Dança louca das Borboletas

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Claudiocareca · Cuiabá, MT
25/9/2006 · 175 · 20
 

Istmos.a Borboleta cai a cada asa

abismo

vão/fresta/buraco

suspensão

Caos alado delicioso.

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informações

Autoria
Claudio de Oliveira
Ficha técnica
Sony digital 5.0
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sônia maria piatti
 

que linda fotografia...
parabéns, gostei muito!

girandooo.

=)

sônia maria piatti · Maceió, AL 25/9/2006 09:33
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Claudiocareca
 

Obrigado Sônia... Elas normalmente não param em pleno vôo para vermos, né?!

Claudiocareca · Cuiabá, MT 25/9/2006 12:47
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xYURIx
 

pois eh !!!
o cara capturou sem aprisionar q sábio!!!
xxx

xYURIx · Aracaju, SE 25/9/2006 16:15
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Claudiocareca
 

Oh, Yuri, valeu... A sabedoria é uma busca permanente.

Claudiocareca · Cuiabá, MT 25/9/2006 17:14
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Viktor Chagas
 

Algo que escrevi há muito tempo, na época em que ainda não sabia escrever:

Sobre a caixa de Thanatos

Isso tudo começou quando ele estava lá, parado, de pé, olhando por sobre as árvores. Não podia alcançar com seu olhar o topo de nenhuma árvore, mas a definição física do olhar não o incomodava. Lembrava de cada momento bom, de cada risada, cada olhar contagiante, cada segundo. Lembrava também de que quando a coisa estava para se iniciar, ele havia visto aquelas malditas borboletas. Duas borboletas negras como a noite. Negras como seus cabelos. E voavam livres como o pensamento. Como a noite também.

Ali, de pé, as coisas pareciam todas minúsculas. Mesmo as mais grandiosas. Olhava aquele túnel de árvores. Aquele jardim. As enormes casas ao lado. Por que diabos havia ali tantas daquelas casas? Eram monumentos tão grandiosos e tão pequeninos. Coisas tão inúteis. Sem cheiro e sem propósito. Fúteis.

Então, ele parou. Olhou ao redor. Parou novamente. Quando parava, paravam junto todas as suas células, todas as suas fibras, todos os seus pensamentos. Tudo ao redor também parava. Estáticos como estátuas. Mas alguma coisa lá embaixo se movimentava tristemente. Ele sabia e mal queria olhar. Não tinha forças ou não tinha vontade? Talvez ainda um pouco dos dois. Quando quis olhar já era tarde. E nunca pôde, na verdade, dizer o que queria naquele momento. Isso lhe fora negado.

Guardava consigo tudo o que queria dizer. A si mesmo e aos outros. E gritava para dentro. Gritava tanto que sentia um dor de cabeça enorme. Nos momentos mais difíceis sempre se esquecia daquela dorzinha, mas naquele momento em especial, não havia porque não se lembrar. Não havia mais nada que importasse ou que pudesse fazê-lo esquecer a dor. Apenas, talvez, algumas flores no chão. Um lugar amaldiçoado podia mesmo ter flores tão belas?

– Maldição. – Tudo fazia ele lembrar-se da dor. Maldita dor. Mas, enfim, as coisas, na vida, são feitas para serem vividas. E é melhor assim, inclusive. Na verdade, não houvesse vivido esse momento, não me haveria contado esta história.

Dando seqüência a todo aquele movimento fervilhante de sua cabeça estavam as folhas secas caídas na passarela. Pulavam de um lado a outro, alegres e continuamente excitadas. As folhas nas árvores eram mais discretas. Tinham um ar mais severo e conservador. Eram mais jovens e, no entanto, mais tristes e mais sérias. As folhas secas, velhas e maduras eram mais joviais, mais peraltas e inconseqüentes. Não tinham a preocupação de preocupar-se com nada. Apenas pulavam e movimentavam-se serelepes.

Ele não se dava conta de quanto tempo havia passado ali parado no alto do caminhozinho. Era um caminho longo, estreito e sombrio. A bem da verdade, de dia, aquela passarela lhe parecia bastante menos sombria. Algumas vezes, dava-lhe até a impressão de fazer-se convidativa. Chamava-o para caminhar entre suas frestas e sentir um pouco o vento no rosto.

O vento era bom naquele instante porque fazia secar-lhe as lágrimas. Entretanto, ninguém podia sequer ver suas lágrimas porque ele não chorava por fora. Chorava também para dentro. Da mesma maneira como gritava. Alguns fartavam-se disso e deixavam-no quieto por um segundo até que quisesse realmente falar a respeito. Mas ele, nesses momentos, sempre sempre calava-se. Calava-se até chegar alguém que pudesse conversar com ele por telepatia. Sem precisar mexer os lábios, exprimir emoções ou coisas do gênero. Olhares, murmúrios, apenas isso lhe confortava. Então, por muito tempo ficou ali parado. Não se aproximou ninguém que fosse capaz de comunicar-se com ele a sua maneira imprevisível.

