enquanto hover vidas!
Abração
Sim, dáo que pensar.
Acabei de ver um filme fantasioso sobre este tema.
Mas penso que todas as obras literárias são um alerta
quando nos fazem pensar sobre isto.
Abraços!
Congratulações.
Seu texto é muito espirituoso...
Gosto de suas idéias...
Obrigado por me avisar de seu texto!
Abraços
Ernesto.
Sérgio Franck,
obrigado por aceitar o meu convite e pelos comentários.
Grande abraço.
Azuir Filho,
Realmente é uma viagem cíclica daquelas que são percebidas ao longo de muito tempo mas que, para a ficção, é um piscar de olhos.
Obrigado pelos comentários.
Grande abraço.
Rosa,
a água é um líquido precioso e temos que mantê-la não apenas para a nossa sobrevivência mas também para a geração dos nossos filhos e netos.
Vamos continuar fazendo a nossa parte.
Obrigado e grande abraço.
Zezito,
é importante a sua observação sobre o imaginário bíblico porque, quando estava confeccionando a montagem da ilustração eu pensei em utilizar a foto da Arca de Noé ao invés do transatlântico e acabei optando pelo segundo por estar diretamente mencionado no texto.
Mas o texto é bem amplo em interpretações e achei muito interessante a sua interpretação.
Obrigado por me atender e grande abraço.
Tinah,
obrigado por me atender e pelos comentários.
BjO
Branca, não podemos nos desesperar, mas devemos nos conscientizar que a situação é muito séria e requer uma mobilização geral. O planeta sofre com a ganância dos países que desmatam sem piedade com o claro objetivo de poder e dominação.
Sempre haverá esperança... até os que fazem a Dança da chuva têm esperança...
Obrigado e bjs.
Roberta, tudo que fizermos e dissermos em prol da preservação ambiental é muito bem-vindo.
Abraços e obrigado pelos comentários.
Caro Ernesto,
fico contente que tenha apreciado a leitura do meu texto.
Obrigado por me atender.
Grande abraço.
Wander,
Tõ aqui e carimbei o primeiro voto na sua Dança da Chuva, apesar do sol brilhante quente que faz hoje em Brasília. Beijo grande e mineiro pra você.
Parabéns pelo ótimo texto, W@nder. Faz-nos atentar para o poder de destruição do homem e sua imensa adaptabilidade e esperança. Voto na hora. Grande abraço.
Eduardo de Oliveira · Teresina, PI 10/1/2008 15:15
Olá Wander,
gosto da musicalidade do poema. Tem o som dos trovões que gritam contra a violência cometida contra Mãe Terra. Um andar Sioux.
Abrs,
Sander
Wander...Dançamos na chuva...
Lindo, reli e voto.
Joana, obrigado pelos comentários e pelo voto.
Bjs.
Amei...por isto...votei !!!! Bjs...
marilia carboni · Londrina, PR 10/1/2008 17:03
Vim e votei. Parabéns. bjs
ana wagner · Porto Alegre, RS 10/1/2008 17:17
Vim, reler e votar para que se perpetue a beleza de sua poesia W@nder.
Um abraço
Vo(l)tei, W@nder, para reler este belo poema1
Bjs.
Olha o voto aí meu amigo W@nder.
Abraços.
Carlos magno.
Wander,
Eu vim espreitar, pleitear e emprestar-me para que o rio não seque
Lindo, majestoso,
um abraço, andre.,
Wander,
Não poderia deixar de parabenizá-lo,
fizeste um alerta em forma de poema...
tu és um gênio...!
Linda e muito criativa a montagem.
Bjs,
Joana, Eduardo, Sander, Cíntia, Marília, Ana Wagner, Lígia, Nydia, Carlos Magno, André, Yasmin e a todos os que por aqui passaram, o meu agradecimento e votos para que ecológicos dias melhores nos aguardem e que a Dança da Chuva faça parte apenas dos nossos devaneios poéticos.
Beijos e abraços.
Wander
Querido Wander:
PARABÉNS!!!
Um trabalho jornalístico “antenado” e atualizado com o eco-sistema e as necessidades básicas da vida nesse planeta. Penso que poderia ter ido para o OVERBLOG. Um alerta de forma criativa e dinâmica.
Perfeito quando o homem pode contribuir e retornar para a natureza o que ela deu para beneficiá-lo.
Bem... As nuvens continuam lá... De onde nunca deveriam ter saído!!! Ou deveriam inundar o corpo e lavar a alma???
A Delonix Regia sobreviveu às intempéries das mudanças climáticas. Essa é indestrutível frente a qualquer catástrofe. Chova ou faça sol... Preservarei!
Beijos_Meus*
*
As imagens estão perfeitas ao conteúdo.
Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 11/1/2008 18:44
W@nder · Rio de Janeiro (RJ) ·
Votando meio tarde, mas voto é voto sempre.
É afirmacáo de merecimento.
Aqui fica meu reconhecimento pela qualidade do seu Trabalho.
Grande contribuicáo.
Valeu.
Obrigado, Lili.
Talvez a sua dança da chuva seja outra mas as expectativas são as mesmas.
Inundar o corpo e lavar a alma seria um bom pretexto para as nuvenzinhas saírem de onde estão. Mas, fica aqui o pedido para que a Delonix Regia fique mais exposta aos raios solares e menos ao sabor dos ventos tempestuosos.
Bjs no coração.
Que tarde nada, meu caro Azuir.
A sua presença e os seus comentários chegam sempre em boa hora e engrandecem em muito os meus postados.
Grande abraço e obrigado por tudo.
Inicia-se um novo ciclo profético das águas! Um puta alerta meu caro! A única coisa a fazer agora é formar uma grande fraternidade de guerreiros encarnados. Vivenciaremos a ratificação pela dor! No fundo, somos uns privilegiados, pois assistiremos o PRINCÍPIO DO FIM DO CICLO. Parabéns!
raphaelreys · Montes Claros, MG 14/1/2008 16:29
O caminho da devastação, você bem o sabe, é de mão única, não tem retorno, meu caro Raphael. A medida extrema seria a destruição da raça humana em prol do planeta, mas, isso não precisamos nos preocupar em fazer. Poderíamos, sim, nos preocupar em formar a fraternidade dos guerreiros encarnados que você citou com propriedade.
Obrigado pelos comentários e grande abraço!
Para onde vamos,inconsequentes que somos?Belo o seu poema,nos leva a refletir sobre o futuro do planeta...parabéns.Um grande abraço,Wander.
linney · Canoas, RS 30/1/2008 10:44Durante a leitura passaram-se imagens, águas e sol em minha mente, adorei!
Tati MOTTA · Belo Horizonte, MG 7/2/2008 07:31
É, Wander... O ser humano é o único animal que destrói uns aos outros, como também se destrói. E a natureza é implacavel, apesar de sempre nos deixar recados sobre o que não devemos fazer...
Já deixei meu voto, viu?
Um abraço,
Márcia
W@nder,
sua poesia é muito imagética.
É quase um filme de ficção...
Obrigada por me convidar.
Beijos.
É isso! Sem água, nada feito...
Um alerta consistente e... sinistro!
Parabéns!
Linney, Tati, Márcia, Valéria, Fátima...
Obrigado pela presença e comentários.
Abçs.
W@nder,... me desculpe mas andei afastada daqui, por isso a demora na leitura.
Mas fica aqui minha apreciação ao seu importante e belo texto.
Obrigada pela lembrança. Adorei e votei. Parabéns!
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