Lá embaixo, ouviu alguns sons do trânsito: carros afastando-se. Deu-lhe uma vontade imensa de olhar; não o fez. Fez, em verdade, dois ou três minutos depois, quando a coisa já se havia esfriado. E os sons já se haviam dissipado. Enfim, pôde ver que já não havia mais o que olhar. Olhou, então. O caixão já havia ido. O cortejo já o havia seguido e o cemitério estava vazio.

E quando voltou-se para trás mais uma vez, e pôs-se de costas uma última vez, avistou bem ao céu, ou talvez, bem ao chão, duas outras borboletas. Exatamente como as primeiras. E voavam livremente pelos ares. Apenas uma coisa diferente. Eram borboletas amarelas. Duas lindas borboletas amarelas.

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 25/9/2006 18:04
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Claudiocareca
 

Oi Viktor, legal o txt mas acho q ele tem vida própria e ficaria legal no banco de cultura. Vc naum acha?

Claudiocareca · Cuiabá, MT 26/9/2006 13:16
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Viktor Chagas
 

Oi, Cláudio. Bacana a sugestão, mas eu comentei mesmo só porque a foto me remeteu a ele. Não posto no Banco de Cultura porque o texto não está maduro o suficiente; na verdade, acho mesmo que é um texto bem juvenil, por isso, não valeria como post... De qq forma, desculpe poluir a sua colaboração.. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 26/9/2006 13:24
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Claudiocareca
 

Imagina Viktor, naum acho q esteja poluindo e acredito que o txt tem condição de entrar sim no bco de cultura. A sua alto crítica pode baixar um pouco. Seu txt tah maduro e com um gosto ótimo. Um pouco ácido talvez, hehe...

Claudiocareca · Cuiabá, MT 26/9/2006 15:53
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Juliana Grosskopf
 

adorei a fotografia!
vou colocar de proteção de tela do meu pc!

Juliana Grosskopf · Bassas da India , WW 26/9/2006 19:59
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eduardo ferreira
 

girando em círculos, girando em círculos e soltando faíscas pela boca (a.sodré)

a dança livre das bacanas.

foi festa no cerrado?

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 26/9/2006 20:40
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Thiago Perpétuo
 

Olá Cláudio, muito boas fotos. Estou começando a estidar foto. Gostei muitíssimo do trabalho. Você pode descrever a "técnica"? (que máquina, que lente, se houver...)

Thiago Perpétuo · Brasília, DF 27/9/2006 01:05
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Claudiocareca
 

Oi Juliana, obrigado... Se a foto não ficar legal me avisa que te mando outra com mais qualidade final.
Grande EF, a festa foi das boas sim!
Oi Thiago, nada demais, muita paciência, uma máquina digital sony 5.0, e a função macro(aquela da florzinha, sabe?!)

Claudiocareca · Cuiabá, MT 27/9/2006 10:08
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Felipesimon
 

a paciência é realmente uma virtude... momentos como esse só comprovam o ditado...

parabéns!

Felipesimon · São Paulo, SP 27/9/2006 12:54
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isabel lima
 

MUITO LINDA!!!
AMO FOTOGRAFIA DE BORBOLETAS!

isabel lima · Luminárias, MG 27/9/2006 22:14
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jujuba
 

Uau! Pega pegada! Bem espontânea!

jujuba · Santo André, SP 28/9/2006 18:49
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Sofia Amorim
 

borboletas flores voando pairando deixando-nos deslumbrados.

Sofia Amorim · Ribeirão Preto, SP 11/10/2006 00:44
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Claudiocareca
 

Oi Sofia que legal o seu coment ainda naum tinha visto por esse prisma. Realmente é um deslumbramento, né!

Claudiocareca · Cuiabá, MT 11/10/2006 11:21
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Alex Costa Lopes
 

Concordo contigo Cláudio, o texto do Viktor já está maduro e é muito bom. Ácido, mas cheio de emoção, um convite ao passeio interior dos pensamentos e memórias esquecidas.
E a tua foto ficou muito boa também, muito movimento. Bem borboletante. hehehe

Alex Costa Lopes · Cuiabá, MT 19/4/2007 09:12
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J.Veiga
 

quanta beleza.

J.Veiga · João Pessoa, PB 15/6/2007 13:24
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linney
 

Muito bom.

linney · Canoas, RS 18/6/2007 17:04
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